Alongamento de pintura prata metálica: o para-lama de um Creta, da funilaria à entrega

Por que eu pinto o para-lama e alongo a tinta na porta: funilaria sem bico, base de conferência, degradê no desenho da peça e verniz nas duas.

Pintura e reparo rápido

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Este Creta prata é de uma cliente que já fez outros serviços com a gente. Ela precisava do carro na quinta-feira e só conseguiria trazer no fim da manhã. Para ganhar tempo, eu mesmo fui buscar o carro na noite anterior. O serviço: funilaria num amassado do para-lama, pintura, o aplique preto arranhado e a capa do retrovisor.

O orçamento e a explicação do alongamento

Por foto, passei uma média de R$ 1.900 pelas três peças com a funilaria (valores da época do vídeo). E expliquei para a cliente por que ia mexer na porta, se a batida foi só no para-lama:

Mesmo que a casa de tintas faça o melhor acerto de cor do mundo, se eu pintar só o para-lama, ele vai ficar com diferença em relação à porta.

Isso desvaloriza o carro na hora da venda, porque qualquer profissional vai ver que uma peça foi pintada e a outra não. Com o alongamento, eu pinto o para-lama, levo a tinta em degradê para dentro da porta e aplico verniz nas duas peças. No sol, ninguém nota a diferença.

Tem profissional que diria que eu “tirei a originalidade da porta” por causa de um acerto de cor que era responsabilidade da casa de tintas. Eu prefiro entregar o carro todo da mesma cor.

Funilaria sem encher de bico

Eu poderia usar a repuxadeira, mas não queria encher a peça de bicos. Como o amassado empurrou a chapa para dentro, eu estourei para fora e fui rebatendo.

  • Lixando com o taco reto, você enxerga onde está alto. Rebata ali, mas sem bater com o bico do martelo, ou cria um fundo.
  • Passe a mão: onde está alto, ao lado pode estar fundo.
  • Se a chapa esticou, você não empurra o meio: trabalha na volta para a lata voltar.
  • Tinta de traçagem mostra o que ainda está alto e o que está fundo.

Eu não sou funileiro. Aprendi porque, em quase 30 anos de oficina, muitos profissionais me deixaram na mão com prazo para cumprir. Uma dica: faça um curso de martelinho de ouro, mesmo que não vá trabalhar com isso. Você entende como a chapa funciona. Sobre repuxadeira, veja como usar a repuxadeira elétrica.

O resultado foi uma camada muito fina de massa poliéster, só onde houve a colisão. Depois, wash primer e primer PU.

Por que eu sempre aplico uma base

Antes de pintar de verdade, eu aplico uma base na cor do carro. Assim eu confiro se ficou algum defeito ou furinho, lixo e reviso. Como não trabalho em linha de produção, posso buscar o melhor resultado. Perfeito não fica, porque é trabalho artesanal (e perfeito nem de fábrica vem), mas eu busco a perfeição.

O alongamento na prática

  1. Cubra todo o primer primeiro.
  2. Faça o degradê aproveitando o desenho da porta: eu alonguei para baixo, acompanhando o vinco, e não numa linha reta.
  3. Na parte de cima da porta, onde não tinha defeito, nem levei tinta.
  4. Segunda demão bem molhada, espere secar, pano pega-pó só com a tinta seca, para não marcar.
  5. Verniz nas duas peças, três demãos. A última mais lenta, com o leque um pouco mais aberto, para ficar bem molhada e com textura próxima da original.

O painel infravermelho fica de frente para a peça, nunca do lado do exaustor, para não acumular sujeira. E a fita de beira é sempre a última a entrar e a primeira a sair.

Sobre por que a tinta parcial nunca pode terminar reta, leia como corrigir cor diferente na repintura.

Por que eu não carrego o verniz

Em alguns pontos a pintura ficou um pouco crespa. É proposital: eu não aplico aquelas demãos muito carregadas porque trabalho com estética automotiva, e o ambiente pode ter alguma gordura. Já tive que repintar peça por contaminação.

Lixamento e polimento: não existe receita de bolo

No dia seguinte, a peça foi lixada com 1500, as sujeiras com 2000 e o acabamento com 3000, porque o polimento seria com boina amarela de lã, que marca menos. Eu, com a 2000, já iria para a boina branca e acabaria com a amarela. Cada profissional tem seu processo. Veja polimento de repintura.

Aplique preto e grampos

O aplique preto estava só arranhado da colisão. Vale a pena pintar com tinta específica para plástico, que reconstrói a cor e a textura do original. Não é preto fosco, nem vinílico. A peça continua original, e os grampos que quebram eu reponho do estoque que mantenho no studio.

Dois detalhes de relacionamento

  • Sobrou tinta? Guarde e identifique com o carro e a cliente. Da última vez gastei tudo e tive que mandar fazer outro acerto.
  • A capa do retrovisor que comprei veio do modelo errado; foi erro meu na hora de pedir. Entreguei o carro, e quando a capa certa chegou, busquei o carro de novo, lavei e instalei. A experiência tem que ser completa.

O que levar deste vídeo

  • Pintar só o para-lama deixa diferença com a porta: faça o alongamento.
  • Funilaria: veja o alto no taco reto, trabalhe na volta, use tinta de traçagem.
  • Massa poliéster fina, só onde bateu.
  • Base de conferência antes da pintura final.
  • Degradê acompanhando o desenho da peça, nunca reto.
  • Verniz nas duas peças.
  • Guarde a tinta que sobrou com o nome do carro.

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