14 anos depois, o Dodge Magnum voltou: repintura com a fórmula guardada e o que mudou no studio
Pintei este Dodge Magnum há 14 anos e ele voltou: cor salva no sistema, fita virada, mínimo de desmontagem e a conta da cabine pressurizada.
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Este Dodge Magnum eu pintei inteiro há uns 13, 14 anos. Na época, a cabine nem era neste formato, e o studio era focado em funilaria e pintura: estética automotiva ainda não era valorizada e a gente nem tinha essa visão. As fotos daquela pintura eu tive que resgatar no meu Facebook pessoal, de tão antigas.
O dono voltou com o carro, e eu fiz um valor bem acessível, porque queria pintar de novo e contar essa história: a do carro e a do meu amadurecimento profissional.
A cor estava guardada há 14 anos
A cor deste carro foi feita especialmente para mim na época, a partir de uma tinta Volkswagen, e a fórmula está até hoje dentro do porta-luvas. Na época, pedi à casa de tinta que salvasse a fórmula no sistema com o meu nome, caso eu precisasse pintar de novo. Liguei, e ela ainda estava lá.
Fica a dica: guarde a fórmula das cores especiais, no carro e na casa de tinta. Anos depois, isso economiza um acerto de cor inteiro.
O que foi feito
- Capô e tampa traseira pintados à parte, porque o carro é grande demais para pintar tudo de uma vez.
- A frente e toda a volta do capô pintadas antes, para não dar diferença quando o capô voltar ao lugar.
- Um “chapeuzinho” de tinta nos para-lamas, só na borda, e verniz por cima, para não ficar diferente das laterais.
- Retoque no meio da lateral e na metade da tampa traseira, com verniz na peça toda. Ficou praticamente perfeito.
- Dois pontos de ferrugem perto do para-brisa: abrimos o máximo possível, aplicamos convertedor de ferrugem e massa. O cliente sabe que não vai durar muito, porque não quis tirar o para-brisa.
- Lixamento e polimento do carro todo.
Carro antigo: desmonte o mínimo
Carro antigo tem muito friso cromado e borrachas difíceis de encontrar. Por isso a regra é desmontar o mínimo possível. O certo, para a ferrugem, seria tirar o para-brisa e o friso, fazer funilaria e talvez cortar. Mas a gente não faz restauração, e só entrega o que combina com o cliente.
Fita virada no vinco
Nos pontos onde vai só uma poeira de verniz, uso a fita virada exatamente no vinco da peça. A transição fica escondida e a marca do retoque não aparece. É uma técnica antiga, que eu ensino nos treinamentos. Também usei no Polo prata.
Com dois painéis infravermelhos, o intervalo encurta
Com as peças aquecidas pelos dois painéis, não esperei os 10 minutos de sempre entre as demãos de verniz: uma demão, uns 5 minutos e já a segunda e a terceira. No capô, tudo igual ao resto: mesma pistola, mesma pressão e mesma tinta, para não dar diferença entre as etapas.
Contaminação de gordura não avisa
Quem pinta sabe: às vezes aparece gordura sem explicação, mesmo fazendo o mesmo processo e usando o mesmo desengraxante em todos os carros. Eu tinha deixado de lado um desengraxante que demora para evaporar, e um pintor de Gramado me mostrou o jeito dele de usar. Estou testando nos novos projetos e, até agora, dando certo. A gente vive aprendendo.
Cabine pressurizada: a conta tem que fechar
“Por que você não coloca uma cabine pressurizada?” Na época do vídeo, uma cabine dessas custava na faixa de R$ 85 mil (valores da época do vídeo). Eu teria que desmontar tudo, ficar com uma dívida desse tamanho, e ela não se pagaria com as pinturas pequenas e os trabalhos estéticos que eu faço. Cabine pressurizada se paga em quem pinta cinco, seis carros por dia.
Vale para qualquer investimento: cabine, pistola cara, equipamento que aparece na internet. Se a matemática não bate, não compre. Leia também como funciona o sistema de ar comprimido do studio.
A linha de produção
Depois da pintura, o carro sai da cabine, é lavado e vai para o box de acabamento, onde recebe as peças de volta, é lixado e polido. A cabine é lavada de novo e entram o capô e a tampa traseira para preparar e pintar.
O que levar deste vídeo
- Guarde a fórmula de cores especiais no carro e na casa de tinta.
- Em carro antigo, desmonte o mínimo: borracha e cromado são difíceis de repor.
- Peça grande pintada em etapas: mesma pistola, pressão e tinta, e a borda das peças vizinhas pintada antes.
- Fita virada no vinco esconde a emenda do verniz.
- Combine os limites do serviço, como a ferrugem que não vai durar.
- Equipamento só entra se se paga no seu volume de trabalho.



