Victor, de Cruz Alta: um studio padrão americano no interior, projetos grandes e o que recusar
O Victor faz pintura, polimento, couro e ruídos em Cruz Alta (RS), trabalhando a dois. Como ele vende o pacote e por que recuso projetos longos.
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O Victor foi um dos meus primeiros alunos presenciais, uns quatro ou cinco anos atrás, quando o curso ainda tinha outro nome. Ele veio a Porto Alegre fazer uma reciclagem em tratamento de ruídos e aproveitamos para gravar. Hoje, em Cruz Alta, no noroeste do Rio Grande do Sul, ele faz praticamente o que eu faço aqui.
O que ele faz?
Até para ele é difícil resumir: pintura fast, polimento, higienização, restauração de peças internas, pintura de couro, tratamento de ruídos, peças de carros antigos. Ele resolve o problema do cliente. O que não faz, como mecânica, ele diagnostica e leva para o mecânico parceiro já com o problema identificado.
A região dele tem muito agricultor e muita caminhonete grande: interiores cheios de barro vermelho, painéis para tirar e revitalizar. Nesses casos, não adianta a teoria de “só uso produto neutro e pincel”: às vezes o forro do teto precisa sair do carro para ser lavado direito. Se não ficar bom, troca.
A agenda dele
Na época da gravação, a agenda estava cheia até meados de dezembro. A estratégia: uns três serviços grandes por mês, e os pequenos, como pintura fast, entram no meio.
Ele trabalha só com a esposa, sem funcionários, num espaço na própria casa. A meta é girar pelo menos uns R$ 1.000 por dia (valores da época do vídeo). Contratar mais gente para fazer lavagem rotativa? Ele já pensou e descartou. Eu já tive oito funcionários e quase enlouqueci.
O que mudou com o reparo rápido
Antes, ele fazia todo processo igual: desmontava e pintava a peça inteira. Pintava pouco, só quando dava para encaixar uma venda de para-choque. Hoje:
- Faz o retoque rápido num canto de para-choque em duas horas, sem desmontar.
- Sabe analisar o carro e o processo antes de vender.
- Sabe quando alongar e quando dá para fazer só um reparo localizado.
- E agora as pessoas o procuram para pintar.
Também conheceu os produtos de secagem rápida, que mal existiam na cidade dele, e a tecnologia de ultravioleta, que ninguém faz na região.
“Na minha cidade a tinta demora”
Um seguidor comentou que na cidade dele a casa de tintas demora um dia para fazer o acerto de cor. Duas observações:
- Se você leva uma tampa de tanque para fazer 100 ml de tinta e não compra nada mais ali, você vai para o fim da fila. Seja fiel à sua casa de tintas: compre primer, verniz e fita lá. Casa de tintas não é loja de produto de estética, onde se troca de fornecedor por dez reais.
- O studio padrão americano não é entregar uma pintura em duas horas. É agregar serviços. Se o carro fica dois dias para polimento e higienização, você manda a tampa de manhã e retoca no fim do dia.
E guarde a tinta e uma chapinha de cada cor. Muitos carros saem de fábrica com a mesma cor. Num retoque sem confronto, você aproveita uma tinta já paga e agrega R$ 450, R$ 550 (valores da época do vídeo).
Vender sem empurrar
O Victor foi vendedor de telefonia. A lógica é a mesma, mas agora com um produto bom: explicar que, fazendo tudo junto, o cliente para o carro uma vez só e sai com ele pronto. Você não empurra: explica e deixa o cliente pesar.
Eu faço o mesmo. Se o cliente precisa de geometria e balanceamento, levo no meu parceiro e repasso o valor sem margem. Meu interesse é que a experiência seja completa. E com clientes que já conhecem meu trabalho, busco e entrego o carro.
Projetos longos: quando recusar
Um cliente insistiu para eu pintar um buggy inteiro. Recusei. A conta: com três carros rápidos por semana, cada um rendendo R$ 2.500 a R$ 3.000 bruto, faço cerca de R$ 9.000 a R$ 10.000 por semana. Um buggy bem feito leva uns 40 dias, cinco semanas ou mais. Para valer a pena, teria que cobrar muito mais do que o cliente pagaria (valores da época do vídeo).
Por isso eu acho barato quando vejo alguém cobrando R$ 20 mil para pintar um carro inteiro: na ponta do lápis, não paga as contas, a não ser com uma operação de alta rotatividade. Projetos longos servem para tapar buraco quando não há serviço pequeno, não para ocupar a agenda.
O conselho dele
Para o Victor, curso só funciona com prática. Ler a aula no computador não basta: é preciso fazer, errar e corrigir. Eu já dei curso presencial em que quase implorei para o aluno pegar a politriz, e ele nunca polia.
Leia também a história do Léo, outro aluno que colocou tudo em prática logo.
O que levar deste vídeo
- Resolva o problema do cliente: o que você não faz, terceirize com diagnóstico.
- Poucos serviços grandes por mês e os pequenos encaixados no meio.
- Seja fiel à casa de tintas para ter prioridade.
- Agregar dá tempo para o acerto de cor.
- Explique e deixe o cliente decidir: sem empurrar.
- Recuse projetos longos que travam a agenda por semanas.



