Dá para pintar para-choque sem primer? O que eu ensinei no último dia do curso presencial

Fechamento do curso presencial: por que para-choque sem primer murcha, a cura pela digital, o painel infravermelho e o amassado que o cliente não viu.

Pintura e reparo rápido

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Este vídeo é o fechamento de uma turma do Repara Fast presencial aqui no studio. Foi uma conversa franca com os alunos, com o carro na nossa frente, sobre o que acontece de verdade no dia a dia: do atendimento ao cliente até a discussão que sempre aparece em turma de pintor, a de pintar para-choque sem primer.

O orçamento começa dentro do studio

Eu não passo orçamento na rua, nem por foto no meio da correria. O cliente entra, a gente toma um café e eu tento entender qual é a dor dele. É a partir disso que eu mostro o cardápio de serviços. O preço depende do serviço, não do carro.

Esse café não é enfeite: é onde eu descubro o que vai surpreender aquele cliente. Já falei disso em o café que fecha negócios.

Dois processos rodando ao mesmo tempo

O carro do curso ficou três dias com a gente, e nenhum desses dias foi parado. Enquanto o pessoal lavava e fazia o detalhamento, os para-choques já estavam desmontados sendo preparados. A instalação de película foi agendada antes do acabamento interno, para um processo não atrapalhar o outro.

Nos para-choques havia excesso de material de reparos antigos. Removedor não serve em para-choque porque o plástico deforma, então o material sai na lixadeira. Esse trabalho extra eu cobrei à parte: R$ 400 (valores da época do vídeo).

A digital diz se a peça está curada

Antes de lixar ou polir, eu faço o teste da digital: aperto o dedo com força. Se marcou, não pule etapa. Aquele tempo de 12 horas que aparece na ficha técnica é a 25 °C; num dia frio, demora mais.

Duas dicas que vieram junto:

  • Fita fica para depois. A fita preta fosca da parte de baixo eu só aplico no fim, porque fita em verniz fresco marca.
  • Painel infravermelho a 1 m, 1,15 m da peça, longe o suficiente para manter a temperatura sem exagerar. Não deixe o painel ligado à noite com o studio vazio, por risco de fogo. No outro dia de manhã, enquanto toma o café, ligue mais uns 30 minutos: é o que a gente chama de choque térmico, que termina de secar de dentro para fora.

Se não der tempo, organize a fila: pintou a lateral hoje, amanhã polimento em outra peça, e a lixa dessa fica para depois.

O amassado que o cliente não viu

Isso já aconteceu comigo várias vezes. O cliente bateu no canto da lanterna, eu cobrei para fazer aquela peça, e durante o serviço aparece um outro amassadinho que ele nem viu.

Se eu resolver esse amassado com tinta, num branco tricoat por exemplo, vou ter que entrar na porta, porque vai dar diferença de cor. Aí eu crio para mim um problema que o cliente não tinha. Tenho duas saídas melhores:

  1. Chamar o martelinho de ouro para tirar o amassado sem pintura.
  2. Deixar como está e, se o cliente perguntar, explicar que não mexi ali justamente para não criar confronto com a porta.

E documente tudo. Todo carro que eu faço tem foto e vídeo salvos. É assim que eu comprovo o que fiz e o que não fiz. Muitas vezes, menos é mais.

Chapinha de teste: a casa de tinta usa outro bico

A casa de tinta geralmente faz o acerto de cor com pistola de bico 1.0. A gente pinta com bico 1.3. Só isso já muda o resultado. Com a mesma tinta prata eu consigo três tonalidades diferentes, só mudando a aplicação: mais molhado, mais de longe, com a peça quente.

Por isso, pinte uma chapinha antes. Na aplicação dá para corrigir uns 10% para mais claro ou mais escuro, não trocar de tonalidade. Mais sobre isso em como corrigir a cor diferente na repintura.

E o para-choque sem primer?

Aqui foi a discussão boa da turma. Tem pintor que pinta para-choque novo sem primer a vida toda e jura que fica bom. E fica, na hora.

O problema aparece lá na frente. O plástico cru tem os poros abertos. Se você aplica só promotor de aderência, tinta e verniz, o acabamento fica bonito no dia, mas com o tempo o plástico começa a puxar e a pintura murcha. Quando você aplica o primer PU, ele preenche esses poros, e a tinta e o verniz têm muito menos chance de murchar.

Por que tanta oficina pinta sem primer? Porque concessionária e seguradora trabalham com produção, e ninguém volta a ver aquele carro. No meu caso, o cliente é o mesmo e o carro volta. Quando o cliente pede para economizar nessa etapa, eu explico com calma: o primer é custo meu e mais um lixamento, mas me poupa de refazer o serviço depois.

O processo completo de preparação está em lixas, massa e primer.

Comece pequeno e cresça com o lucro

No fim, conversei com os alunos sobre algo que vejo muito: a pessoa faz um curso, tem um dinheiro guardado e gasta quase tudo de uma vez montando o “estúdio dos deuses”, com rotativa, roto orbital, compressor, vários cursos e equipamento de UV. Abre as portas e não sobra fôlego para os primeiros meses.

O caminho que eu recomendo é outro: começar com uma pistola simples e o básico, já ganhando dinheiro na semana seguinte com retrovisor e pequenos reparos. Com o lucro você compra o UV, a próxima pistola, o próximo equipamento. Sobre isso, veja também a maior falha dos alunos.

E o que eu passo no curso não é verdade absoluta. São 30 anos de experiência, sempre tentando melhorar. Adapte para o seu negócio.

O que levar deste vídeo

  • Orçamento dentro do studio, com café e entendendo a dor do cliente.
  • Rode dois processos em paralelo para o carro não ficar parado.
  • Teste da digital: se marcou, não pule etapa. 12 horas de cura é a 25 °C.
  • Painel infravermelho a 1 m a 1,15 m e choque térmico de 30 minutos na manhã seguinte.
  • Amassado que o cliente não viu: martelinho de ouro ou deixe como está. Sempre com foto e vídeo.
  • Chapinha de teste, porque a casa de tinta acerta a cor com outro bico.
  • Para-choque sem primer fica bom na hora, mas murcha depois. Primer PU fecha os poros.
  • Comece com o básico e invista com o lucro.

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