Uma semana na Turquia, na sede da Nasiol: o que eu trouxe de lá para a estética brasileira
Depois de 9 anos como técnico da Nasiol, fui convidado para treinar e ser treinado em Istambul. Laboratório, estéticas turcas e o que muda no Brasil.
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Há 9 anos eu sou técnico da Nasiol no Brasil. Neste ano, a empresa me deu uma oportunidade que eu nunca imaginei: passar uma semana na Turquia, onde a marca nasceu, para dar treinamento aos profissionais de lá e receber treinamento direto da indústria.
Passou um filme na minha cabeça na escala em Amsterdã. Eu comecei preparando e polindo carro de bermuda e chinelo. E ali estava eu, indo para Istambul buscar conhecimento para trazer de volta para vocês.
Reunião no polo de tecnologia
O primeiro dia foi inteiro de reunião, no polo tecnológico onde fica a empresa que desenvolve os produtos. Cada um apresentou o seu trabalho, e eu apresentei o meu: como os produtos são aplicados e vendidos aqui no Brasil. Discutimos o planejamento dos próximos anos.
Até então, boa parte da informação técnica chegava ao Brasil traduzida do turco para o inglês e do inglês para o português, e a gente adaptava. Desta vez, eu peguei a informação direto com quem desenvolve, sem intermediário.
O laboratório
Visitamos a área de pesquisa. Ali, todo composto é testado numa máquina que controla rotação e pressão, em dezenas de chapas com preparações e pinturas diferentes. Eles comparam com produtos de outras marcas e medem resultado, lubrificação e poder de corte.
Os testes de durabilidade também são feitos por máquina, e não à mão. Ver isso de perto muda a forma como você explica o produto para o cliente.
Outra coisa que me surpreendeu: a linha automotiva é só uma parte. A mesma tecnologia é vendida para a indústria em embalagens grandes: proteção de vidros de prédios, de barcos e navios, e de tecido, aplicada direto na linha de produção da fábrica de tecidos.
Uma loja de car care e duas estéticas turcas
No segundo dia rodamos até Bursa, a uns 140 km de Istambul, para conhecer uma loja de produtos com todas as grandes marcas mundiais, e depois estéticas que trabalham com a linha da Nasiol.
O que eu observei:
- Os preços são parecidos com os nossos.
- O cliente é exigente, olha o carro nos mínimos detalhes. A diferença é que ele paga por isso: o detalhador cobra pelo tempo de correção antes de aplicar o coating, conforme o que combinou com o cliente.
- Ambientes limpos, no conceito de sala branca: paredes sem nada, boa iluminação, produtos guardados e o carro como protagonista. É o mesmo conceito que vi em Blumenau, em a Batcaverna da estética.
- Box de lavagem e de acabamento separados, em alguns casos em prédios dos dois lados da rua.
O que muda de um país para o outro
A Turquia, pelo menos onde estive, tem clima muito seco, parecido com Las Vegas. Isso muda tudo no processo:
- Quase não há marca d’água, porque a chuva e a umidade não deixam mineral na pintura.
- A lavagem é mais simples: espuma e esfregação, sem a pré-lavagem e a descontaminação que a gente faz aqui. A sujeira é poeira seca.
- Snow foam não é comum. Eles usam um reservatório pressurizado com ar, onde misturam o shampoo ou o APC.
- Polimento com boina de lã de uma face só e acabamento com espuma. A cultura de “zerar a peça” é menor.
Por isso eu sempre digo que não existe verdade absoluta. Não é que o trabalho deles seja melhor ou pior. É outro clima, outra pintura, outra cultura. A troca foi nos dois sentidos: eu passei experiências do Brasil para eles e trouxe as deles para adaptar aqui.
Um produto só, em vez de três
Na loja, vi o que vejo no Brasil: profissional novo comprando três APC que fazem a mesma coisa. Quando me perguntam qual eu uso, a resposta é um só.
Um produto só reduz a dor de cabeça com diluição. Eu não preciso explicar ao colaborador “esse é 1 para 10, aquele é 1 para 30”, porque ele vai acabar colocando no olho e gastando a mais. Fica mais fácil manter estoque, e com um produto só eu faço qualquer carro de qualquer cor.
O profissional que está começando ainda acha que o produto vai salvar a falta de conhecimento técnico. Não salva. A própria marca, aliás, enxugou a linha de compostos para dois, um com mais corte e outro com menos. Falei mais disso em por que eu não cobro barato e na palestra que virou o post como triplicar o lucro da estética.
Treinamento de campo
Nos últimos dias fizemos treinamento prático em uma estética premium: aplicação de toda a linha, inclusive produtos que ainda estão sendo adaptados ao Brasil, e comparativos com outras marcas, lado a lado com os técnicos do laboratório.
Não foi um curso. Foi uma atualização de processo, de mão dupla. A linguagem de quem trabalha com carro é a mesma no mundo todo, mesmo com Google Tradutor no meio. Tudo isso vai para os treinamentos que dou pela Nasiol no Brasil e para os nossos cursos, como o Além do Brilho.
A Turquia de verdade
Também deu para conhecer o país fora da reunião. Os restaurantes servem pequenas porções à mesa, sempre com pão de longa fermentação, azeite e chá de graça. O Grand Bazar é lindo, e o preço começa lá em cima para negociar. E o povo é muito parecido com o brasileiro: receptivo, se esforçando para agradar mesmo sem falar a nossa língua. Nada a ver com a imagem que a gente vê na TV.
Esteja pronto para a missão
Se eu deixo uma lição dessa viagem, é esta: esteja sempre pronto. Passaporte em dia, visto, estudando inglês há mais de um ano. Quando a oportunidade aparece, você não pode estar se preparando. Tem que estar preparado.
Nunca imaginei que polimento, higienização e reparo me levariam a conhecer outros países. Primeiro foram 15 dias em Las Vegas. Agora, uma semana na Turquia. Foi o crescimento dentro da profissão que abriu essas portas.
O que levar deste vídeo
- Informação técnica vale mais quando vem direto da fonte.
- Cliente exigente existe em todo lugar. O que muda é cobrar pelo tempo de correção.
- Clima e cultura mudam o processo: não existe verdade absoluta, existem técnicas adaptáveis.
- Um produto bem dominado faz mais do que três parecidos.
- Esteja pronto antes de a oportunidade aparecer.



