Reparo fast para entregar no mesmo dia: o rack de uma Porsche Cayenne híbrida
Cliente precisava do carro no mesmo dia: massa UV, lixas refinadas com água e sabão, primer spray, verniz na peça inteira e um trabalho de R$ 1.250.
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Eram 10h45 e o cliente precisava da Cayenne pronta no fim da tarde. Eu enrolei o que deu, mas não tinha mais como. O defeito era no rack do teto, um aplique de plástico. O plano: preparar até o meio-dia, pintar, deixar secando no infravermelho durante o almoço e, à tarde, lixar, polir, lavar e entregar.
Normalmente a preparação é fora da cabine. Nesse caso, para ganhar tempo, preparei dentro: algumas etapas a seco, outras com água, e depois lavei a cabine antes de pintar.
Massa UV: aqui ela é obrigatória
Com esse prazo, se eu não usasse massa de ultravioleta, teria que usar massa poliéster e esperar secar. Com a UV, em uns 30 segundos de lâmpada está seca e já dá para lixar.
E a massinha rápida de cabine? Eu uso para tapar furinho, mas em arranhão ela não serve: como não tem catalisador, depende do tempo para secar e com o tempo murcha, e todas as marcas de arranhão voltam a aparecer.
Refine o lixamento
Uma falha muito comum da preparação é pular lixas: 150, depois 320, depois 600 com água, achando que as marcas vão sair. Não saem. A minha sequência aqui:
- 220 depois da massa, para o primer rápido não ficar com marca de lixa.
- 320 a seco e 400 com água e detergente.
- 600 na mão, alongando para onde a tinta vai encostar e tirando o degrauzinho da massa.
Por que com água e sabão? Porque é um aplique de plástico e eu não sei se já levou cera, selante ou coating. O meu maior medo ali era gordura. Sobre as gramaturas, veja a regra universal das lixas.
Primer spray: só para selar
A peça estava lisa, então não precisava de primer UV para cobrir. Só selar. Usei um primer spray de acabamento, em duas ou três demãos enfumaçadas, deixando foscar entre elas com o painel infravermelho. Ele não tem catalisador: demão molhada demais não seca.
Depois, controle de lixamento com uma poeirinha de preto para não pelar o fundo, 400 com bastante sabão, 600 para tirar as marcas, uma 800 bem usada esticando a área e 1200/1500 onde vai só o verniz. Lixar bem é o que evita o desplacamento, aquele verniz que descasca porque foi aplicado sobre brilho.
Por que verniz na peça inteira
Muita gente faria um retoque no meio do friso. Eu não. O plástico era preto sem pintura, e se o retoque não emendasse, ficaria uma mancha horrível, sem tempo de corrigir até as 18h. Com verniz na peça toda, eu garanto o resultado.
Por que não tirei o rack
“Mas por que não desmontou o rack?” Num carro desse valor, se quebra um suporte, o que eu faço para entregar às 18h? Na teoria é fácil falar. Já tentei fazer agrado desmontando peça e quebrou. Muitas vezes, menos é mais.
Resultado e preço
O carro entrou às 9h, mas só começamos perto das 11h por causa da gravação. Em tempo trabalhado, uma hora. Meio-dia e oito estava pintado; com o infravermelho, às 13h30 estava seco, e às 14h30 lixado e polido. Quase não caiu sujeira, mesmo sem a preparação ideal fora da cabine, porque o ambiente ajuda, mas quem manda é a preparação.
Cobrei R$ 1.250 (valores da época do vídeo). Eu cobro pelo meu trabalho, não pelo patrimônio do cliente. É assim que ganho os clientes premium: pela qualidade. Sobre preço, veja por que eu não cobro barato.
E não subestime o cliente: muitas vezes ele paga mais porque quer praticidade e o problema resolvido rápido. O erro de muito polidor e higienizador é olhar o serviço do cliente com o próprio bolso.
O que levar deste vídeo
- Com prazo curto, massa UV em vez de poliéster.
- Massinha de cabine murcha em arranhão.
- Não pule lixas: 220, 320, 400, 600.
- Plástico de procedência desconhecida: lixe com água e sabão.
- Primer spray só para selar, em demãos finas.
- Verniz na peça toda quando o retoque é arriscado.
- Não desmonte o que pode quebrar sem necessidade.
- Cobre pelo seu trabalho, não pelo carro.



