Ele veio do Japão para fazer o Repara Fast: da fábrica ao lojista, e do lojista ao cliente final

Um detalhador brasileiro no Japão largou a fábrica, aprendeu com lojistas e migrou para o cliente final. A virada de preço e por que técnica vale mais.

Pintura e reparo rápidoHistórias de alunos

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Quando o Rodrigo entrou em contato para fazer o Repara Fast presencial, a gente achou que era pegadinha. Um brasileiro que mora no Japão, com estúdio de detalhamento lá e até treinamentos próprios, vindo para Porto Alegre aproveitando o intervalo do carnaval. Era verdade. E virou uma série inteira de vídeos que você encontra aqui no blog, começando pela preparação para pintura.

Antes de pôr a mão na massa, ele contou a história dele.

Da fábrica à garagem

O Japa trabalhava em fábrica no Japão: jornadas de 12 horas, sem tempo para a família. Perto dos 46 anos, cansou. Comprou uma casa com garagem para seis carros e começou a fazer estética nas horas vagas, um pouco na fábrica, um pouco em casa.

Quando a estética começou a render o mesmo salário da fábrica, com o apoio da esposa, ele saiu. Hoje vive só disso.

Cheguei nos 46 anos e falei: não quero mais. Comecei a fazer na garagem da minha casa, misto com a fábrica, até a estética dar o mesmo salário. — Rodrigo, detalhador brasileiro no Japão

O lojista é a melhor escola, mas não pode ser o destino

No começo, o trabalho dele era quase todo para lojista. Carros chegavam direto do leilão e eram descarregados na frente da casa dele, às vezes dois de uma vez, sem aviso. Pagavam metade do preço do cliente final e queriam o carro rápido, “meia-boca”: uma boinada, sem abrir porta, sem lavar direito.

É exatamente o que eu digo aqui: o lojista é a melhor escola que você vai ter, em qualquer lugar do mundo. Ele exige muito, paga pouco, mas te dá carro. Você aprende rápido, cobre o custo e ganha prática. Eu também comecei assim, há 30 anos.

O problema é ficar. Muita estética que trabalha para lojista não consegue virar a chave: começa a atender o cliente final e cobra o preço de lojista. Só que o cliente final quer mais atenção, porque o carro é dele. O lojista quer que fique bom por três meses, até vender.

A virada:

  • Defina um preço para o cliente final, maior que o do lojista.
  • Vá diminuindo o lojista aos poucos, conforme o cliente final cresce.
  • Dê prioridade ao cliente final, que paga mais e valoriza o trabalho.

Foi o que o Japa fez. Hoje ele atende só cliente final.

O cliente final também dá trabalho

Para ser justo: cliente final tem as dores dele. Na mesma semana, pintamos a porta de um SUV caro, prometida para quarta. O cliente só atendeu o telefone dias depois. O carro ficou uma semana parado no estúdio, ocupando espaço, e não dá para deixar um carro desses na rua nem ficar manobrando à toa.

É por isso que muita estética prefere o lojista: entrega, pega outro, entrega, recebe na sexta e não se incomoda. Mas o lucro e a reputação estão no cliente final.

Por que ele veio aprender reparo rápido

Polindo carros no Japão, o Japa via as emendas de retoques mal feitos aparecendo. Pequenos reparos que ninguém fazia bem por lá. Ele pensou: dá para fazer melhor.

E aqui vale a conta que fizemos juntos, com os valores que ele cobra lá, convertidos (valores da época do vídeo):

  • Polimento com proteção para cliente final: algo perto de R$ 900, em um dia.
  • Higienização interna: mais uns R$ 500.
  • Pintura de um para-choque: o mercado dele cobra bem mais que isso.

Se ele encaixar o reparo rápido no mesmo carro que já vai polir e higienizar, em um dia e meio fatura o que antes fazia em dois carros. Não é fórmula: é encaixar a reparação rápida no processo que ele já tem, como eu faço aqui. Expliquei por que isso funciona na estética e não na funilaria no post sobre por que o reparo rápido não deu certo.

Técnica, não produto

O Japa não pode levar produto do Brasil: lá, ele só pode descartar resíduo de produto japonês, sob pena de multa. Por isso, no curso, eu uso de propósito produtos que nem uso no dia a dia. Se eu ensinar só com o produto que eu uso, você volta para a sua cidade, não encontra o produto e fica perdido.

O que ele leva é a técnica:

  • Ler o rótulo e entender como o produto seca e age.
  • Adaptar ao clima. Aqui eu falo em 5 a 10 minutos entre demãos de verniz a uns 25 graus. Num lugar onde neva, esse intervalo não serve: lá ele vai precisar de outro catalisador e outro tempo.
  • Adaptar ao ambiente. Uma aula de pintura numa cabine pressurizada, com tinta à base d’água, ensina a primeira demão molhada, e está certa para aquele ambiente. Numa estética com contaminantes, a primeira demão molhada abre olho de peixe. Expliquei a técnica para esse ambiente em verniz em quatro demãos.

E não despreze o funileiro antigo. Muitas técnicas de hoje nasceram do que os mais velhos faziam com o que tinham. Às vezes uma dica antiga, somada ao conhecimento de hoje, resolve o que ninguém resolve.

De onde vem o “estúdio padrão americano”

Eu sempre fiz trabalho completo: comecei com som e alarme, passei pela customização na época dos filmes de carro tunado, tive mecânica até alguns anos atrás. Meus clientes sempre tiveram a mesma mentalidade: “leva no Júnior que ele resolve”.

Numa viagem aos Estados Unidos, vi que lá os estúdios fazem exatamente isso: desmontam, pintam, montam e entregam o carro pronto. Faltava trazer o modelo para a estética brasileira. É isso que o Repara Fast e o estúdio padrão americano fazem: reparação e pintura adaptadas à realidade da estética.

O que levar desta história

  • Dá para migrar da fábrica para a estética aos poucos, começando na garagem.
  • O lojista é a melhor escola, mas não pode ser o destino.
  • Cliente final paga mais e quer mais atenção: cobre diferente.
  • Reparo rápido encaixado no polimento e na higienização multiplica o ticket.
  • Técnica viaja; produto, nem sempre.
  • Adapte tempos e técnicas ao clima e ao seu ambiente.

O Repara Fast presencial e online é onde eu ensino a encaixar o reparo rápido na estética: conheça o curso.

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