João Goleiro, quem me ensinou a pintar: os erros da época sem internet e o que eles ensinam hoje

Conversa com o João, que me acompanha há quase 30 anos: a cor errada às 11 da noite, fibra em plástico, os primeiros cursos e primer em para-choque novo.

Pintura e reparo rápido

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O João Luiz Bandeira, o João Goleiro, me conhece desde antes de eu nascer: era amigo do meu pai. A gente começou a trabalhar junto quando eu tinha uns 17 anos e fazia som, alarme e customização. Eu tinha vontade e teimosia de sobra, mas não entendia nada. Ele sabia preparar e pintar, e era tão teimoso quanto eu. Passávamos o dia brigando e terminávamos sempre de boa. Quase 30 anos depois, ele passou uma tarde no studio e virou podcast.

(E o apelido? Num jogo de futebol, ele aceitou ir para o gol para “quebrar o galho”, e a primeira bola rolando passou por entre as mãos dele. Ficou João Goleiro para sempre.)

A época em que não tinha a quem perguntar

Hoje você tem YouTube, grupo, fabricante, curso online. Na virada dos anos 2000, era tentativa e erro, com as mãos cortadas. Algumas das nossas:

  • A cor errada às 11 da noite. Pintamos duas portas de um carro branco. Eu tinha mexido a tinta, ele achou que estava demorando, “deixa comigo”, e acertou na pressa. Frio, tarde, fomos embora sem tirar o isolamento. De manhã: as duas portas de outra cor. Comprei mais tinta e pintamos a lateral inteira. Lição: acerto de cor não se faz com pressa nem cansado.
  • A máscara negra que apagou o farol. O cliente queria o farol com a máscara escura. O farol foi pintado de preto inteiro, refletor incluído. À noite, o cliente não enxergava nada. Tivemos que conseguir as partes internas e trocar. Lição: entenda exatamente o que vai ser feito, e o que cada peça faz.
  • Espuma expansiva no para-choque. Para dar rigidez a uma grade improvisada, enchemos de espuma expansiva. Ela expandiu e estourou o reparo do para-choque.
  • Fibra e massa em plástico. Fazíamos recortes e caixas em para-choque com fibra e massa, e voltava tudo quebrado: fibra não ancora no plástico. Hoje existem massas e produtos próprios para plástico; na época, não.

Muito do que ensino hoje no curso nasceu desses erros. Contei como o curso surgiu em de onde veio o Repara Fast.

Quando o preparador não vem na segunda

Muitas vezes o preparador avisava na sexta que não voltaria, e na segunda eu estava sozinho com o carro do cliente. Foi assim que eu aprendi a preparar e a pintar: por necessidade. Quem trabalha com estética conhece isso: dependência de uma pessoa só é risco. Por isso hoje eu ensino processo e quero que cada um saiba fazer.

Os primeiros cursos

Há uns anos, antes do formato atual, eu dava um curso de estética completa, de cinco dias, da massa ao polimento. O João ajudava na parte de pintura enquanto eu atendia. Era engraçado: eu ensinava a técnica “certinha” da apostila, e ele já queria ensinar os atalhos. “Deu marca de lixa no primer? Dá uma poeirinha que resolve.” E eu chamava ele de canto: “João, primeiro eles aprendem o certo; o atalho eles descobrem depois.”

Fizemos poucas turmas: curso exige parar o studio, preparar material, divulgar. Hoje o formato é outro: Repara Fast Presencial.

Primer em para-choque novo: a nossa discordância

A pergunta que todo mundo faz: dá para pintar para-choque novo sem primer, só com promotor de aderência, tinta e verniz? O João e o meu preparador fizeram isso a vida inteira em concessionária e seguradora, e funciona na entrega.

A minha posição: com o tempo, ele murcha. E a diferença está no cliente: o carro de seguradora você não vê nunca mais. O meu cliente volta em seis meses, em um ano. Eu vejo o resultado. Detalhes em dá para pintar para-choque sem primer?

E o “úmido sobre úmido”?

Funciona, desde que toda a linha seja da mesma marca e premium: primer, tinta e verniz feitos para trabalhar juntos. O problema é misturar primer de uma marca, tinta de outra e verniz de uma terceira: catalisadores e evaporação diferentes, e aí murcha. Na dúvida, eu prefiro um primer molhado, uma lixada, tinta e verniz.

Adesivo sem lixar levanta

O brilho é uma camada de proteção. Adesivo aplicado sem lixar, e depois envernizado, começa a levantar nos cantos: o verniz entra por baixo. Nos meus trabalhos com adesivo e verniz, a peça é lixada antes. Simples assim.

Trabalhar barato não paga

Um ditado do meu preparador: “trabalhar para pelado é pedir esmola para dois”. Fazer pretinho de pneu e serviço de R$ 100, R$ 200 sem margem não sustenta ninguém. Quer bem feito? Material de primeira, trabalho bem feito e preço justo. Leia por que eu não pinto para-choque a R$ 500.

O que levar deste vídeo

  • Ninguém aprende da noite para o dia: a gente errou muito.
  • Acerto de cor não combina com pressa nem cansaço.
  • Fibra não ancora em plástico: use produto próprio.
  • Depender de uma pessoa só é risco; aprenda o processo.
  • Para-choque novo sem primer pode sair bonito e murchar depois.
  • Úmido sobre úmido só com toda a linha da mesma marca.

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