Junior Talks 004: Marquinhos, os campeonatos de som e por que não trocar o alto-falante por um triaxial

Com o Marquinhos, que me ensinou som automotivo aos 17 anos: os campeonatos, o que é som de qualidade e por que o triaxial na porta piora o áudio do carro.

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O quarto convidado do Junior Talks foi alguém a quem eu devo muito: o Marquinhos, hoje representante comercial de acessórios e peças automotivas na região Sul. Eu tinha uns 17 anos quando ele e outros veteranos me “adotaram” nos campeonatos de som automotivo e me ensinaram quase tudo.

Os campeonatos de som

Nos anos 90 e 2000, a gente organizava campeonatos de pressão sonora e qualidade de som, sem fins lucrativos. Um fim de semana por mês, durante uns dez anos, viajando pelo Brasil. O dinheiro das inscrições e dos patrocinadores pagava estrutura, hotel e transporte. Ninguém recebia nada: era por amor.

Ele era coordenador e juiz principal; eu comecei organizando a fila de carros. Depois, quando ele saiu, assumi a coordenação.

Juiz precisa conhecer as regras e as artimanhas. Teve categoria em que só se podia usar a bateria original, e aparecia carro com bateria escondida. Teve quem descobrisse que uma frequência alta fixa “enganava” o microfone. Cada truque virava uma regra nova.

E a evolução impressiona. Para bater um recorde, nós montamos uma Kombi com 36 subwoofers. Hoje tem gente chegando perto daquele número com um só. Lembrando a regra da física: cada 3 dB a mais exige o dobro de potência ou de alto-falantes, na teoria.

Som de qualidade era imaginar o palco

A categoria de qualidade era outra coisa. O juiz recebia o mapa de como a música foi gravada: onde estava o cantor, a bateria, os sopros. Dentro do carro, você tinha que ouvir cada instrumento no lugar certo, como se estivesse olhando para o palco.

A gente não tinha recurso nenhum: montava suporte de tweeter com taquinho e cola quente, mirava com canetinha laser para cruzar na frente dos ouvidos. E aprendia perguntando, incomodando os mais velhos. Era tirar leite de pedra.

Não troque o original por um triaxial

O Marquinhos tem um vídeo com mais de 100 mil visualizações sobre isso. O carro vem de fábrica com lugar separado para o tweeter e para o woofer. Aí alguém arranca tudo e coloca um alto-falante triaxial na porta.

O problema: o agudo é direcional. Woofer virado para qualquer lado ainda soa; tweeter apontado para a sua perna, você não ouve. O engenheiro colocou o tweeter lá em cima por um motivo.

E tem mais:

  • O original de fábrica, mesmo de potência baixa, vem vedado, rebitado e bem fixado.
  • O alto-falante novo muitas vezes vai num aro de plástico com dois ou três parafusos e fica vibrando.
  • Em casa, ninguém questiona que caixa acústica é de madeira e bem fixada. No carro é igual: porta precisa de tratamento acústico, anel de fixação, vedação.

Isso tem tudo a ver com tratamento de ruído. Porta bem tratada melhora o som e silencia o carro. Veja o episódio com a Tira Ruídos Garage.

Por que eu parei com som

Foi um dos motivos: equipamento caro e muita mão de obra invisível. O cliente não vê o que está dentro da porta, nem o risco de quebrar um para-brisa desmontando uma coluna. E compara com quem “troca os alto-falantes” por um preço baixíssimo.

Ainda faço um ou outro upgrade simples: kit duas vias na frente, alto-falantes no lugar original atrás, um sub pequeno e um amplificador de quatro canais. Resultado ótimo sem mexer no visual do carro.

Upgrades em carros importados

Carro projetado para outro mercado vem com som ajustado para outro gosto. O brasileiro gosta de agudo e grave marcados. Em muitos importados, o upgrade é simples: tweeters mais eficientes e uma caixinha de sub embaixo do banco. Nada de arrancar o sistema original.

E uma dica de bancada: em vez de usar conversor de sinal, que pode trazer ruído de motor, prefiro puxar a pré-saída do rádio original com um profissional de confiança.

Acessórios que viram original

Hoje o Marquinhos representa marcas de acessórios. Dois exemplos que mostram para onde o mercado vai:

  • Carregadores por indução homologados por montadoras, que já saem como acessório original.
  • Farol de milha com a chave original do carro, que conversa com o painel como se tivesse vindo de fábrica.

Acessório bem feito é o que parece de fábrica.

O que levar deste vídeo

  • Conhecimento de verdade vem de perguntar a quem sabe e praticar.
  • Tweeter é direcional: respeite o lugar que a fábrica projetou.
  • Porta sem vedação e fixação piora o som, por melhor que seja o alto-falante.
  • Mão de obra invisível precisa ser explicada ao cliente.
  • Upgrade bom é o que parece original.

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