Algumas das bobagens que eu já fiz na estética automotiva (e o que aprendi com elas)
A porta que ficou amarela num Golf branco, o capô que virou um ovo, um Mustang de R$ 50 mil sem estrutura e um curso em que o professor sabia menos que eu.
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Neste papo descontraído com o Bruno e o Douglas, contei algumas das bobagens que eu já fiz. São do fim dos anos 1990 e começo dos 2000, quando eu tinha uns 18 anos, era teimoso e não existia YouTube. Toda história tem uma lição.
O começo: dois teimosos
Eu comecei fazendo som e alarme, viajava para campeonatos de som. Aí veio a moda do tuning, e eu queria fazer de tudo: farolete, LED, elétrica. Fui trabalhar com um pintor experiente, o João, que me ensinou muito sobre preparação e pintura. Eu, metido, cortando e esticando tudo; ele, com toda a experiência e tão teimoso quanto eu. Brigávamos o dia todo, quase sempre por técnica.
Na época, massa poliéster era luxo, primer PU estava chegando e ninguém ensinava. As novidades vinham em reportagens de revista americana que um cliente entusiasta trazia.
O capô que virou um ovo
Um cliente instalou nitro num Golf, mas ligou direto, sem a chavinha que só libera o nitro em giro alto. Com o carro parado no posto, o motor explodiu e o capô ficou abaulado como um ovo.
Ele queria um capô com uma “bolha” estilizada. Eu disse ao João: “é só uma massinha”. Não era. Um funileiro tentou encolher a chapa com fogo e pano molhado, e o capô ficou cheio de “pipocas”. O João acabou puxando a massa com uma régua: foram uns 4 kg na primeira passada. Lição: diagnóstico sério antes de prometer.
A porta amarela
O mesmo Golf voltou depois de uma batida nas duas portas. A tinta que veio da casa de tintas estava mais branca que o carro, que era meio amarelado. Era sábado, a loja já estava fechada, e eu resolvi acertar a cor sozinho, colocando amarelo e marrom. Na régua parecia igual. Quando tirei o carro, o carro era branco e as portas eram amarelas. Resultado: pintar a lateral inteira, alongando no para-lama e na lateral traseira.
Uma vez, numa capa de retrovisor roxa, acertei sozinho de primeira, e até hoje não sei o que misturei. Foi sorte. Acerto de cor é com a casa de tintas. Veja corrigir cor diferente na repintura.
O Mustang sem estrutura
Há uns 20 anos, peguei um Mustang para restaurar inteiro: uns R$ 50 mil, na época. Eu não tinha estrutura para aquilo, mas estava cheio de conta para pagar.
Uma coisa eu fiz certo: o pagamento era por etapa. Terminou a desmontagem, o cliente pagava uma parte; terminou metade da preparação, outra parte. Com o carro todo em primer, ele quis levar para fazer jato de areia por dentro. Eu disse não: a areia ficaria em todos os cantos e eu teria que pintar em cima. Combinamos que ele levaria o carro com tudo o que já tinha pago, e não voltaria. Ninguém saiu no prejuízo.
Hoje eu recuso projeto longo assim. Veja o raciocínio em a história do Victor.
O professor que não era do assunto
Eu já fazia ar-condicionado automotivo, mas sem teoria: sabia que a pressão tinha que ficar em tal faixa, sem saber por quê. Fui fazer um curso. No intervalo, o professor confessou: era professor de elétrica, o de ar-condicionado tinha faltado, e mandaram ele dar a aula.
Ele sabia a teoria, eu sabia a prática, e foi uma troca boa. Mas é o que eu vejo muito hoje: quem fala bem para a câmera, com a teoria do fabricante, e trava na hora da prática. Quem domina a técnica escolhe a ferramenta certa para cada problema, seja roto orbital ou rotativa.
O que levar deste vídeo
- Diagnostique antes de dizer que “é só uma massinha”.
- Acerto de cor é com a casa de tintas, não no olho.
- Projeto grande? Pagamento por etapa.
- Não aceite projeto sem estrutura para fazer.
- Teoria sem prática não resolve; prática sem teoria limita.



