Hidratação e proteção interna: três níveis para couro e plásticos, sem nada brilhando (Série SPA)

Hidratante de couro, proteção de couro e um multiuso diluído 1 para 7 para o carro todo: quando usar cada um e por que painel não pode brilhar.

Coating e proteçãoCouro e interiorFaróis e plásticos

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No episódio 9 da Série SPA, com o interior do Golf já limpo (teto, quebra-sol, painel, volante), chegou a hora do acabamento interno: hidratar e proteger. Toda limpeza pede hidratação depois. É como o amaciante na máquina de lavar: sem ele, as fibras perdem as características. O APC tira a sujeira e, se você não hidrata, o plástico vai ficando esbranquiçado.

Três níveis para o couro

O que eu aplico depende do pacote que o cliente comprou no cardápio e do estado do banco.

1. Hidratação

Para evitar o ressecamento. Couro é pele morta: não tem mais a gordura natural, por isso resseca. E passou por curtume e tingimento (“não existe vaca caramelo”), então precisa ser hidratado. Neste Golf, de uma cliente que usa o carro de verdade, todos os dias, a hidratação é a primeira opção.

  • O banco tem que estar limpo e seco.
  • Morno é melhor: em dia frio, ligue o ar quente por 5 a 10 minutos. O couro quente absorve mais o produto.
  • Couro muito ressecado: aplique o hidratante em abundância, cubra com plástico filme e deixe 1 a 2 horas (pode ser ao sol). Depois tire o excesso com um pano.
  • Cuidado: se o banco foi repintado com tinta inadequada ou já está descascando, uma super-hidratação pode soltar a tinta, e a culpa vai ser sua. Cada carro é um caso.

2. Proteção (coating de couro)

Cria uma camada sobre o couro que protege contra raios UV, caneta, pé de criança, doce, refrigerante, e deixa a limpeza muito mais fácil. Vale para couro com as características originais, em carro novo ou seminovo. Banco craquelado não vale a pena: a proteção mantém o que está lá.

Um caminho comum: hidratar nas primeiras lavagens periódicas e, com o couro bem hidratado, aplicar a proteção.

Como aplicar (é diferente de coating de pintura):

  • Molhe bem o aplicador e trabalhe um quadrado por vez.
  • Esfregue até o produto desaparecer. Se você espalha e espera, como num vitrificador de lataria, ele mancha.
  • Eu prefiro um aplicador de microfibra ao taco que vem com o produto: aperta melhor nos cantos.
  • Um frasco faz cerca de um carro e meio. Faça o carro todo, inclusive as costas dos bancos, onde as crianças apoiam os pés.
  • 12 horas de cura para entregar; 24 horas para molhar.

Mancha quando: sobra produto, você arrasta a aplicação molhada, o couro é sintético e absorve devagar, ou o banco foi pintado com tinta inadequada. Se manchar, limpe com o limpador de superfície e reaplique.

3. Um multiuso para o carro inteiro

Nos treinamentos, ninguém acredita que eu uso um único produto para a hidratação completa do interior: painel, volante, laterais de porta, plásticos e até o couro. Diluo 1 para 7 (um dedo de produto, sete de água). Ele deixa tudo com aspecto original, sem brilho, e tira a estática.

Um litro custava na faixa de R$ 300 a R$ 340 e, diluído, me dura cerca de um ano fazendo três a quatro detalhamentos por semana (valores da época do vídeo). Muita estética compra um produto para couro, outro para painel, outro para plástico externo: é dinheiro parado na prateleira.

Aplique com um aplicador de microfibra; se ficar brilhando por excesso, vire a microfibra e tire.

Painel não brilha

Na estética, nada no interior pode brilhar. Brilho no painel vem de silicone, e o silicone tem dois problemas:

  • reflete no para-brisa e atrapalha a visão quando o sol está de frente;
  • evapora com o calor e engordura o vidro. Se o para-brisa embaça toda vez que o carro pega sol, provavelmente usaram produto à base de silicone no painel.

E eu trabalho com repintura: no studio não entra nada com silicone, nem verniz de motor. O motor também recebe o multiuso, aplicado com pincel e pano, mantendo o aspecto original. Assim nada contamina a cabine.

Proteção completa à base d’água

Para carro novo, seminovo ou bem cuidado, dá para aplicar uma nanoproteção à base d’água no interior e no exterior: protege por até uns 6 meses, tira a estática e deixa o toque mais liso. Hidrorrepelência imediata, 4 horas para pegar chuva e 24 horas de cura total.

No meu cardápio, os pacotes ficam assim:

  • Fit: interior com o multiuso; por fora, brilho com boina de espuma e a proteção à base d’água.
  • Compact e Premium: proteção à base d’água também no interior, e proteções mais duradouras.
  • Cliente de reparo: a lavagem de cortesia vai com o multiuso, para ficar clara a diferença do que é pago.

Sobre o cardápio, leia café fecha negócios: o cardápio de serviços.

Couro natural ou sintético?

Aperte. O natural é firme, não estica e forma ruguinhas. O sintético afunda e volta, como borracha. Mais em introdução à pintura de couro.

A ordem da hidratação

Igual à higienização: de cima para baixo e de dentro para fora. Teto, colunas, cintos, painel; depois bancos e laterais de porta. Não hidrate o banco e depois sente nele para fazer o painel. No fim, aspire onde pisou, coloque o papel no assoalho e o carro está pronto. Veja higienização interna completa.

E uma regra do studio: em qualquer desmontagem, parafusos em saquinhos etiquetados (“porta traseira esquerda”). Quem for montar pode não ser quem desmontou.

O que levar deste vídeo

  • Toda limpeza pede hidratação depois.
  • Hidratar couro ressecado; proteger couro original; multiuso para o carro todo nos pacotes básicos.
  • Proteção de couro: esfregue até sumir, um quadrado por vez.
  • Um bom multiuso diluído substitui vários produtos.
  • Nada brilha no interior: brilho é silicone, e silicone embaça o vidro.
  • Hidrate de cima para baixo, de dentro para fora.

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