Polimento de repintura: velocidade, pressão e rotação, e como saber se o polimento é real
Os três pilares do polimento, a regra para massa de repintura e composto, o teste que revela polimento mascarado e o refino com espuma sem gerar pó.
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Polir uma repintura não é a mesma coisa que polir um carro na estética. O verniz é mais macio, o retoque está ali do lado esperando você abrir, e muita oficina entrega um polimento que some na terceira lavagem.
Neste vídeo eu poli a lateral de um carro que tinha acabado de passar por retoque, do isolamento à limpeza final. Dois processos: corte com boina de lã e refino com boina de espuma. E no meio eu mostro o teste que separa polimento de verdade de polimento mascarado.
Isolamento: a ordem da fita
As massas de polir de hoje não danificam borracha, mas o atrito da boina com o produto ainda pode manchar. Então eu isolo, e a ordem importa:
- Primeira fita longe da borracha.
- Segunda fita abraçando a borracha, por cima da primeira.
Assim, quando a boina passa, ela empurra a fita para baixo. Se você inverter a ordem, a boina levanta a ponta da fita e a cola gruda na boina. Muita gente diz que já sabia disso. Ótimo, então ensina os outros.
Os três pilares: velocidade, pressão e rotação
Todo polimento trabalha com três variáveis:
- Velocidade: a rapidez com que você conduz a máquina pela peça.
- Pressão: quanto você apoia a máquina.
- Rotação: o RPM da politriz.
A combinação certa depende da marca e do modelo da boina e do produto que você está usando. E aí está a regra que resolve metade das dúvidas que eu recebo:
Massa de corte de repintura: pouca pressão, mais velocidade e um pouco mais de rotação, perto de 1200 rpm. Pouca pressão porque, se o verniz não estiver bem curado, ele pela. Mesmo curada, repintura recente não gosta de máquina apertada. Eu deixo a máquina trabalhar sozinha.
Composto de alta lubrificação: rotação baixa, velocidade baixa e um pouco mais de pressão. A pressão dá ao abrasivo contato mecânico e poder de corte. Se você sobe rotação e velocidade com esse tipo de produto, a peça esquenta, o produto seca e gera pó.
Toda semana alguém me manda vídeo dizendo que o composto está gerando pó. Na maioria das vezes é rotação alta, velocidade alta ou boina contaminada. Dê ar comprimido na boina: aquilo que sai é produto seco, e boina saturada solta pó com qualquer produto.
Corte com boina de lã: chapada ou atacando
Na boina de lã de 8 polegadas eu trabalho de dois jeitos:
- Chapada: menos holograma, menos corte.
- Atacando, do meio-dia às 4: a boina entra e sai da pintura, corta mais e gera mais holograma. Nas quinas eu sempre posiciono a máquina para essa zona empurrar para fora da borda. Do outro lado, a boina pega de quina e pela.
E nunca paro numa quina. Parar aquece a quina e a tinta pela. Se quero trabalhar ali, diminuo a velocidade e sigo andando.
Eu seguro a máquina pela cabeça. Não é força, é controle: segurando ali eu consigo passar de chapada para o ataque com precisão.
Lembra disto: a boina de lã gera holograma. Ela é feita para isso. O errado não é gerar holograma, é deixar o holograma no carro. Expliquei a técnica de lado e chapada com mais detalhes no post sobre polimento no Brasil e no Japão.
O teste que mostra se o polimento é real
Aqui está o que muita oficina de funilaria e pintura faz: corta com lã, passa uma cera, às vezes até produto com silicone, e entrega. Debaixo da luz, parece perfeito.
Então eu passo um limpador de superfície (do tipo que remove os óleos do polimento, como um IPA ou um revelador de holograma). Na mesma peça, que parecia só ter umas voltinhas de uso, aparece o risco inteiro.
A massa de polir mascara. Tem composto no mercado que deixa a lateral com cara de capa de revista em duas horas. Lava com shampoo desengraxante e todo o “polimento” vai embora.
Eu já vi isso acontecer com um polidor que veio trabalhar comigo, vindo de uma oficina onde ele era o melhor no polimento. Passei o limpador numa lateral que ele tinha acabado e o polimento não existia. Ele refez o carro todo. Não era falta de talento: ele tinha aprendido a mascarar, não a polir. É por isso que polimento para estética e polimento para repintura são processos diferentes.
Limpeza: pano úmido e peça morna
Duas coisas que fazem diferença no final:
- A peça termina morna, e verniz morno está mole. Se você esfrega uma microfibra seca com força, cria microarranhão no seu próprio polimento.
- Limpe com microfibra úmida e o limpador, depois seque com outra microfibra. O pano úmido reduz o atrito e aproveita melhor o produto.
Antigamente a gente borrifava água no pó do polimento para “reativar” o abrasivo. Está errado. Abrasivo seco perdeu a lubrificação original, e esfregar isso na peça é fazer microarranhão.
Um detalhe: revelador de holograma serve para conferir o corte. Antes de aplicar coating, use o produto de preparação indicado para ele. São produtos diferentes.
Refino com espuma: pressão e rotação baixa
Depois do corte limpo, troquei para uma boina de espuma de 5 polegadas com um produto de refino. Agora a lógica muda: sem velocidade, só pressão e rotação baixa.
- Rotação baixa mantém a lubrificação do produto. Por isso não sai pó nenhum.
- Pressão para a espuma “namorar” a peça e tirar as marcas da lã e os microarranhões.
- Sempre chapada. Espuma inclinada também faz holograma.
- Em cima do retoque, sem apertar. É ali que você abre o retoque se tiver pressa.
- Ar na boina a cada peça, para ela não saturar.
No fim, a lateral ficou com a mesma textura da pintura original, e o retoque não aparece mais, nem filmando de perto. Dois processos: um corte com lã e um refino-lustro com espuma. Se eu tivesse usado uma boina trançada que marca mais, precisaria de mais etapas. Por isso eu digo que, em repintura, é quase impossível não usar boina de lã.
Não existe receita única
Enquanto eu fazia essa lateral, a Regina polia outra com boina de lã amarela. Ela demora um pouco mais no corte, porque a lã é mais fina, mas deixa menos marca e trabalha menos na espuma. Também dá para cortar com lã e fazer o acabamento com roto orbital, o que reduz ainda mais o risco de holograma.
A técnica muda conforme o carro. O que não muda é o critério: o polimento tem que continuar ali depois da lavagem.
Se o carro for zero e o cliente só quer brilho e proteção, o processo é outro, como mostrei na ativação de brilho. E para o lixamento que vem antes deste polimento, veja o post sobre lixamento de repintura.
O que levar deste vídeo
- Isolamento: primeira fita longe da borracha, segunda abraçando.
- Massa de repintura pede pouca pressão, mais velocidade e rotação perto de 1200.
- Composto lubrificado pede rotação e velocidade baixas e um pouco mais de pressão.
- Pó quase sempre é boina saturada ou rotação alta, não o produto.
- Nunca pare na quina.
- Limpe com limpador de superfície para conferir. Polimento que some na lavagem era máscara.
- Peça morna, verniz mole: limpe com microfibra úmida e sem força.
- Refino com espuma sempre chapado, rotação baixa e pressão.
O polimento de repintura faz parte do reparo rápido que eu ensino no Repara Fast. A técnica completa de corte, refino e lustro está no Além do Brilho.



