Visita à "Casa do Porsche" em Gramado: clássicos, contrato por etapa e um box de vidro para coating
Clássicos sendo revitalizados, contrato por etapa, sala de espera que vira coworking e eventos com 40 carros. Um dia na Fórmula Zanotti, em Gramado.
Eventos, viagens e podcastsCoating e proteçãoPreço, vendas e gestão
Prefere assistir? Esse post saiu deste vídeo do canal. Abrir no YouTube →
Essa visita eu devia há tempo, tanto como Junior Vieira quanto como técnico da Nasiol. Fomos a Gramado conhecer a Fórmula Zanotti, do Cássio, que muita gente na região chama de “Casa do Porsche”. Durante anos, era difícil passar por lá sem ver um Porsche no pátio.
Hoje o pátio mudou: além dos premium, tem muito carro clássico. E foi esse o ponto de partida da conversa.
Clássicos: revitalização não é restauração
O Cássio começou trabalhando só com carro premium. Mas, quando você faz bem o carro novo de um cliente, ele aparece com o carro antigo: “já que você fez o meu, faz esse também”. E, como pouca gente quer pegar esse tipo de trabalho, a fama se espalha.
Vimos uma BMW clássica nos acabamentos finais: toda repintada no passado, com borracha pintada e até pneu com tinta. A equipe desmontou, limpou, lixou o carro inteiro e foi reencaixando peça por peça. Vimos também um conversível clássico em que nada funcionava, nem a capota. Foram seis meses de trabalho, e não era restauração. Era revitalização: buscar o máximo de originalidade possível e corrigir o que fizeram de errado antes.
Dica que trocamos ali: quando a pintura antiga tem pouca camada e você precisa lixar perto de frisos e bordas, dá para preencher com verniz, esperar secar, passar massa de cabine por cima e ir taqueando. A massa vira controle de lixamento e você não corre o risco de pelar.
Contrato por etapa
A pergunta que eu fiz foi: como cobrar um carro desses? A resposta do Cássio foi certeira: por etapa. Desmontagem e lixamento, um valor. Polimento, outro. Martelinho, cromagem, estofado, cada um no seu.
Não tem como dar valor fechado num carro que você ainda não desmontou. E, sem contrato por etapa, a estética não tem capital para segurar um projeto de meses. Para manter o caixa girando, o Cássio intercala os clássicos com trabalhos de entrada e saída rápida: PPF, proteção cerâmica, polimentos. É o que eu faço também: o trabalho grande paga a conta do mês, e os “pingados” que entram segunda e saem quarta mantêm o giro.
E o cliente leigo precisa entender o tamanho do projeto. Só de parafuso de inox, um carro antigo pode consumir centenas de reais. Quem quer um clássico “de capa de revista” não vai gastar o que imagina.
Quando não mexer antes de falar com o dono
Um Mustang importado tinha a traseira com emenda, escorrido e bolha. Lixar e polir não ia resolver: em poucos meses estaria igual. O impasse era entender o que o cliente queria: curtir o carro agora, com um polimento, ou fazer uma restauração de verdade.
Eu contei um caso parecido. Um carro voltou para mim para lixamento e polimento depois de pintado em outro lugar. Quando olhei, porta desalinhada, tampa fora do lugar. Eu disse ao cliente: não mexo sem você vir aqui na frente do carro. Não estou criticando quem pintou. Eu não sei o que vocês combinaram. Mas, depois que eu montar os frisos, não tem mais volta, e eu não quero pegar esse rojão.
Sala de espera ou coworking?
O Cássio está reformando a área do cliente. A ideia era uma sala de espera. Eu contei a minha experiência: já tive uma, e era peso morto, porque ninguém esperava. Hoje o meu cliente fica no escritório, num ambiente aconchegante, tomando café e conversando.
Em Gramado o contexto é outro: o trânsito no fim da tarde é caótico, então os carros entram de manhã e saem no fim do dia, e muita gente espera. Aí veio a ideia que vimos numa estética em Canoas: transformar a sala de espera num coworking. Bancada para o notebook, Wi-Fi, café, banheiro separado. O cliente que vai esperar duas horas pela lavagem já trabalha dali. Lá, quem é cliente usa de graça e até reserva para uma reunião.
Box de vidro com temperatura controlada
Outro projeto: fechar um box com vidro para aplicar proteção cerâmica no inverno. Em Gramado a umidade é muito alta. Tem dia que a névoa entra pelo portão, e não dá para aquecer a lata com lâmpada para aplicar o coating. A solução é aquecer o ambiente, num espaço fechado e com temperatura controlada.
E tem o bônus do marketing: o cliente chega e vê o carro pronto, dentro de uma “cápsula de vidro”. Eu sugeri portas de correr dos dois lados, para o box servir também para dois carros menores. Ter plano B no espaço é ouro.
Sobre aplicação de coating e cura, veja como aplico coating sem manchar.
Outros detalhes da estrutura
- Elevador: de braço, e já de 4 toneladas. A diferença de preço para o de 2,5 é pequena.
- Piso: todo mundo reclama do piso cerâmico, que é difícil de limpar. O epóxi escorrega. Um colega usa concreto polido e fica lindo.
- Fluxo: o carro entra sujo por um lado e sai limpo pelo outro, pela rua dos fundos.
- Área de funcionário: banheiro e cozinha próprios.
Eventos como network
Na lateral do prédio, dá para fechar a rua sem atrapalhar ninguém. O Cássio já fez um encontro de Porsche com churrasco embaixo das árvores que reuniu quase 40 carros. A ideia é fazer encontros por estação: Porsche, clássicos, turbo.
Eu faço algo parecido em Porto Alegre: uma festa a cada dois meses, com banda de amigo e eu discotecando em vinil. Não é pela festa, é pelo network. Eu não preciso conhecer todo mundo, preciso conhecer quem conhece todo mundo. Dali sai indicação de cliente, carro para vender, parceria.
Trabalho não é produção
Teve conversa de gestão também. Muito colaborador acha que trabalhar muito é o mesmo que produzir. Não é. Lavar um lado, depois o outro, esfregar um lado, depois o outro, o dia inteiro, e no fim só ter lavado um carro: isso é trabalho, não produção.
E produção também é ordem. Pedi para uma colaboradora fazer as laterais de porta e o porta-malas de uma higienização, porque logo depois ia entrar o instalador de película do teto solar. Quando voltei, ela estava aspirando o carro todo. Mas o instalador ia pisar, molhar e sujar o meio de novo. Com as laterais e o porta-malas prontos, só faltaria o meio. A sequência certa evita retrabalho. Detalhei o passo a passo em higienização interna completa.
Visitar colegas abre a cabeça
A primeira vez que o Diego, parceiro do Cássio, foi ao meu estúdio, ele me deu umas dez ideias que eu nunca tinha pensado. Quando o visitei, ele me mostrou várias delas já funcionando na casa dele. Quem está de fora enxerga o que você não vê.
O mesmo vale para processo: cada região tem cliente, clima e ritmo diferentes. Tem lugar em que o cliente quer que o coating leve quatro dias para sentir que pagou bem. Em São Paulo, quatro dias sem carro é impensável. Tudo se adapta.
O que levar desta visita
- Clássico é revitalização, não restauração. Combine o escopo antes.
- Projeto longo se cobra por etapa, e é intercalado com serviços de giro rápido.
- Carro mal pintado em outro lugar? Não mexa antes de alinhar com o dono.
- Sala de espera parada vira coworking, se o seu cliente espera.
- Umidade alta? Aqueça o ambiente, não a lata.
- Eventos com clientes são network, não festa.
- Trabalho não é produção: a ordem certa evita retrabalho.



