Academia Nasiol em Cascavel: como aplicar e, principalmente, como vender proteções

Treinamento em Cascavel (PR): limpar antes de proteger, couro e tecido, repelente de vidro como porta de entrada, PPF e o erro de falar polimento técnico.

Coating e proteçãoCouro e interiorPreço, vendas e gestão

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Esse foi mais um treinamento da Academia Nasiol, desta vez numa loja de produtos automotivos em Cascavel (PR). A ideia da Academia é levar informação técnica real para quem aplica. Muita gente diz que um produto “não funciona”, e quase sempre o problema é a forma de aplicar, ou uma informação errada que circulou na internet.

Comecei, como sempre, contando de onde eu venho: quase 30 anos no ramo automotivo, de elétrica e som à customização, pintura e estética. E que eu não sou influenciador: quem for ao meu estúdio sem avisar vai me encontrar trabalhando. Tudo o que mostro é carro de cliente, com acerto e erro.

A marca por trás

A Nasiol nasceu em Istambul, numa universidade, para proteger o patrimônio histórico da cidade. Depois de provar a tecnologia ali, criou linhas automotiva, náutica, residencial e até industrial: tecidos protegidos em escala, aplicação em vidros de prédios com drone. Está presente em mais de 150 países e chegou ao Brasil há uns 11 anos, por uma importadora de Santa Catarina. Estive na sede este ano, e contei tudo em uma semana na Turquia.

Dois pontos que respondem a dúvidas comuns:

  • O produto vem lacrado da Turquia. No Brasil, só recebe o rótulo em português. A aplicação aqui é a mesma da Europa ou dos Estados Unidos.
  • A durabilidade informada vem de laudo de laboratório próprio. O repelente de vidro, por exemplo, é testado numa máquina que simula dezenas de milhares de passadas de palheta.

Antes de tudo, limpar

Na minha época não existia limpador de preparação. A gente fazia o espelhamento, produto sobre produto, e o carro voltava cheio de holograma.

Hoje, antes de qualquer coating, é imprescindível limpar a superfície com um limpador de preparação sem corante. Pode continuar usando o seu revelador de holograma no polimento, mas, antes da proteção, passe o limpador. Corante e resíduo por baixo do coating podem manchar.

E um alerta: quando aparece microrrisco na hora de aplicar o coating, não foi o coating que riscou. Nanotecnologia não arranha. O solvente só revelou um defeito que o polimento escondeu com produto. Usado só nessa etapa, o limpador rende umas 20 a 25 aplicações: o custo por carro fica baixo.

E a repintura em PU?

Perguntaram por que o coating “não aceita” pintura em PU. O problema quase nunca é o produto: muito PU no Brasil é escolhido pelo preço, com pouco teor de sólidos. Fica macio demais, marca no polimento e mancha se você esticar o coating. Um PU de qualidade tem resistência parecida com a do verniz. Num PU fraco, use um produto de aplicação mais rápida e não deixe secar demais antes de remover.

Tecido: massageie

O protetor de tecido dura até 6 meses: menos no banco do motorista, mais nos que têm pouco atrito. Ele protege, não restaura. Tecido velho continua velho, só que limpo e protegido. Dicas:

  • Na higienização, aspire antes de entrar com a extratora. Molhando direto, a sujeira vai para a espuma do banco e volta a manchar depois.
  • Banco ainda úmido no fim do dia? Ligue o carro com ar quente por meia hora antes de aplicar.
  • Aplique com luva nitrílica e massageie o tecido, para o produto penetrar. Só na superfície, ele perde a repelência com o uso.
  • Serve para capota de tecido e Alcântara.

E uma ideia de venda: o que sobrar do frasco, ofereça para proteger o tênis ou a jaqueta da cliente. Quando ela sair na chuva e o tênis não molhar, ela vai entender a tecnologia, e o resto você vende com facilidade.

Couro: hidratar antes, proteger depois

O couro dos carros novos é mais frágil que o de antigamente. Por isso aquele primeiro gomo, onde a gente se apoia para entrar, descasca tão cedo. O protetor de couro dura até um ano e funciona inclusive sobre couro pintado com tinta à base d’água.

A ordem importa:

  1. Limpe e retire todo o excesso do produto de limpeza.
  2. Hidrate. Couro muito ressecado: muito hidratante, saco plástico por cima de um dia para o outro (efeito estufa), pano úmido no dia seguinte.
  3. Seque com ar quente ou sol.
  4. Só então aplique o protetor.

Hidratante por cima da proteção não adianta: ele não ancora, como um bronzeador por cima de protetor solar. Para manutenção, pano úmido ou um limpador bem diluído. Produto muito forte tira a proteção e até a tinta do couro.

“Dura até”, não “dura”

Outro erro comum na venda: dizer que um produto dura um ano. O correto é até um ano. Proteção é como um avião pousando: vai perdendo altura com o uso. Tenho cliente com mais de um ano de hidrorrepelência e cliente que lava com produto forte e perde em poucos meses. Venda certo para não ter problema depois.

Repelente de vidro: a porta de entrada

Esse é o produto que mais me ajuda a vender o resto. O segredo é não vender como estética, e sim como segurança.

Quando o cliente não quer nada, eu aplico no para-brisa de cortesia e falo: na primeira vez que você pegar estrada com a família debaixo de chuva, vai lembrar de mim. Depois chegam os vídeos dos clientes dirigindo na chuva sem ligar o limpador. A partir daí, ele viu a nanotecnologia funcionar, e fica fácil vender coating para a pintura.

No meu estúdio, todo carro sai com o repelente no para-brisa, mesmo que eu só tenha pintado um para-lama. O custo por aplicação é baixo, e cada aplicação é uma oportunidade de negócio futuro.

Na aplicação:

  • Só por fora, nunca na parte interna.
  • Vidro com marcas de minério ou contaminado: descontamine antes. Se usar produto ácido, depois passe um alcalino (a lavagem com shampoo ajuda) para equilibrar o pH, e então o limpador de preparação. Vidro contaminado faz a palheta trepidar.
  • Não é para espelho nem policarbonato: foi feito para vidro.
  • Cura de 24 horas sem chuva nem umidade. Eu costumo aplicar no fim da tarde e oriento o cliente a não testar o limpador no primeiro dia.

E sobre para-brisa embaçando por dentro: na maioria das vezes é produto de painel com silicone que evapora e gruda no vidro. Por isso existe acabamento de plástico interno e externo. Não troque.

PPF também precisa de proteção

O PPF resiste ao impacto, mas amarela com o UV e pega marca d’água. Quem já fez uma frontal num carro branco sabe: a frente amarela e o resto não. Existe proteção própria para PPF e vinil, que dá brilho, repelência e filtro UV. Num PPF completo caro, não faz sentido economizar nisso.

Não existe “polidor de PPF”: é boina de espuma com composto lubrificado, e o calor e o atrito limpam e dão vida ao filme.

E uma provocação: lá fora, PPF é proteção, cortado na borda, e se levantar um cantinho, troca. Aqui, a gente dobra para dentro, desmonta para-choque, tudo para não aparecer. Isso deixa o serviço lento e caro. PPF é para proteger.

O coringa para quem lava carro

Para lavagem de alta rotatividade, existe um selante de entrada à base d’água, que se aplica em cerca de 15 minutos no carro todo (pintura, vidros, plásticos), até com o carro ainda molhado. Dura em média 4 a 6 meses e não tem silicone, então pode ser usado em estúdio que pinta.

É o seu coringa:

  • Não vendeu nada? Entregue o carro com essa proteção.
  • Em vez de dar desconto, venda a aplicação por um valor baixo.
  • Faça uma promoção para lavagem em dia de chuva com o selante incluído. Quase ninguém lava carro na chuva, e ele aguenta chuva poucas horas depois de aplicado.
  • Em carro zero, deixa o plástico interno com toque original, sem brilho e sem cheiro.

Acima dele, o coating de entrada tem proteção química e dura cerca de 6 meses; em camada dupla, até um ano. Dá versatilidade para a estética pequena.

Não fale “polimento técnico” para o cliente

Fechei com algo que eu repito sempre. Polimento técnico, polimento comercial: só outro profissional entende. Fale isso para quem acabou de tirar um carro zero e ele vai pensar em boina de lã na pintura nova dele.

Eu falo de ativação de brilho e de preparar o carro para receber uma nanoproteção. E mostro ao cliente que eu uso produtos de primeira linha porque a qualidade do carro dele é a qualidade do meu trabalho. Seu conteúdo nas redes deve falar com quem consome o serviço, não com outros profissionais. Leia polimento comercial e ativação de brilho.

O que levar deste vídeo

  • Limpe a superfície com um limpador sem corante antes de qualquer coating.
  • Microrrisco na aplicação é defeito do polimento, não do coating.
  • Tecido: aspire antes e massageie o protetor.
  • Couro: hidrate antes, proteja depois.
  • Venda o repelente de vidro como segurança: é a porta de entrada.
  • Diga “até”, não “dura”.
  • Fale a língua do cliente final, não a do profissional.

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