Polo prata sem edição: para-lama recuperado, alongamento em degradê e por que documentar a escolha do cliente
Para-lama prata com alongamento na porta, como acontece no studio: cobertura, degradê, pega-pó, intervalo para o verniz e pistolas separadas.
Prefere assistir? Esse post saiu deste vídeo do canal. Abrir no YouTube →
Este vídeo saiu quase sem edição: vida real, situação real, dentro do studio. Um cliente antigo bateu forte o para-lama do Polo prata. O certo era trocar o para-lama. Ele não quis, porque vai vender o carro. Eu não mandei o cliente embora: expliquei a opção B, que é recuperar a peça na funilaria e pintar, com alongamento na porta do motorista para o acerto de cor e um retoque no para-choque, que tinha microarranhões.
Documente a escolha do cliente
Cobrei a pintura do para-lama e só uma taxa de material pelo alongamento na porta e no para-choque. E deixei tudo registrado: foto, vídeo e conversa no WhatsApp.
Por quê? Com excesso de material, mesmo de primeira linha, uma peça recuperada pode perder um pouco de brilho daqui a seis meses ou um ano. Aí sempre aparece alguém dizendo que o serviço foi mal feito. Não foi: foi uma peça recuperada por opção do cliente, quando a indicação profissional era trocar. Quando comecei, não existia WhatsApp: você combinava verbalmente e, se o cliente se fazia de desentendido, você ficava como mau profissional. Hoje dá para ter essa transparência por escrito.
Sobre combinar o serviço, leia também por que a estética perde dinheiro sem o combinado por escrito.
Menos é mais no isolamento
Não tirei retrovisor nem maçaneta da porta. O alongamento ali é só de tinta, com o verniz “morrendo” antes deles, e eu não estava cobrando a porta. Usei a fita virada para não ter que levar o verniz até perto da borda da porta, que é um lugar difícil de acabar. Quando é necessário, eu desmonto o carro inteiro. Quando não é, a fita crepe existe para isso.
Passo a passo da pintura
- Cobertura só no para-lama: três demãos de tinta bem molhadas. A cor fica mais escura, porque o alumínio “deita”. É normal nessa etapa.
- Painel infravermelho por uns 15 a 20 minutos.
- Lixamento com 800 usada e depois 1000, usando desengordurante de cozinha em espuma (não molha o isolamento). Depois, desengraxante antiestático, aplicado com papel-toalha que não solta fiapo.
- Macacão: moletom, camiseta e jeans soltam fibras que a eletrostática da pintura puxa para o verniz.
- Demãos de acerto: fechei meia volta da agulha da pistola para aplicar tinta menos úmida. Agora não é para cobrir, é para acertar a cor, a textura e levantar o alumínio, já entrando na porta.
- Pega-pó entre as demãos, com a tinta 100% seca. O alumínio solto é o que mancha depois.
- Verniz (detalhes abaixo).
Alongamento sempre em degradê
Eu nunca faço alongamento numa linha reta, como os pintores antigos faziam: mesmo com pega-pó, a emenda pode aparecer. Faço o degradê descendo ou subindo, conforme onde foi o dano, e procuro uma dobra ou um ângulo de luz da peça para disfarçar a transição. Não uso ponte de aderência nem “poeira” de tíner com alumínio para puxar a cor: o alumínio pode ficar por cima do lixamento e manchar. É a técnica que eu uso há anos e que me dá clientes que voltam. Não existe verdade absoluta.
Prometo ao cliente 90% de acerto de cor. 100% nem a montadora consegue: vemos carros novos com para-choque de outro tom.
Mais sobre alongamento em prata: alongamento de pintura prata no para-lama de um Creta.
O intervalo certo para o verniz
A cerca de 25 °C, você tem em média até 2 horas depois da última demão de tinta para aplicar o verniz:
- tinta ainda úmida: o pega-pó arrasta e marca;
- tinta seca demais (2 a 3 horas): risco de desplacamento do verniz.
Como trabalho num ambiente de estética, que sempre tem algum contaminante, aplico o verniz em três demãos: a primeira empoeirada, a segunda um pouco mais carregada (só onde houve tinta) e a terceira fechando o filme, com uns 10 minutos entre elas. Veja verniz na estética x oficina.
Verniz de secagem longa e temperatura
Usei um verniz de secagem de 12 horas, aplicado no fim da tarde, para lixar na manhã seguinte. Mesmo assim, deixo o painel mais 30 a 40 minutos mantendo uns 35 a 40 °C. A secagem depende da temperatura ambiente: a 5 °C ele não estará seco de manhã. Por isso existem catalisador e diluente para baixa e para alta temperatura. É química: leia a ficha técnica.
- Catalise na balança, não na régua: o copo é cônico e a régua engana. O fabricante informa a proporção em peso.
- Diluente não é universal: usar diluente de limpeza no verniz faz ele murchar.
Mais em qual verniz usar na pintura fast.
Uma pistola para cada coisa
Tenho pistola para metálico, para branco, para PU e uma só para verniz. Neste dia, depois do Polo, eu ia pintar um Honda Fit quase da mesma cor: fiz só uma pré-limpeza e pintei o segundo carro em seguida, economizando tíner. Se fosse um branco, teria que limpar a pistola inteira. Uma pistola boa, bem cuidada, dura de 5 a 15 anos.
O resultado
Com o painel desligado e trocando de ângulo, a cor fica praticamente igual. Caiu sujeira? Sempre cai, até em cabine de primeira. No dia seguinte a equipe tira as micro sujeiras no lixamento, pole e lava para a entrega.
O que levar deste vídeo
- Quando o cliente escolhe recuperar em vez de trocar, registre a escolha.
- Cobertura primeiro, depois demãos mais secas para acertar cor e alumínio.
- Alongamento em degradê, aproveitando dobras e ângulos de luz.
- Pega-pó com a tinta seca e verniz dentro de cerca de 2 horas (a 25 °C).
- Catalise na balança e use o diluente certo para a temperatura.
- Pistolas separadas por tipo de tinta economizam tíner e evitam contaminação.



