Por que a estética automotiva perde dinheiro todos os dias: entrega mais do que combinou e cobra menos

Um para-choque reclamado sete meses depois, o que me salvou (combinado por escrito e fotos) e a regra nova: cobrar à parte para remover material velho.

Preço, vendas e gestão

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Vou contar uma história recente para explicar por que tanta estética trabalha muito e chega na sexta-feira sem dinheiro.

O para-choque reclamado sete meses depois

Um cliente jovem me trouxe o para-choque desmontado de um Golf para pintar a parte de baixo, que o incomodava. Eu cobrei caro, justamente porque sabia que seria um serviço chato. E deixei por escrito, no WhatsApp: o certo era restaurar o para-choque inteiro, que estava cheio de massa; eu faria a parte de baixo, tiraria as batidas de pedra e pintaria.

Quatro meses depois, ele ligou dizendo que estava descascando. Pedi que trouxesse. Era uma batida de pedra no meio do para-choque, em que ele tinha passado um pincel de tinta. Retoquei sem cobrar.

Sete meses depois, ele voltou: o para-choque estava cheio de batidas de pedra de estrada, e alguém tinha dito que meu verniz era fino. Para-choque é a peça que leva as pedras de frente, a 140 km/h, como um tiro de chumbinho. Não tem como dar garantia disso.

Ofereci devolver o que ele pagou, mas não refazer o serviço. Ele não voltou.

O que me salvou

  • Tudo combinado por escrito no WhatsApp: o que seria feito e o que não seria.
  • Fotos de cada etapa: o para-choque desmontado, com primer, com tinta. Eu tinha postado o processo no Instagram e o Bruno recuperou as imagens pela data.

Sem isso, seria a palavra dele contra a minha. Muita oficina teria mandado o cliente embora depois de sete meses; eu tenho uma reputação a zelar e preciso ter respaldo do que combino.

A regra nova: cobrar para remover material

Conversando com o Diego, de Gramado, que visitei na reparação premium, mudei uma regra. Como virei referência, chegam muitos carros com para-choque repintado três, quatro vezes. No meu cardápio eu cobrava a repintura, não a remoção do material antigo. Só que, quando aparece defeito, a culpa fica com o último que pintou, não com quem encheu a peça de massa.

Para-choque não aceita removedor químico: o produto esquenta e danifica o plástico. O material sai na lixa e na lixadeira, e isso pode levar meio turno. Então, a partir de agora, remoção de material é cobrada à parte. Veja um exemplo disso em pintar para-choque sem primer.

O exemplo da barbearia

Você combina um corte de cabelo e paga o corte. Quer a barba? Paga a barba. O barbeiro não faz a barba de graça porque “quer entregar você mais bonito”.

No detalhamento, a lógica é a mesma:

  • Tem que tirar o banco? Cobre para tirar o banco.
  • Trocar o feltro? Cobre.
  • Puxar e lavar os cintos? Cobre.

Senão, você sempre entrega mais e cobra menos.

Por que a conta não fecha

Muita gente acha que, lavando, polindo e higienizando em volume, vai ganhar no montante. Não ganha. Muito trabalho, pouca cobrança, produto e máquina que você compra e não repassa. Na sexta sobra quase nada. Vem uma semana de chuva e você começa a outra no negativo.

Até para gravar uma aula, eu deixo de produzir um ou dois carros. Tudo tem custo e precisa ser programado, senão a matemática não bate. Sobre preço, veja por que eu não cobro barato.

O que levar deste vídeo

  • Combine por escrito o que será e o que não será feito.
  • Fotografe cada etapa do serviço.
  • Remoção de material antigo é serviço à parte.
  • O que você combinou é o que você entrega; o extra se cobra.
  • Tempo parado também é custo: programe.

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