Compass 2018 com cara de 2025: o projeto completo que custa um décimo de trocar de carro
Para-choques, lateral, plotagem, película e funilaria leve: um projeto de cerca de R$ 11 mil e por que alonguei a pintura num branco tricoat.
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Um cliente chegou com um Jeep Compass de 2017/2018. Ele tinha avaliado o carro para trocar por outro que entregasse a mesma experiência e a conta era colocar uns R$ 100 mil em cima, por baixo. A alternativa que eu ofereci: um projeto completo no estúdio, de uns R$ 10 a 11 mil (valores da época do vídeo), para ele sair com um carro com cara de novo.
Esse é o primeiro episódio da segunda temporada da série do estúdio, e aqui eu mostro o escopo do projeto e o primeiro dia de pintura.
O que entrou no projeto
- Pintura do para-choque dianteiro e do traseiro. Os dois já estavam desmontados e com primer aplicado, prontos para lixar.
- Funilaria leve na lateral esquerda. Um amassado de leve que o funileiro já estava desamassando.
- Plotagem do teto em preto black piano e dos acabamentos laterais em preto.
- Película de cerâmica em todos os vidros, transparente no para-brisa, e uma película mais escura no teto solar para o cliente andar com o teto aberto sem esquentar a cabeça.
- Limpeza e lubrificação do teto solar. Não sou especialista nisso, então não cobrei. Se ficar bom, é bônus. Se não ficar, já indiquei um especialista.
- Corte da parte de baixo do para-choque. O para-choque tinha um “bigode” grande embaixo que pegava no portão e na garagem do cliente. Com autorização dele, a gente corta.
Repare no que esse projeto é: o cliente não procura uma funilaria, procura um carro diferente. É a experiência completa que faz o ticket chegar nesse valor, e não um serviço isolado. Falei sobre esse modelo no post sobre os setups de polimento para ganhar dinheiro.
Por que alonguei a pintura numa peça que não cobrei
A lateral traseira vai ser pintada, e eu vou alongar a pintura na porta traseira. Esse alongamento eu não cobrei.
O carro é branco tricoat (base, perolizado e verniz). Conforme o ângulo da luz, ele muda de tom. Mandei fazer o acerto de cor numa plaquinha de teste e, comparando com o carro, polida de um lado e sem polir do outro, a cor ficou praticamente perfeita. Mesmo assim, se eu pintasse só a lateral, o cliente olharia o carro no sol e a tendência num tricoat é aparecer diferença.
Dentro do valor do projeto, prefiro absorver o custo de alongar e ter 100% de acerto de cor do que arriscar uma diferença que o cliente vai ver todo dia. Um pouco de custo agora evita retrabalho e um cliente insatisfeito depois.
E onde não alongar? Na peça plástica ao lado do teto, que já tem outra cor, e no teto, que vai ser plotado. Ali eu só pinto a colunazinha da lateral.
O isolamento e a base de cobertura
Normalmente o seu Luiz, que prepara os carros, deixa tudo empapelado e só falta eu colocar as fitas de beira. Dessa vez pedi para ele deixar o carro com pouco isolamento para eu mostrar o processo. Um cuidado extra: papel também embaixo, para a névoa da tinta não descer, mesmo sendo só uma base.
Como já era fim do dia, não pintei. Apliquei só uma base branca de cobertura sobre o primer:
- Duas demãos, a primeira um pouco mais úmida.
- Pouco ar e leque fechado. Essa aplicação é só para cobrir o primer. Se eu pintasse o carro inteiro em baixa pressão, a tinta ficaria crespa, com casca de laranja.
- Uns 10 minutos de intervalo e outra demão para ficar bem coberto.
No dia seguinte: lixamento, revisão de todo o isolamento, chão lavado, macacão, ambiente o mais limpo possível, e aí sim a cor correta, o perolizado e o verniz. O processo de lixamento eu detalhei no post sobre lixamento de repintura.
Saber a hora de não pintar
Por que não pintei naquele dia? Porque estava cansado, depois de um dia inteiro correndo. Eu já fiz isso antes e sei que pintar cansado tem tudo para dar errado. A base de cobertura adianta o trabalho sem comprometer o resultado, e a pintura de verdade fica para quando eu consigo fazer do jeito certo.
O estoque do estúdio
No vídeo eu também abro o armário de estoque. O que vale como dica:
- Primer, linha de verniz e linha de retoque com cura UV, tudo junto e fechado.
- A linha de pintura de banco de couro separada: base, verniz e massinha de correção. Mostrei o processo no post sobre pintura de banco de couro.
- Desengraxante e linha de preparação.
- Fita comprada por caixa, para ter melhor preço. Fita larga eu compro pouca, porque uso pouco.
- Lixas pequenas para a roto orbital pequena e todo o material de lixamento de taco.
O que levar deste vídeo
- Um projeto completo pode custar uma fração da troca de carro. Venda a experiência, não a peça.
- Em cor tricoat, alongue a pintura na peça vizinha, mesmo sem cobrar à parte.
- Faça o acerto de cor numa plaquinha e compare com o carro antes de pintar.
- Base de cobertura com pouco ar e leque fechado; para a pintura final, pressão correta.
- Diga ao cliente o que não é sua especialidade e não cobre por isso.
- Cansado, não pinte. Adiante a cobertura e pinte no dia seguinte.
A pintura rápida de para-choque e o alongamento de cor estão no Repara Fast.



