Por que eu não acreditava em curso online de estética (e hoje tenho cinco)

Eu achava curso online um discurso decorado. Mudei de ideia em Las Vegas: gravar a vida real do studio, com acertos e erros, para quem não pode vir.

Preço, vendas e gestão

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Vou ser sincero: eu nunca acreditei em curso online. Sempre achei que, se eu não pegasse na mão do aluno, ele não ia aprender, e eu ia me sentir enganando alguém. Hoje tenho cinco cursos online. Explico o que mudou.

O estalo veio em Las Vegas

Fui ao SEMA Show, em Las Vegas, querendo conhecer a feira. Lá caiu a ficha: o americano faz tudo. Você vê o mesmo profissional chapeando, preparando, pintando, aplicando PPF. Não existe o “eu só faço isso”. Ele resolve.

Voltei querendo trazer isso para o Brasil. Mas como escalar? Nem todo mundo tem condição de vir a Porto Alegre fazer um curso presencial. A saída era o online. O problema era o formato.

O que eu não queria

Eu não queria aquele discurso decorado, o “professor lendo apostila”: “agora vamos falar de lixa, a lixa tem como característica a abrasividade…”. Quem me conhece dos eventos sabe que eu não sou assim.

Como sou fã dos programas de carro da TV, falei para o Bruno: o curso tem que prender como um programa, com a dinâmica do que acontece no dia a dia. Brincadeira quando dá, e sério quando é sério (“coloca em preto e branco, se não desengraxar vai dar olho de peixe”). E, como o Bruno era leigo, eu explicava para ele como se explicasse para o aluno: “filma aqui, olha esse ângulo, isso é olho de peixe”.

Vida real, não Disneylândia

O que me incomoda em muito conteúdo é a Disneylândia. Seria fácil pegar um financiamento grande, montar um espaço premium com cabine e dar curso de pintura. Mas aí eu viveria de vender o curso, não do trabalho.

O meu lucro vem de outro lugar: do 208 em que pintei os dois cantos do para-choque e fiz ativação de brilho; da SW4 que entrou na segunda e saiu na sexta, um projeto agregado de R$ 10.000 (valores da época do vídeo). E repare: eu não ganhei R$ 10.000, eu fiz um projeto de R$ 10.000. Tem mão de obra, material, imposto. É disso que eu vivo, com nota fiscal. Sobre esse raciocínio, veja como triplicar o lucro da estética.

Por que vídeo bonito engana

  • Pintar peça deitada é fácil. Quero ver pintar de pé, que é onde escorre.
  • Micropintura num capô deitado em vídeo é fácil. E na lateral, de pé?
  • Te ensinaram a pintar uma porta. E no carro, com todos os detalhes de isolamento, o vidro, a fita virada?

É como o engenheiro recém-formado e o mestre de obras com 40 anos de prática. Ou a residência médica: por que existe? Porque alguém experiente precisa ensinar o pulo do gato.

Gravamos o que dá errado

Por isso o curso mostra os erros. Um para-choque que pelou no lixamento e precisou ser repintado. Um verniz que deu gordura e como corrigi. Gravações até meia-noite, com cansaço, porque é o real.

Siga a linha do fabricante

Uma lição que vale para todo mundo: se você mistura produtos de linhas diferentes (um acelerador de uma marca num verniz de outra que não foi feito para isso) e o verniz murcha, a culpa é sua, não do fabricante. Saiu da linha do fabricante, o risco é seu. E respeite os prazos de cura que você mesmo vende: eu, como técnico, falo os prazos do fabricante; como studio, eu me organizo para cumpri-los.

O que levar deste vídeo

  • Curso bom mostra o processo inteiro, não só o resultado.
  • Desconfie de vídeo de peça deitada e de lucro fácil.
  • Projeto de R$ 10 mil não é lucro de R$ 10 mil.
  • Não misture linhas de fabricantes diferentes.
  • O online funciona quando parece que você está do lado de quem ensina.

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