Patrick, da NPR Car: gestão de um auto center com 20 pessoas e por que lavagem sozinha não fecha a conta
Conversa com o dono de um auto center parceiro: diagnóstico, bônus que zera se o carro volta, trocar peças aos pares e a matemática da lavagem.
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Num dia de chuva em Porto Alegre, chamei o Patrick, dono da NPR Car, para um bate-papo. Ele começou em 2013 com dois sócios (o nome vem das iniciais dos três) e hoje toca sozinho um auto center com oito mecânicos, balcão, estoque e lavagem: umas 20 pessoas. A gente se ajuda: eu indico os meus clientes de mecânica para ele, e ele me indica funilaria, pintura e estética. Tem trabalho para todo mundo.
Por que eu tirei a mecânica e ele investiu nela
Eu tive mecânica no studio por anos. Quando os meus clientes renovaram a frota, ficou claro: ou eu fazia um investimento alto em equipamentos para carros modernos, ou a mecânica ia continuar me atrapalhando. Além disso, um carro esperando peça para o cabeçote travava um box por três dias. Escolhi sair. Conto mais em como o studio funciona no dia a dia.
O Patrick fez o contrário: investiu pesado. Espaço plano e um terreno extra (às vezes passam de 30 carros esperando motor, câmbio, eletrônica), e equipamento de diagnóstico de todo tipo. Quem tem um scanner só, na prática não tem nenhum: câmbio, ar-condicionado e injeção pedem leitores diferentes. E as atualizações custam caro, muitas cobradas em euro. Foi o caminho dele para sair do “arroz e feijão” das oficinas.
O modelo que eu admiro: troca aos pares e bônus que zera
Por que eu indico o Patrick? Porque ele faz o que eu queria fazer:
- O carro sai revisado de verdade, e não vai ser barato. Caiu um pivô? Troca os dois. Bieleta, amortecedor, coxim: os dois lados. Assim não acontece o “gastei mil reais e o barulho continua”, que agora vem do lado que não foi trocado.
- O mecânico ganha bonificação por meta, e perde tudo se o carro voltar. Isso faz o mecânico testar, rodar com o carro, ter certeza.
É o mesmo princípio que uso: não faço só os bancos, só uma lâmpada ou só uma peça. Ou o serviço é completo, ou não é. Leia a experiência completa.
A lavagem: onde até ele apanhou
Mesmo com tudo funcionando na mecânica, a lavagem deu trabalho. O problema é estrutural:
- é mão de obra simples, que não dá para pagar como especialista;
- você monta o processo, e quando termina, a pessoa sai, e você volta à estaca zero;
- três lavadores, com encargos, custavam na faixa de R$ 15 mil por mês só de salário, antes de produto, água, luz e imposto (valores da época do vídeo);
- chuva: no Sul, numa semana de chuva não entra carro nem de graça, e metade do ano é fraca.
O que salva a lavagem dele: não paga aluguel e já tem o fluxo do auto center. São 150 a 200 carros por mês; se metade lavar, é demanda garantida. Lavagem sozinha, o cara não consegue. Quem pensa “vou comprar uma lavadora e um aspirador e fazer R$ 500 por dia” esquece a chuva e a mão de obra. Mais em lavagem de R$ 60 não paga o seu dia.
Mão de obra: o gargalo de todo mundo
Mecânico, ele vai formando: sempre tem alguém aprendendo. Para preparação de pintura e lavagem, é difícil. Profissional bom está empregado. O meu preparador fica comigo há anos porque eu pago bem e dou o que outros não dão: trabalhar com calma. Isso só fecha porque o meu preço é alto.
E lembre: o resultado depende de gente e de trabalho artesanal. Com olho clínico, um reparo bem feito é 90, 95%. Nem carro zero sai 100%.
Importar peça: uma aposta
Para peças específicas, como um diferencial de SUV alemão, ele importa direto da fábrica. Às vezes vem ótimo, às vezes não: é uma aposta. Uma dica que ouvi de um cliente que importa: na China existe o produto A, o B e o C. Sem contato confiável, você não sabe qual está comprando. Por isso muitas empresas trabalham com escritórios que fazem essa ponte.
A dica dele para quem está começando
Encoste numa revenda de carros. O lojista quer pagar pouco, reclama, manda você fazer milagre. Mas dá volume e todo tipo de carro para aprender. Com o tempo, você forma clientes particulares e vai saindo. E, quando um cliente do lojista reclamar, atenda bem: muitos clientes do Patrick desde 2013 vieram assim. Para a estética, a lógica é a mesma: veja Felipe, de Lages.
Pequeno empresário é jogador de futebol
Você toca a bola e sai correndo atrás dela. Ninguém vê as noites sem dormir nem os boletos, só o resultado. Tem que ter coragem, sair da zona de conforto e andar com quem está indo para a frente.
O que levar deste vídeo
- Parceria com quem faz o que você não faz: tem trabalho para todo mundo.
- Ou invista pesado num serviço, ou saia dele.
- Revisão bem feita troca aos pares; bônus que zera com retorno garante qualidade.
- Lavagem sozinha não fecha: precisa de um fluxo que já existe.
- Pague bem quem é bom, e cobre o suficiente para isso.
- Comece com lojista, migre para o cliente final.



