Vinicius vendeu a primeira pintura de couro antes de terminar o curso, e o serviço que puxa outro

O Vinicius trabalha sozinho no interior de SP. Vendeu a primeira pintura de couro com dois dias de aula e hoje usa pinça e couro para subir o ticket.

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O Vinicius tem um studio em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, e trabalha sozinho. A gente já se conhecia de eventos do setor. Ele comprou os cursos no começo do ano, deu uma pausa enquanto planejava mudar de espaço e agora está colocando o reparo rápido em prática aos poucos: pinças, bancos, maçanetas.

A primeira pintura de couro, com dois dias de aula

Ele vendeu a primeira pintura de couro antes de fazer o curso, só com a indicação das tintas que eu tinha passado. Dois dias antes de o carro chegar, saiu a promoção com todos os cursos do Studio Padrão Americano. Ele comprou, assistiu o que deu e fez o serviço. Deu certo.

A maior dificuldade: tempo

O Vinicius foi sincero: a dificuldade não é a técnica, é tempo para parar, assistir e praticar. Ele trabalha 12, 13 horas por dia sozinho, e ainda tem a vida fora do studio.

Um serviço puxa o outro

Os clientes dele não aparecem para pintar uma pinça. Aparecem para fazer uma vitrificação de pintura. Quem já vai gastar uns R$ 2.000 aceita muito mais fácil incluir a pinça. E para pintar a pinça, a roda sai do carro, e aí fica fácil vender a vitrificação das rodas.

Hoje ele cobra R$ 100 a R$ 150 por pinça (valores da época do vídeo). Quatro pinças numa vitrificação que levava três dias somam uns R$ 500 em um dia de trabalho. E o material é barato: um litro de verniz de uns R$ 160 durou meses, e 100 ml de tinta na cor que o cliente escolher custam R$ 20 a R$ 30.

E pintar pinça não é só mudar de cor. Pinça enferrujada pode ser preparada e pintada na cor original, com verniz, em vez de levar um spray de alta temperatura.

Couro: margem alta

Quem chega para um reparo de couro nunca leva só o reparo: no mínimo sai uma higienização junto. Um reparo de R$ 250 ou R$ 300 vira um serviço de mais de R$ 1.000. E a preparação e pintura cabem em meio período. Em vez de passar 3 horas numa lavagem simples de R$ 100, você faz um reparo menos cansativo por R$ 250, R$ 300 (valores da época do vídeo).

O kit inicial que ofereceram para ele custava uns R$ 2.000. Ele comprou os frascos menores, só o necessário para fazer as cores, parcelou, e até hoje usa a maior parte daquilo, só repondo. Como couro é sempre cor sólida, o material rende muito. E tem um padrão curioso: couro nunca aparece, mas quando aparece, vêm três de uma vez.

Sobre a técnica, veja pintura de banco de couro com pistola.

Rasgo no gomo: explique ao cliente

A dificuldade dele é com bancos rasgados, quando o certo seria trocar o gomo. O tapeceiro da cidade quer trocar o banco inteiro ou não pega o serviço.

O que eu digo para todos os alunos: se o banco original rasgou em dois ou três anos, o conserto é paliativo. Pode durar seis meses, um ano. O certo é trocar o gomo. Eu tiro o banco, mando para o estofador, ele troca o gomo e eu pinto. Quando o cliente não quer pagar isso, eu conserto, mas explico a durabilidade antes. E se rasgar ao lado do reparo depois, não foi o reparo.

O dinheiro está nos detalhes

O Vinicius tinha um carro com a caixa de ar amassada, a porta traseira ralada e o risco alongando até o para-lama. Outra oficina passou uns R$ 5.000 e dois meses de espera.

Meu conselho: terceirize a funilaria e faça a preparação e a pintura com calma. Não vale a pena comprar uma repuxadeira para um serviço. E saiba que serviço grande dá a ilusão de que você vai cobrar mais, mas traz muito mais mão de obra e risco. Quem faz PPF ganha dinheiro na abertura de porta e na saboneteira, com o retalho, não na frente completa. É nos pequenos detalhes que a gente ganha dinheiro.

Uma dica de cuidado: torquímetro

Quando tirar as rodas do cliente, use um torquímetro e aperte na frente dele. Ele vê o cuidado, você não arrisca quebrar um prisioneiro ou espanar uma rosca. O Vinicius já encontrou rodas com parafuso solto ou faltando, sem o dono saber.

O que mudou para ele

  • Saiu da zona de conforto: o primeiro para-choque que tirou foi de uma Mercedes GLC.
  • Entendeu o que é uma emenda de repintura e sabe que não pode forçar o polimento ali.
  • Destravou o ticket que não conseguia passar.
  • Tira dúvidas no grupo com alunos mais experientes.

Leia também a história do Chico, outro aluno que começou devagar.

O que levar deste vídeo

  • Dá para começar com pouco: frascos pequenos e o essencial.
  • Um serviço puxa o outro: vitrificação → pinça → roda.
  • Reparo de couro sempre leva uma higienização junto.
  • Rasgo no gomo: explique que o conserto é paliativo.
  • Serviço grande: terceirize a funilaria.
  • Torquímetro e aperto na frente do cliente.

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