Pierre: capacetes personalizados, pizzaria de entrega de Harley e um negócio com a sua cara

Com o Pierre, amigo de mais de 20 anos: de eventos de som a capacetes exclusivos, a pizzaria que entrega de Harley e por que o cliente quer ver o dono.

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Este podcast teve até plateia. O convidado foi o Pierre, que faz parte da minha vida profissional há mais de 20 anos. Publicitário, professor universitário por duas décadas, artista de capacetes personalizados e, hoje, sócio de uma pizzaria em Porto Alegre. Sem roteiro: só histórias, e muitas lições escondidas nelas.

Onde tudo começou: os campeonatos de som

A gente se conheceu nos eventos de som automotivo do início dos anos 2000. Ele cuidava do site e da comunicação de uma das equipes; eu, ainda novo, ia junto. Eram 20 pessoas viajando numa van e num carro de apoio, cinco ou seis no mesmo quarto de hotel. Foi ali que andei de avião pela primeira vez, para um campeonato em Fortaleza.

Uma coisa que eu sempre lembro: aqueles eventos eram organizados. Eram o acontecimento da cidade, as pessoas se arrumavam para ir. Organização faz um evento, e um negócio, ser respeitado.

Aprender trabalhando ao lado de quem sabe

Depois veio uma fase como DJ. Eu não tinha turma de curso, então insisti até conseguir aulas particulares e, para aprender de verdade, virei auxiliar do professor nas festas: carregava equipamento e observava o que tocava e quando. Foi o Pierre quem criou meu nome artístico e meu cartão.

É o mesmo caminho que eu recomendo na estética: chegue perto de quem sabe, ajude, observe.

Capacetes: criar o que ninguém fazia

O Pierre comprou uma moto e quis um capacete personalizado, com efeito de metal escovado. Ligou para vários pintores: “não dá”, “não tem como”. Então fez o dele em casa. Os amigos viram e pediram um igual. Em pouco tempo, ele chegou a fazer 50 capacetes por mês.

Hoje, quase 20 anos depois, ele faz seis por mês, todos peças exclusivas: nada duplicado. A criação, o desenho e o acabamento interno são dele; muitas vezes a base e o verniz final são aplicados aqui, na nossa cabine. Já saiu capacete com tema de charuto cubano, e o próximo está sendo bolado com detalhes dourados.

A lição: quando o mercado diz que não dá, às vezes é aí que está o seu nicho. E quando a demanda cresce, limitar a produção pode valorizar mais o seu trabalho do que aceitar tudo.

A pizzaria que entrega de Harley

A pizzaria dele tem um formato pequeno, inspirado no metrô de Nova York. Durante a pandemia, quando faltava motoboy, eles mesmos saíam para entregar, de Harley-Davidson. Virou história na cidade. Hóspedes de hotel ligavam pedindo “aquela pizzaria que entrega de Harley”. Numa noite de chuva, um cliente fez questão de testar, e a entrega chegou num carro V8. Viraram promoção: quem tira foto com a entrega ganha desconto no próximo pedido.

Isso é propaganda que custa nada: uma experiência que o cliente quer contar para os outros.

O cliente quer ver o dono

Uma confissão do Pierre: eles montaram o negócio pensando em ficar mais tranquilos e hoje estão lá todos os dias. Tem cliente que liga antes para saber se os donos estão, senão nem vai. Por mais que você treine a equipe, o negócio tem a sua cara.

Na estética é igual. O cliente cria vínculo com você. Dá para delegar, e deve, mas saiba que a sua presença faz parte do serviço que ele compra.

Dar oportunidade para quem está começando

O Bruno, meu marketing, chegou até mim por indicação do Pierre. Aos 18 ou 19 anos, ele mandava mensagem oferecendo trabalho para todo mundo; o Pierre foi dos poucos que responderam. Como professor, ele gosta de ouvir o que o jovem tem a dizer. Na pizzaria, prefere contratar gente nova e sem vícios, para ensinar do jeito da casa.

Já o contrário também acontece: toda semana aparece alguém prometendo “aumentar seu faturamento em 60%” sem nunca ter entrado no negócio. O Pierre responde: vem aqui entender o que eu faço primeiro. Até porque, se dobrarem as vendas, ele não tem capacidade de produção para atender. Quem é bom em marketing entende o seu negócio antes de propor alguma coisa. Mais sobre isso em marketing para estética automotiva.

E quando eu e o Bruno voltamos a trabalhar juntos, a primeira coisa foi contrato por escrito, para proteger os dois lados. Combinado de boca é onde muita parceria se perde.

Águia anda com águia

O fecho do Pierre: com o tempo, quem planta bem se atrai. Os amigos daquela época continuam na rede: um faz o som da pizzaria, outro manda o carro para o estúdio. É relacionamento de longo prazo que vira negócio, sem ninguém estar ali só para sugar.

O que levar deste vídeo

  • Quando dizem que não dá, pode ser o seu nicho.
  • Limitar a produção e fazer peças exclusivas pode valorizar o trabalho.
  • Uma experiência diferente é propaganda gratuita.
  • O cliente compra também a sua presença.
  • Desconfie de quem promete resultado sem entender seu negócio.
  • Parceria séria começa com contrato por escrito.

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