Introdução à pintura de couro: como saber se é sintético, preparar, isolar e pintar os bancos de um Fusion

Um Fusion que veio para higienizar saiu com os bancos pintados: como identificar o couro sintético, lixar, aplicar massa, isolar e acertar o verniz.

Pintura e reparo rápidoCouro e interior

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Este é o tipo de projeto que entra em qualquer estética. O Fusion ficou muito tempo parado numa oficina mecânica e mofou por dentro. O cliente trouxe para uma higienização interna e uma ativação de brilho. Na hora do orçamento, vi que os bancos precisavam de mais do que limpeza: precisavam de pintura. Apresentei o projeto e fechamos.

É a ideia do Repara Couro: o mesmo espaço, a mesma equipe, o mesmo cliente, e um ticket maior.

O escopo

  • Pintura dos dois bancos dianteiros no lugar (isola, pinta, pronto).
  • Pequeno conserto e pintura do banco traseiro, retirado do carro: enquanto eu pinto, a equipe termina o acabamento do resto, e o carro sai em dois dias.

Pintar couro é mais fácil do que pintar lata, mas o processo é o mesmo do Repara Fast: limpeza, primer, tinta e verniz.

Sintético ou legítimo?

Empurre o couro com o dedo. O sintético estica e não forma aquelas “veias” do couro legítimo. A maioria dos carros, mesmo os premium, vem hoje com couro sintético: é mais barato e, por ter mais elastano, é mais flexível e resistente.

Pintar o desgaste, não trocar a cor do interior

O que mais incomoda é o desgaste na dobra do banco, onde a falta de hidratação deixa o couro branco ou quebradiço. A tinta esconde muito disso, e é o que o cliente procura: um carro mais bonito por um ano, um ano e meio.

Já trocar a cor do interior inteiro de um carro desses eu não acho lucrativo: desmonta tudo, e o uso diário compromete a durabilidade. Se é para pintar todos os bancos inteiros, às vezes é melhor fazer capas novas. Com reparo e detalhamento eu ganho muito mais.

Preparação

  1. Limpeza do banco.
  2. Lixamento com lixa 320/400 para tirar todo o brilho, assim o primer e a tinta aderem. Defina a área que vai pintar e lixe com cuidado para não passar dela.
  3. Nos pontos descascados, massa estuco (massa flexível para pequenos defeitos) bem fina, só na rachadura. Quanto menos massa, menos lixamento.
  4. Lixe a massa com 220, em movimentos circulares, sem apertar. Ela é flexível para acompanhar o banco: se você aperta, ela desplaca.
  5. No couro perfurado, uma dica que pouca gente ensina: com seringa e agulha, limpe a massa de dentro dos furinhos.

Para os dois bancos ficarem iguais, pintei o mesmo módulo nos dois: o gomo e o assento inteiro.

Isolamento: micropore no couro

Fita crepe comum não gruda bem em couro. A solução que encontrei foi a micropore: ela é feita para a pele, então adere perfeitamente. Faço o contorno com micropore, que é onde fica o vinco da pintura, e depois fita larga e papel no resto. Como no detalhamento interno, acabamento é tudo.

Primer, tinta e ativador

  • Primer aderente: sem catalisador, só uma demão uniforme, com pouco ar. No couro não precisa daquela sobreposição 50/50 da pintura automotiva: é só molhar por igual. Bom para quem ainda não domina a pistola.
  • Tinta: a linha que eu uso pede 1% de ativador, medido numa balança de precisão (encontra-se por uns R$ 70 a R$ 80, valores da época do vídeo). Ative pouca tinta de cada vez: o que sobrar ativado vai fora.
  • Aplique a tinta primeiro nos defeitos e vá esfumando para fora, em degradê, para não ficar diferença de cor com o resto do banco.

Mais sobre a pistola em pintura de banco de couro: como regular a pistola.

Verniz: copie o brilho do banco

Antes de catalisar o verniz, olhe a textura do banco. Este Fusion não é 100% fosco nem brilhante: é acetinado. Por isso misturei 70% de verniz fosco e 30% de brilho. Uma demão empoeirada e a segunda fechando.

Um pouco de ar quente faz a pré-secagem. Em 15 a 20 minutos está seco ao toque, mas espere 2 a 3 horas antes de o cliente sentar ou de aplicar uma proteção por cima.

O resultado

Bancos macios, com as rugas e características originais, sem o descascado das bordas. O rasgo no pontilhado do banco traseiro ficou bem disfarçado, o mofo saiu na higienização e, por fim, a hidratação. O cliente ainda pediu para pintar um botão descascado.

O que levar deste vídeo

  • Uma higienização pode virar um projeto de pintura de couro: olhe os bancos no orçamento.
  • Sintético estica; legítimo forma “veias”.
  • Massa estuco fina, lixada sem apertar; seringa para limpar furinhos.
  • Micropore no contorno do isolamento.
  • Ativador 1% na balança, e tinta primeiro nos defeitos, em degradê.
  • Misture os vernizes para copiar o brilho original do banco.

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