A verdadeira história de Junior Vieira: do som automotivo ao Repara Fast

Do curso de som no SENAI aos campeonatos, da oficina sem ferramenta ao técnico de coating e ao curso online: a trajetória profissional por trás do studio.

Pintura e reparo rápidoRuídos e som

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Num dia sem convidado, o Bruno ligou a câmera e pediu: conta a tua história. Nunca tinha gravado isso de uma vez. Aqui está a parte profissional dela, de onde veio cada coisa que faço hoje no studio.

Começar a trabalhar cedo

Eu nunca fui bom aluno. Pulei de colégio em colégio. Queria ser dentista, mas a faculdade não era uma opção na época, e comecei a trabalhar cedo. Primeiro, no caixa de uma ferragem. Com o primeiro salário, comprei um relógio que tenho até hoje.

Depois fiz um curso de som automotivo no SENAI. Não queria mecânica nem elétrica. E trabalhar com som, naquela época, era como trabalhar com estética hoje: a profissão da moda.

Aprendendo com os veteranos

Fui ser auxiliar de instalador numa auto elétrica. O curso ensinava o básico; o que eu aprendi de verdade foi ao lado de quem fazia. No primeiro som grande que montei sozinho, nada funcionava. Dois instaladores mais experientes entraram, me ajudaram, e viraram amigos para a vida.

Eu saía do meu trabalho e ia para a instaladora deles só para ajudar. Às vezes me mandavam segurar um martelo à toa, de sacanagem. Tudo bem: eu estava aprendendo.

Dedicação abre porta

Esses mesmos amigos faziam parte de uma entidade que organizava campeonatos de som pelo estado. Um dia faltou um juiz e me chamaram. Eu tinha acabado de tirar a carteira. Minha função era só organizar a fila de carros. Fiz isso com tanta seriedade que, no ano seguinte, me convidaram para a temporada inteira como juiz de linha.

Ser juiz me tirou da zona de conforto: eu tinha que saber muito de som. Comecei a “sugar” todo mundo que sabia mais. Quando o coordenador saiu, todos tinham mais conhecimento técnico que eu, mas, pela dedicação, me escolheram como coordenador. Ali entendi que postura e comprometimento pesam tanto quanto técnica.

Fiz também o primeiro curso de audiofilia que veio ao Rio Grande do Sul: ouvindo gravações de orquestra de olhos fechados, a gente tinha que identificar onde estava cada músico e perceber quando trocavam de posição. Contei mais dessa época no Junior Talks com o Marquinhos.

Saber o porquê

Uma coisa que eu percebi com os profissionais antigos: muitos sabiam fazer, mas não sabiam explicar por quê. Mandavam colocar um capacitor de tal valor sem saber que ele cortava frequência a partir de tal ponto. Achavam que o duto da caixa de som servia para ventilar o alto-falante, quando ele define a sintonia da caixa.

Eu nunca fui bom em matemática ou português, mas sempre estudei o que eu trabalhava. É isso que hoje me permite ensinar.

Do zero, num terreno na zona sul

Mais tarde, vim para a zona sul de Porto Alegre, num terreno que estava em estado bem ruim, sem ferramenta, sem internet, sem nada. A mudança coube numa viagem de caminhonete emprestada. A divulgação era faixa na frente e panfleto em caixa de correio. A avenida, até hoje, não ajuda: fica numa descida, atrás de um prédio.

Eu dominava elétrica, reparação e pintura, polimento, mecânica básica e som. Fazia de tudo para lojistas de carro, sempre com a corda no pescoço, cobrando pouco e esperando horas para receber. Vendia o almoço para comprar a janta.

Dois turnos

Para pagar as contas, comecei a trabalhar à noite como DJ e com sonorização de festas. De dia, estúdio: polir, pintar, preparar. À noite, festa até de madrugada. Às sete e meia, de volta à oficina. Foram anos assim, e todo dinheiro ia para construir patrimônio.

Chegou uma hora em que não dava para manter os dois, e eu tive que escolher. Fiquei com o estúdio.

Credibilidade é pagar em dia

Uma coisa que eu levo comigo: palavra é tudo. Se eu disse que pago hoje, é hoje. Quantas vezes paguei todo mundo e fui para casa sem dinheiro. Até hoje, se eu ligo para lojas onde comprei a vida inteira, eles mandam entregar e “paga como quiser”. Credibilidade se constrói cumprindo.

Os primeiros cursos

Há uns 12 anos, numa sociedade de estética, começamos a dar curso de espelhamento e polimento, quando quase ninguém ensinava isso no Sul. Muitos profissionais que hoje são conhecidos pegaram numa politriz pela primeira vez no fundo da minha oficina.

Quando a sociedade acabou, eu não queria mais dar curso. Poucos dias depois, recebi o convite para ser um dos técnicos da Nasiol no Brasil, testando produtos que vinham da Turquia e adaptando ao nosso mercado. Muitos vieram e saíram por projetos; eu fiquei. Não por ser melhor que ninguém, mas porque, se me dão uma camisa, quero ser titular: faço vídeo, produto, treinamento, viagem. Estou até estudando inglês.

Tirar a mecânica

O estúdio faturava bem e eu vivia sem dinheiro. Contratei um consultor, e ele mostrou com números: a mecânica dava faturamento, mas metade era peça, havia devolução, salário, espaço ocupado, e não sobrava lucro. O lucro estava na estética e na pintura.

Meus clientes também tinham mudado: carros mais novos, na garantia, que só vinham para detalhamento e pintura. Tirei a mecânica. Hoje indico um parceiro de confiança, ele me indica os clientes dele, e todo mundo ganha. Escrevi sobre essa parceria no post do Patrick, da NPR Car.

O “aquário” (a área de estética fechada, com luz e ar-condicionado) nasceu da necessidade de gerar conteúdo com qualidade. O estúdio foi melhorando conforme o dinheiro entrava: de patinho feio para patinho feio melhor.

Las Vegas e o curso online

Em 2023, fui ao SEMA Show, em Las Vegas. Voltei com uma certeza: o profissional brasileiro não é pior que o americano. A diferença é cultura, acesso a ferramenta e dinheiro. Lá, tudo o que a gente resolve com gambiarra tem uma ferramenta específica.

E percebi que eu tinha conhecimento técnico de sobra, mas não queria passar a vida viajando para dar treinamento. Foi aí que liguei para o Bruno e nasceu o curso online, gravado como programa de TV: vida real, com erro e acerto, não aquela aula engessada. A história do método está em de onde veio o Repara Fast.

O que levar deste vídeo

  • Comece onde a vida te colocar, mas estude o que você faz.
  • Dedicação e postura abrem portas que a técnica sozinha não abre.
  • Saber o porquê é o que transforma prática em ensino.
  • Credibilidade é cumprir a palavra, principalmente com dinheiro.
  • Faturamento não é lucro: meça cada setor do negócio.
  • Não existe sucesso da noite para o dia: são décadas de construção.

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