Repara Fast Presencial, ep. 2: como o studio funciona no dia a dia, e o que dá para copiar no seu espaço
Por que tirei a mecânica, elevador pantográfico, a bancada de grampos, compras de caixa, equipe pelo ponto forte e uma mini-cabine com portas de correr.
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No segundo episódio do curso presencial, mostrei o studio aos alunos. Não para eles copiarem igual, mas para cada um enxergar o que dá para adaptar no próprio espaço. Tudo aqui foi mudando conforme as dificuldades apareceram. O tour completo, gravado em outro momento, está em tour pelo estúdio. Aqui vão os pontos que mais interessaram aos alunos.
Tirei a mecânica com a ajuda dos números
Até uns anos atrás eu tinha dois boxes de mecânica, que vieram da família. Eu achava que ganhava dinheiro com ela. Foi preciso uma consultoria financeira para me mostrar o contrário: a mecânica girava muito capital, tomava muito tempo e deixava margem pequena. Detalhamento e pintura têm margem muito maior. Transformei os dois boxes num studio.
Às vezes a gente só enxerga com os números na frente. Leia como trabalhar menos e ganhar mais.
Elevador pantográfico: o box que faz tudo
Troquei o elevador de colunas pelo pantográfico: sem colunas nas laterais, dá para trabalhar dos dois lados e abrir as portas. Num mesmo box, o carro sobe, tiro as quatro rodas e o para-choque e mando para a preparação; a equipe higieniza por dentro e outro pole. Três serviços ao mesmo tempo, num carro que fica dois dias.
Um elevador de colunas ficou para quando preciso tirar um para-choque por baixo ou pintar pinça: com as quatro rodas livres, lavo as pinças, isolo, coloco capa eletrostática e pinto.
A bancada do ticket extra
Num canto, uma bancada com carpete, potes com os grampos que mais uso (de várias marcas), fusíveis, lâmpadas, kits de sensor de estacionamento, espumas, cola, parafusos. É dali que saem os serviços que ninguém pediu, mas todo mundo aceita:
- Desmontou a lateral da porta para higienizar e ela estava solta? Grampos novos. Se não acha o grampo daquele carro, meça com paquímetro: muitas vezes o grampo de outro modelo tem a mesma medida e encaixa como original.
- Fazendo barulho? Um pedacinho de carpete entre o grampo e a peça.
- Chicote solto? Prende com espuma.
- Puxador descascado? Já que a porta está aberta, pinta.
Tire foto, mande para o cliente com o valor. São R$ 150, R$ 200 a mais que viriam de duas lavagens inteiras (valores da época do vídeo).
E o torquímetro fica à mão: aperte a roda do cliente na frente dele. Se ele sair e a roda soltar, você tem como mostrar que apertou certo.
Não lavo chassi
Lavagem de chassi e desengraxe de vazamento de óleo eu terceirizo: o lava-jato especializado cobra uns R$ 100 (valores da época do vídeo). Levantar o carro, aplicar desengraxante e ácido por esse valor não paga o risco. No studio, lavamos só caixas de roda e a volta do assoalho. Como gestor, não vale a pena.
Poucos produtos, bem diluídos
Na lavagem são poucos: shampoo, APC, um ácido, um alcalino e o desengraxante que todo mundo usa, com copinho medidor para diluir certo. Remédio e veneno, a diferença é a dose. Duas espumadeiras: uma para o shampoo, outra para a pré-lavagem.
Compre de caixa nos meses bons
Mês bom eu não “pego” o dinheiro: compro de caixa (verniz, primer, tíner, lixa, fita) e removedor em galão de 5 litros, sempre negociando preço. O verniz dura 2 a 3 anos, então sei que vou usar. Quando vem o mês fraco, o material já está pago e o que entra é praticamente lucro. E, perto de feriados longos em que vou fechar, peço o boleto para depois. O lucro também está na compra, não só na tabela de preço. Mais em faturar 3x mais com o mesmo carro.
Equipe: cada um no que faz melhor
Cada pessoa da equipe tem um ritmo e um ponto forte. O preparador é perfeccionista e trabalha no tempo dele: não adianta apressar. Quem desmonta e monta é rápido. A polidora é detalhista: demora a manhã toda num para-choque e numa tampa, mas tira 99% das micro sujeiras. Quando preciso de velocidade, um faz o “grosso” do polimento e ela entra no acabamento. Gestão é juntar o melhor de cada um.
E eu mesmo: há uns 10 anos, minha pintura era muito pior. Eu atendia a mecânica, dava uma demão, entregava um carro, voltava correndo para a segunda demão, atendia mal, vendia mal e o verniz escorria. Hoje pinto com calma, e atendo com calma. Menos clientes, ticket maior.
A cabine foi construída com os erros
- Primeiro o carro entrava de comprido. Toda vez que eu precisava pintar, tinha que tirar dois carros do acabamento. Mudei a posição.
- Coloquei um exaustor potente, mas os filtros puxavam a contaminação da área de acabamento e dava olho de peixe. Subi os filtros para cima: agora entra ar de cima, mais limpo.
- Na área de lavagem, o ventilador aponta para fora de propósito: se apontasse para dentro, levaria a névoa dos produtos para a cabine.
- Na área de acabamento, exaustor próprio e produtos sem silicone. Silicone fica no ar, mesmo aplicado no dia anterior, e vira olho de peixe na pintura. Por isso, nada de verniz de motor com silicone: uso um multiuso diluído no motor e nas caixas de roda.
Já pintei carro que saiu perfeito e, no seguinte, a lateral encheu de olho de peixe. Dá vontade de chorar: tem que lixar tudo e começar de novo. Por isso cada detalhe aqui tem um porquê.
Uma mini-cabine no seu espaço
Não precisa de uma cabine para pintar roda, para-choque e acabamentos black piano. Uma ideia que já usei:
- um canto do espaço com duas portas de correr;
- um exaustor de cozinha de uns 40 cm (custava uns R$ 300, valores da época do vídeo) com filtro comprado por metro, para o overspray não ir para o resto do espaço nem para o vizinho;
- molhe o chão antes de pintar;
- uma folha de porta de madeira sobre cavaletes, com papel trocado a cada uso, vira a mesa para pintar capas de retrovisor e peças black piano.
No fim do dia, fecha, pinta; no dia seguinte, abre as portas e o espaço volta a ser de lavagem. Já é melhor do que muita gente que pinta ao ar livre.
Mantenha as características originais
Detalhamento é cuidar, proteger e manter. Carro que vem “casca de laranja” de fábrica continua casca de laranja, brilhando e protegido. Tem modelo que sai de fábrica com o verniz meio “murcho”: se você lixa e pole até ficar espelhado, ele vai parecer repintado na revenda. Explique isso ao cliente e deixe ele decidir.
O que levar deste vídeo
- Olhe os números de cada serviço: nem tudo que fatura dá lucro.
- Elevador pantográfico transforma um box em multiuso.
- Tenha uma bancada de pequenos reparos: grampos, fusíveis, sensores.
- Terceirize o que não paga o risco, como lavagem de chassi.
- Compre de caixa nos meses bons.
- Monte a equipe pelo ponto forte de cada um.
- Controle a contaminação: exaustor, ventilação e nada de silicone perto da pintura.



