Micropintura não é conserto definitivo, e por que eu ensino sempre o jeito certo
Micropintura disfarça o risco, não some com ele. E mesmo o processo certo tem retrabalho. O que eu penso sobre técnica, retorno de cliente e críticas.
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Este vídeo foi um desabafo. Quando a gente começa a colocar conteúdo real na internet e o vídeo sai da bolha, chegam as críticas. Muitas delas de quem viu só um corte de trinta segundos. Mas no meio desse desabafo tem três assuntos técnicos que valem um post: micropintura, processo e retorno de cliente.
Micropintura não funciona como é vendida
Eu comprei meu aerógrafo para fazer micropintura em 1998 ou 1999. Já naquela época eu dizia que ela não funcionava. E continuo dizendo. Antes que alguém se ofenda, deixa eu ser preciso:
A micropintura não funciona como conserto definitivo nem como correção perfeita.
O que ela faz é trocar a cor do risco. O arranhão continua ali, só que agora preenchido com a cor do carro. Visto de frente, pode parecer resolvido. Mas coloque a peça contra a luz, em outro ângulo, e a “cicatriz” aparece.
O problema não é a técnica em si, é como ela é vendida. Muitos vídeos são gravados sempre na mesma posição, num ângulo que não pega luz, e passam a ideia de perfeição. Aí o cliente chega na sua estética esperando aquele resultado do vídeo, e você não consegue entregar.
Em cor escura, como preto e vermelho, dá para esconder melhor. Em cores claras, prata, alumínio, tricoat, não fica perfeito. Eu já fiz o desafio: pegue um capô prata, risque e faça a micropintura. Você sabe e eu sei que não fica perfeito.
Para muitos clientes, o resultado é suficiente, e tudo bem. O erro é vender como perfeição. Tem profissional sério que faz micropintura, filma no ângulo que mostra a marca que fica e vende pelo que ela é. Esses têm o meu respeito.
Micropintura não é microrretoque
Não confunda as duas coisas. Microrretoque é um reparo de verdade, só que pequeno: lixa, massa, primer, base e verniz, com aerógrafo ou com uma pistola de bico pequeno no lugar da pistola grande. Você reconstrói a área.
A micropintura de vídeo é outra coisa: preencher o risco com cor, com caneta, aerógrafo ou espátula. Quem faz reparo localizado com processo, como eu ensino no Repara Fast, está fazendo microrretoque, não micropintura.
Tudo tem processo
O dentista não coloca a massinha no dente sem limpar e preparar antes. Por que o preparador acha que pode lixar com 80, pular direto para 320 e passar massa por cima da tinta?
Depois aparece marca de lixa, aparece o mapa da massa, e a culpa vira do produto: “é o primer da marca tal”. Não é. É processo pulado. Duas mãos carregadas de primer em cima de massa mal lixada não escondem nada, só atrasam o defeito.
Já vi cliente leigo entrar numa oficina, pedir para ver um serviço pronto, olhar uma lateral cheia de mapa de massa e ir embora sem deixar o carro. O cliente não sabe o nome do defeito, mas enxerga.
“Mas eu sempre fiz assim e nunca deu problema.” Sempre fez errado, só não tinha sido pego ainda. Expliquei os passos certos em preparação para pintura.
Por que eu ensino sempre o jeito certo
Já dei curso junto com um profissional que, enquanto eu ensinava o processo correto, começava a mostrar os atalhos. Ele não fazia por mal, queria ajudar. Mas eu disse: não dá.
O jeito errado o aluno já aprende com o mercado, com o colega do lado. O meu papel é ensinar o certo. Depois, cada um escolhe o que vai fazer na sua produção.
Até o processo certo tem retorno
Vou ser honesto: mesmo fazendo tudo certo, de cada 100 carros, uns 10 voltam com algum detalhe. Um mapinha, um defeitinho. É trabalho com ser humano e com produto químico. Não tenho vergonha de dizer.
Agora imagine uma oficina que faz dezenas de carros de seguradora por semana pulando etapas. Quantos teriam motivo para voltar? E quantos nem perceberam?
E aqui está o ponto: o cliente que volta reclamando não é o problema. Ele confia em você e quer que você resolva. O problema é o cliente que vê o defeito e não volta, porque acha que não vale o estresse. Esse você perdeu sem saber.
Se o cliente volta, é porque sabe que tem suporte. Falei sobre assumir o resultado em como aplico coating e fidelizo o cliente.
Quer criticar? Vamos conversar
Se você discorda de algo que eu mostro, assista ao vídeo completo e venha com argumento técnico. Aí a gente tem diálogo. E se eu estiver errado, vou dizer: “errei, desculpa”. Eu aprendo todo dia, inclusive com alunos. Um aluno que veio do Japão me deu uma aula sobre verniz macio, que é o padrão dos carros de lá. Contei isso em polimento de verniz macio e duro.
E antes de seguir qualquer conteúdo da internet, inclusive o meu, olhe a história de quem está falando: os carros que entrega, os projetos que executa, o estúdio que tem. Dica de construção de quem nunca construiu nada é o que mais tem por aí.
O que levar deste vídeo
- Micropintura disfarça o risco, não remove. Em cor clara, não fica perfeito.
- Venda micropintura pelo que ela é, nunca como perfeição.
- Microrretoque é reparo de verdade em área pequena, com processo completo.
- Marca de lixa e mapa de massa são processo pulado, não culpa do produto.
- Mesmo fazendo certo, existe retrabalho. Tenha suporte para o cliente voltar.
- O cliente perigoso é o que não volta para reclamar.



