Dimer: do lava-rápido de R$ 5 a instrutor e representante técnico

Com o Dimer: a trajetória do lava-rápido a instrutor, a venda casada no polimento, por que sovar um produto antes de comparar e a hora de dizer não.

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Era para ser um podcast só com o Pierre. O Dimer apareceu para almoçar e acabou sentando no banquinho também. Conheço o Michael Dimer desde 2014, de um dos primeiros workshops de estética que vieram ao Rio Grande do Sul. Hoje ele dá curso em vários estados e é representante técnico de ferramentas e produtos para estética.

Começou com o que tinha

Antes da estética, ele passou por loja de informática, som em bandas de baile, trabalho como DJ, vidraçaria. Nos fins de semana, sempre mexia com carro. E, de criança, passava as tardes na oficina de chapeação do vizinho, lixando massa no lugar de jogar bola.

O primeiro carro de cliente foi de um amigo, num domingo. Sem máquina, sem lavadora, sem aspirador: produto de mercado, esponja, detergente e as mãos dentro da caixa de roda. Ficou bom para o que tinha. O cliente voltou no domingo seguinte, e no outro. Daí vieram as primeiras máquinas, a garagem cheia e, depois, um lava-rápido tradicional: lavagem barata, 30 carros por dia, gente esfregando roda.

É a mesma lógica do vídeo que fiz ensinando a lavar o carro em casa com produtos de casa: você usa o menos pior que tem à mão.

Aprendendo polimento no erro

Ele começou a polir sem curso formal, juntando dicas de workshop e de colegas. Usava boina de lã, depois boina de espuma, e percebeu que o acabamento ficava feio. Num evento, descobriu o polidor de refino e a boina macia. Aí o acabamento mudou.

A venda casada que pouca gente faz

Uma dica que ele usava muito e que eu acho que se perdeu:

O cliente chega com um arranhão no para-choque. Você cobra para tirar. Mas avisa: “Se eu tirar só esse arranhão, essa área vai ficar com um brilho que destaca do resto. Que tal um polimento geral?”

Não é empurrar serviço. É explicar o resultado. E o cliente, que quer o carro melhor, normalmente topa.

Sove o produto antes de comparar

Na visão do Dimer, metade do problema é o profissional gastar demais com tudo que aparece na internet. Ele mesmo já deixou de pagar conta para comprar o produto da moda, e o resultado foi o mesmo.

O conselho dele em todo treinamento:

  • Compre um produto e sove: use em alta e baixa rotação, em verniz novo, em repintura.
  • Só depois compre outro. Aí você tem comparativo: este lubrifica mais, aquele corta mais.
  • O erro é comparar três produtos sem ter usado nenhum.

Ele também mudou o jeito de falar sobre produto: em vez de dizer que algo “não presta”, diz “eu não me adaptei”, e explica o porquê ao aluno. Por trás de toda marca, por menor que seja, tem gente trabalhando. E o mercado dá voltas.

Para nós dois, o produto é no máximo 30% do resultado. O resto é técnica. Quem domina a técnica tira resultado até de produto mais fraco: demora mais, mas faz.

Dizer não também é serviço

O Dimer dá curso de reparo de vidros, e o raciocínio dele vale para qualquer serviço:

  • Polir vidro riscado é um bom agregado: custo baixo de material, uma a duas horas de trabalho, preço justo.
  • Reparo de trinca: o kit é caro e o risco de quebrar o vidro tentando consertar é alto. Ele simplesmente não pega.
  • Antes de cobrar, compare com a franquia do seguro de vidro do cliente: às vezes o serviço não faz sentido para ele.

Ganhe dinheiro no que é bom, crie uma reserva e só então invista em ferramenta para serviços de risco. Um dos aprendizados que mais me fazem trabalhar melhor é justamente esse: jogar limpo e dizer “isso não vai ficar bom”.

Sobre isso, vale ler por que micropintura não é conserto definitivo: o cliente é leigo e confia no que você mostra.

Carro de enchente: desmontar é fácil

Depois das enchentes no Sul, apareceu muita oferta de “recupero seu carro por tanto”. Carro que ficou semanas debaixo d’água não é carro que molhou por 15 minutos. E desmontar, até criança desmonta. O problema é montar: presilha que quebra, peça que não encaixa, um gasto pequeno atrás do outro. Pegar serviço desses por preço fechado é pedir para ter prejuízo.

O que levar deste vídeo

  • Todo mundo começa com o que tem: o resultado traz o próximo cliente.
  • Ofereça o polimento geral explicando o porquê, não empurrando.
  • Sove um produto antes de comprar outro; compare com base no uso.
  • Diga “não me adaptei” em vez de falar mal de produto.
  • Selecione serviços: dizer não protege seu tempo e sua relação com o cliente.
  • Não existe curto prazo: sem dedicação depois do curso, nada acontece.

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