Projeto Golf TSI: base de cobertura antes da cor e a limpeza certa de roda e caixa de roda

Por que aplico base mais clara antes da cor, as primeiras demãos secas num estúdio de estética e a ordem certa para limpar roda e caixa de roda.

Lavagem e higienização

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Primeiro episódio do projeto Golf TSI 2017 de uma cliente que está sempre aqui no estúdio. O carro já tinha levado colisão na frente e atrás, a lateral já tinha sido repintada duas, três vezes. A cliente me deu carta branca: para-choques, lateral, polimento, detalhamento, couro, até a troca de uma lâmpada de xenon e uma passada pelo mecânico. O orçamento deve fechar perto de R$ 10 mil (valores da época do vídeo).

Enquanto eu pintava os dois para-choques, o Douglas, que trabalhou anos comigo, cuidou das rodas e das caixas de roda. Então este post tem duas partes: o que fiz na cabine e o que ele fez do lado de fora.

Base de cobertura: mais barata e mais segura

Os para-choques já tinham passado por várias repinturas. Em vez de ir direto com a cor do carro, apliquei uma base de cobertura, um preto comum, por baixo.

Dois motivos:

  • Margem de segurança. Era fim de ano, a casa de tintas estava fechada e eu tinha só meia lata da cor acertada. Se eu cobrisse o primer com ela e faltassem 100 ml na hora da cor, o carro parava. Com a base, a meia lata ficou para a cor, e ainda sobram uns 150, 200 ml acertados para os próximos retoques dessa cliente.
  • Custo. A meia lata de base acabou só cobrindo o primer. Uma lata pronta para uso de cor comum custa uma fração de uma tinta com acerto de cor. Se eu tivesse usado a cor certa para cobrir, teria gasto a tinta cara à toa.

A regra de ouro: a base sempre mais clara que a cor, nunca mais escura. Se o carro é vermelho, a base é um vermelho mais claro. Base mais escura escurece o resultado final e você gasta demão tentando clarear.

E mexa bem a lata. Principalmente em cor metálica, a parte sólida fica no fundo. Quem só sacode e aplica depois reclama que a cor não bateu.

As primeiras demãos secas: olho de peixe num estúdio de estética

Muita gente comenta “por que ele está aplicando a tinta empoeirada?”. A resposta é o ambiente. Eu tenho uma estética automotiva que também pinta. Mesmo com o espaço livre de silicone, trabalho com produtos de acabamento no mesmo lugar. Se eu aplico molhado na primeira demão, corro o risco de abrir olho de peixe.

Então:

  1. Primeira e segunda demão secas, empoeiradas. Ainda não cubro o primer. Se tiver gordura em algum lugar, eu vejo antes de carregar.
  2. Terceira demão também seca.
  3. Última demão mais molhada, com o leque mais fechado, para cobrir todo o primer.

Já fiz pintura com tudo para ser perfeita e deu olho de peixe, e tive que esperar secar, dar três, quatro demãos de verniz para depois lixar e polir. Exaustor puxando por cima, cortina, ventilador, dois filtros: tudo isso ameniza, não resolve. Quem trabalha em linha de produção de seguradora, com 20, 40 carros por semana, faz diferente. O nosso trabalho é carro a carro.

Depois que a base seca, eu passo uma lixa fina com um pouco de detergente para achar qualquer defeitinho, desengraxante, pano pega-pó, e só então a cor correta e o verniz. O post sobre qual verniz usar completa essa parte.

Sempre desmonte o para-choque

Eu sempre desmonto: sensor de estacionamento, grade, tudo. Com o para-choque montado não dá para fazer acabamento perfeito nas grades. Hoje os para-choques são presos por guias e parafusos e desmontar é rápido.

Uma vez um cliente teimou que não queria que eu desmontasse o para-choque de um SUV. O acabamento ficou ruim, porque isolar grade é um sofrimento. Se o cliente insistir, explique o risco antes.

A ordem do detalhamento: roda e caixa de roda primeiro

Na formação internacional de detalhamento que eu fiz, a ordem é clara: roda e caixa de roda antes de tudo, porque é a área mais contaminada do carro. Depois o motor, depois as partes externas como maçanetas e capas de retrovisor, e só então pré-lavagem e lavagem completa.

O que o Douglas fez:

  • Comece pelo mais fraco. Uma APC na diluição do rótulo. Carro urbano, com manutenção, muitas vezes limpa só com ela.
  • Carro de estrada, sem manutenção: não perca tempo. Entre com ácido primeiro, para soltar a sujeira orgânica, e depois o alcalino (desengraxante), para a graxa. Pela lógica: não adianta tirar a graxa se a poeira continua grudada nela.
  • Descontaminante ferroso nas rodas e pinças. Vale escolher um sem aquele cheiro forte, para não empestear o ambiente quando o cliente entrar.
  • Tempo de ação, sem deixar secar. Alguns minutos, depois escova de caixa de roda e trabalho manual.
  • Removedor de piche onde sobrou mancha.

E o que não funciona: diluir errado, “produto bem roxo”, e sair jogando com balde. Levanta aquela névoa ácida e todo mundo tosse. Com o gerador de espuma e a diluição correta, o produto não fica no ar.

Diluição: siga o rótulo e não troque de produto

A diferença entre o remédio e o veneno é a dosagem. Produto forte não é proibido. Diluído do jeito certo, todo mundo usa.

  • A maioria dos desengraxantes trabalha perto de 1 para 100 em limpeza leve, mas siga sempre o rótulo do seu.
  • Ajuste pelo grau de sujeira do carro.
  • Usando sempre a diluição correta, você sabe quanto produto gasta por carro e consegue precificar.

Por isso eu não fico trocando de produto. Escolho um, extraio o melhor dele e a equipe nunca se perde na diluição. Quem compra todo lançamento da semana nunca sabe direito o que está diluindo.

Pré-lavagem não é jogar espuma e esfregar

O Douglas lembrou de uma coisa que vale para tudo: o produto sozinho não faz efeito. Ele precisa de tempo de ação e ação mecânica.

Pense numa máquina de lavar roupa: ela para e deixa de molho para o sabão soltar a sujeira, depois bate. Na pré-lavagem é igual. Tem muita gente que joga espuma e já sai esfregando. Isso não é pré-lavagem. Deixe o produto agir de 2 a 3 minutos, longe do sol, e só depois enxágue ou esfregue. Mostrei a sequência completa no post sobre processos de lavagem.

Tirar a roda para detalhar? Só se cobrar

Sempre aparece quem diz que todo detalhamento tem que tirar a roda. Se você está cobrando por isso, ótimo. Se não está, não tire: é aí que quebra prisioneiro ou espana porca que alguém apertou com pneumática na borracharia. E isso acontece sexta-feira às 15h, quando o mecânico não pode te atender.

Quando eu tiro a roda, porque o cliente pagou por um detalhamento completo ou por pintura de roda, lubrifico os prisioneiros e aperto com torquímetro. A pneumática só encosta, na menor pressão. E tudo fica gravado nas câmeras do estúdio, para provar ao cliente que a roda foi apertada do jeito certo.

O que levar deste vídeo

  • Base de cobertura antes da cor: economiza tinta cara e garante sobra acertada.
  • Base sempre mais clara que a cor.
  • Em estúdio de estética, primeiras demãos secas para flagrar olho de peixe.
  • Desmonte o para-choque para pintar.
  • Roda e caixa de roda primeiro. Do produto mais fraco para o mais forte.
  • Ácido antes do alcalino em caixa de roda muito suja.
  • Gerador de espuma e diluição do rótulo, sempre.
  • Pré-lavagem precisa de tempo de ação.
  • Só tire a roda se cobrar, e aperte com torquímetro.

A pintura rápida de para-choque, do primer ao verniz, eu ensino no Repara Fast.

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