Pintura sem cabine, farol fast e por que só polimento não dá dinheiro: conversa com o aluno Chico

O Chico, do interior do Paraná, treinou nos carros de casa e mudou o jeito de restaurar farol. E o conselho que eu dei para ele não se frustrar.

Pintura e reparo rápidoHistórias de alunosPolimento e brilho

Prefere assistir? Esse post saiu deste vídeo do canal. Abrir no YouTube →

O Chico trabalha com estética automotiva desde 2023 em Cornélio Procópio, no interior do Paraná. Sempre gostou de carro: em casa tem uma Brasília 76 e um Gol 92. Começou aprendendo com um colega de lava-rápido, fez alguns cursos que não ensinavam nada além do que tem de graça no YouTube, e entrou no Repara Fast. Gravamos uma conversa sobre o caminho dele.

Começou devagar, e está certo

Ele comprou o curso, mas no começo não treinou porque não tinha compressor. Em vez de comprar um pequeno que não ia dar conta, juntou dinheiro e comprou um de 175 litros. Começou a treinar nos carros de casa: um farol, a preparação de um para-choque.

E errou. Uma vez precisou aplicar verniz três vezes até acertar, gastando quase meia lata. É por isso que, para quem está começando, eu digo: compre o produto mais barato. Você vai errar. Imagina errar três vezes com um verniz caríssimo: a vontade é desistir. A primeira vez que eu coloquei película, quase faltou uma bobina de 20 metros de tanto que eu errei.

Comece pelos trabalhos pequenos. É como se formar engenheiro e querer construir o prédio mais alto do país logo de cara. Faz, erra, acerta, e aí ganha vontade de fazer maior.

Errar acontece com todo mundo

O Chico contou que se identificou com uma aula em que um processo deu errado e eu mandei gravar a correção. Aconteceu com ele também: furinhos no para-choque que precisou preencher.

Comigo também acontece. Recentemente, numa tampa traseira de HB20, quis acelerar e coloquei o painel infravermelho no primer para lixar logo depois do almoço. O primer ferveu e encheu de furinhos. Eu sabia do risco. A diferença é que eu tenho o recurso de conhecimento para corrigir, e é isso que eu passo para os alunos.

Farol: a lixa certa muda tudo

O Chico chegava a ficar dois dias num farol. Começava sempre na lixa 150 e ia subindo. Depois do curso, aprendeu a avaliar o farol: muitos ele começa na 320 e termina na 1200. O resultado ficou melhor e o tempo caiu.

E não existe verdade absoluta: tem farol que pede verniz aplicado com pistola, tem farol que se resolve com polimento e vitrificação de policarbonato. Veja restauração de farol.

Sem cabine, com capricho

Ele mora numa região agrícola, com muita poeira, e mesmo assim consegue entregar um bom serviço. Para pequenos reparos, você não precisa de cabine: precisa ser caprichoso e limpo. Uma sujeirinha que cai, quem trabalha com estética sabe tirar no polimento. Mais sobre isso em reparo fast com os produtos mais baratos.

Só lavar, ou só polir, não fecha a conta

O Chico mudou a cabeça: não quer mais focar em lavagem. Lavagem dá dinheiro para poucos, em ponto de muito movimento. Muitos que montam um lava-rápido quebram em poucos meses.

E ficar três dias “alisando” um carro no polimento também não fecha a conta. Num dia de chuva, um retoque, um para-choque ou uma película dão o mesmo dinheiro em muito menos tempo. Na cidade dele, muitas oficinas de pintura não fazem polimento: ele pode entregar as duas coisas. Veja zerar peça não dá dinheiro.

O meu conselho: um passo de cada vez

Ele já planeja aprender película também. O meu conselho foi:

Quando você quer fazer tudo ao mesmo tempo, acaba não fazendo nada.

Domine o polimento, coloque em prática, depois entre no reparo rápido, depois couro, depois farol, depois película. Muita informação técnica em pouco tempo frustra, e a culpa não é do curso.

E mesmo dominando tudo, eu não faço tudo ao mesmo tempo. Quando estou pintando, estou pintando. Se eu polir e pintar junto, ou a sujeira do polimento estraga a pintura, ou eu pinto correndo para voltar a polir.

Saber fazer para poder exigir

Outra coisa: mesmo com equipe, se alguém falta, eu faço o serviço dessa pessoa. Quem depende 100% de mão de obra no nosso segmento está ferrado. E quando você domina a parte técnica, ninguém te diz “não dá” sem você saber se dá.

Sobre o curso e o grupo

Para o Chico, o grupo de alunos é um dos pontos fortes: quando alguém tem dúvida, os próprios alunos respondem, reencaminham a aula certa. Mantemos o grupo focado em dúvidas, sem virar vitrine de trabalho, para a ajuda não se perder. E todo o conteúdo é gravado em carro de cliente, com os erros e as correções.

Outras histórias de alunos: Kaique e o ticket médio e Tales e a pintura fast num studio pequeno.

O que levar deste vídeo

  • Treine em carros de casa e comece pelos trabalhos pequenos.
  • Produto barato enquanto aprende: você vai errar.
  • No farol, avalie antes: nem sempre precisa começar na 150.
  • Sem cabine, capricho e limpeza resolvem pequenos reparos.
  • Um serviço novo de cada vez.
  • Saiba fazer tudo o que você cobra da equipe.

Leia também