Os 3 setups de polimento que eu uso para ganhar dinheiro na estética automotiva
Carro judiado, uso diário e zero km: a boina, o produto e a promessa certa para cada um, mais o que comprar com R$ 1 mil, R$ 3 mil e R$ 6 mil.
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Polimento só dá dinheiro quando você monta o processo certo para o carro certo. Ficar lixando e polindo um carro por dois, três, quatro dias não fecha a conta. O que fecha é entender o carro do cliente, escolher o setup que diminui o tempo de trabalho e entregar um resultado melhor.
Neste vídeo eu desenhei no quadro os três cenários que a estética automotiva mais recebe e, depois, o que eu compraria com R$ 1 mil, R$ 3 mil e R$ 6 mil para começar. Não é regra engessada. É um guia para você saber como agir conforme o carro que entra.
Cenário 1: o carro judiado (“dublê de rico”)
É aquele Focus 2013, aquele Golf com 15 processos de pintura, um Celta muito sofrido. O dono fez várias manutenções e a pintura está horrível. A gente brinca que é o dublê de rico.
Setup:
- Lixa, se precisar. O lixamento facilita a entrada da boina amarela.
- Boina de lã amarela para o corte.
- Boina de espuma média e depois espuma macia para o acabamento.
Se você não quer lixar, pode entrar direto com uma boina de lã branca, que é mais agressiva e faz um papel parecido com o de uma lixa fina. De qualquer jeito, as duas espumas continuam no processo.
Com um produto intermediário, que faça refino e lustro, dá para usar o mesmo produto nas duas espumas e só trocar a boina.
A promessa: eu prometo até 90% de melhora em cima do estado inicial. Os 10% restantes são o risco que passou do verniz, a repintura com verniz craquelado: isso não se resolve com correção, só com restauração, ou seja, pintando a peça.
Esse carro leva mais de um dia. Então é o cliente para quem eu já ofereço o reparo rápido do para-choque e um pacote mais completo. Explico por que no fim do post.
Cenário 2: o carro de uso diário
O cliente só quer ativar o brilho. É como ir ao salão: corta o cabelo, faz a barba, mas não muda a personalidade. Ele quer aspecto de carro novo e, principalmente, proteção.
Setup em dois processos:
- Boina de lã amarela com um produto mais lubrificado (ou espuma de corte, se a pintura permitir).
- Espuma média ou macia para o acabamento final.
Aqui eu não lixo. O que eu quero tirar são marcas de pano, de lavagem, de unha de cachorro ou gato, que é arredondada e não afunda no verniz. Por isso uso a lã amarela com um composto bem lubrificado, nada extremamente agressivo.
A promessa: cerca de 70% de melhora. Para esse cliente, é o que ele procura. Ele não vai olhar o carro com lâmpada nem com lanterna de celular.
Cenário 3: o zero km ou o carro de passeio
O carro é zero ou tem característica de carro novo. Aqui eu só uso boina de espuma média ou macia e um produto. Mais nada.
É também onde faz sentido oferecer proteções de maior durabilidade. Mas com critério: se o cliente vai ficar com o carro por um ou dois anos, eu não empurro o produto mais caro. Ofereço o que combina com o projeto dele, porque eu quero ganhar o cliente, não aproveitar que ele tem um carro zero. Contei mais sobre isso no post do pacote premium para carro zero.
Rotativa ou roto orbital na espuma?
Na espuma, a roto orbital te dá um acabamento melhor, porque trabalha em duas órbitas e reduz o risco de holograma. A rotativa te dá mais rapidez.
Dá para fazer tudo na rotativa, desde que você domine. A Regina faz: na espuma ela tira o peso da máquina, para a espuma só fazer acabamento. Se você colocar na espuma o mesmo peso que coloca na lã, vai deixar holograma.
E se você só tem uma roto orbital de 15 mm? Também dá. Vai demorar mais no corte, mas talvez entregue a peça mais pronta e economize uma etapa de espuma. Mostrei esse caminho no post sobre polimento só com roto orbital.
E o tal do “one step”?
One step é quando o cliente só quer brilho e você não fala em correção. É o que eu chamo de ativação de brilho. Na prática, é um composto e uma boina média, e acabou.
Eu não gosto muito do nome, porque é um termo que a indústria criou para incentivar o polimento comercial, e ele faz você comparar seu trabalho com o dos outros. Cada um tem seu processo, seu custo operacional e seu cliente.
Os carros que aceitam o one step são o de uso diário e o de passeio, do cliente que não é muito exigente. No carro judiado, você até consegue fazer, mas não vai dar resultado: vai passar o dia esfregando uma espuma média com produto de baixa abrasividade numa pintura cascuda. É como tomar banho e vestir a mesma roupa suja.
O que comprar com R$ 1 mil, R$ 3 mil e R$ 6 mil
Valores aproximados na época do vídeo, só da parte externa (sem extratora, sem higienização). Lembre que a maior parte é máquina, que fica. O produto você repõe conforme ganha dinheiro.
Até R$ 1 mil a R$ 1,5 mil: para quem tem uma lavagem e quer começar a polir.
- Uma roto orbital de 15 mm.
- Uma boina de lã para roto orbital.
- Duas boinas de espuma: uma média e uma macia.
- Um produto de corte e um de refino e lustro.
- Cera ou selante. Se quiser vitrificador, um coating de entrada, fácil de aplicar.
Com isso dá para atender o uso diário e o carro novo. O carro judiado fica de fora: não tem produto nem técnica para ele, e o tempo não compensa.
Para dar uma ideia, os valores que citei no vídeo: polimento do uso diário como extra para quem já lavou e higienizou o carro, na faixa de R$ 600 a R$ 800; o carro novo, R$ 400 a R$ 600, porque leva bem menos tempo (uma espuma bem passada em cerca de 1h30). Cada região tem seu preço.
É o upsell da batata grande: o cliente já pagou a lavagem, já está ali, e você oferece o polimento. Até um enceramento com máquina e boina de espuma, feito em uns 20 minutos, vira um extra.
Até R$ 3 mil: subir de nível.
- Tudo do pacote anterior.
- Uma rotativa.
- Mais boinas: duas de lã e três de espuma.
- Uns quatro compostos de corte (marcas diferentes, mesmo tipo) e dois de refino e lustro.
- Vitrificador e selante.
Por que quatro compostos? Porque cada um tem sua característica. Em carro muito judiado, talvez seja melhor uma massa de repintura bem lubrificada do que um composto caro de alto rendimento, que você vai ter que usar em excesso. Já em verniz muito duro, um composto premium pode sair quase de graça: eu já fiz um carro inteiro com 40, 50 gramas, e o tempo economizado pagou o produto. O produto e a boina são um casamento para diminuir tempo de trabalho e gasto.
Até R$ 6 mil: recursos para qualquer projeto.
- Uma roto orbital de 21 mm, que tem mais deslocamento e corta mais, com acabamento de roto orbital.
- Uma mini politriz (ou nano), para retrovisor, cantinho e moto.
- Mais boinas, mais compostos e mais opções de proteção para oferecer conforme o projeto do cliente.
Daqui para frente, você compra só as peças que diminuem seu tempo de trabalho.
O erro de copiar a parede do influenciador
Muita gente que está entrando no mercado vê aquela parede cheia de ferramenta no vídeo e acha que precisa de tudo aquilo para começar. Torra o dinheiro em equipamento, não investe em técnica, e em três ou quatro meses está quebrado. Eu já visitei várias estéticas assim: muito produto, muito equipamento e ninguém sabendo usar.
O melhor bisturi não transforma ninguém em cirurgião. O que dá dinheiro é técnica, e técnica você pode começar a aprender com o setup de R$ 1 mil.
E desconfie de promessa de R$ 10 mil, R$ 20 mil por mês com uma técnica só, seja polimento, micropintura, farol ou couro. Existe quem faça? Existe, mas é exceção, com anos de mercado e um nicho bem construído. Quando alguém vende isso como escala, está dizendo que qualquer um consegue. Não é verdade.
Polimento sozinho não paga a conta
O carro judiado não sai em um dia. Então ele precisa de valor agregado. Recebi um cliente que veio só pintar o para-lama e a porta. Entendi o que ele queria, que era pegar o carro mais bonito, e montei uma experiência completa: pintura das peças, pintura das rodas e detalhamento com proteção. Ele deixou o carro na segunda e pega na sexta.
Ele não quer ir para a funilaria convencional, que pede 20 dias e devolve o carro cheio de pó. Quer o carro higienizado, polido, protegido e com as rodas pintadas. Não pinta roda? Tire as rodas e terceirize.
É assim que a estética cresce: o vitrificador é a cereja do bolo, mas quem paga a conta é o pacote. O reparo de para-choque e a pintura rápida de peças eu ensino no Repara Fast. Já falei do cardápio de serviços no post sobre como o café fecha negócios.
O que levar deste vídeo
- Identifique o carro antes de escolher boina e produto: judiado, uso diário ou zero km.
- Judiado: lã amarela (ou branca), espuma média e macia. Prometa até 90%.
- Uso diário: lã amarela com produto lubrificado e espuma. Cerca de 70% já atende.
- Zero km: espuma e um produto. Proteção conforme o tempo que o cliente vai ficar com o carro.
- Na espuma, roto orbital dá acabamento; rotativa dá velocidade, desde que sem peso.
- Comece com R$ 1 mil a R$ 1,5 mil e invista em técnica antes de encher a parede.
- Carro que leva mais de um dia precisa de valor agregado.
A técnica de corte, refino e lustro para os três cenários está no Além do Brilho.



