Como aplico coating sem manchar, e por que o cliente contrata a mim, não o produto

As microbolinhas que avisam a hora de tirar, a técnica da conchinha no spray e como montar pacote de proteção que dá lucro e fideliza o cliente.

Coating e proteçãoPreço, vendas e gestão

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Neste episódio da série com o aluno que veio do Japão, peguei os coatings que uso no estúdio e mostrei a aplicação de cada um na prática, em cima de um capô. Mas a parte mais importante da conversa não foi a técnica. Foi o que acontece depois que o carro sai daqui.

O coating que avisa a hora de tirar

O coating de linha profissional que eu uso tem uma característica que pouca gente entende: depois que você espalha, ele começa a levantar microbolinhas na superfície. Essas bolinhas são o produto reagindo com o ar e ancorando na pintura. É o próprio produto te dizendo: “pode me tirar”.

Se você ignorar e deixar aquilo virar um mar de bolinhas, ele mancha. E aí você fica com manchas quadradas, no formato exato de cada área que aplicou.

A velocidade depende do ambiente:

  • Estúdio climatizado, temperatura agradável: as bolinhas demoram a aparecer, dá tempo de fechar a área com calma.
  • Lugar muito frio: demora mais ainda.
  • Calor forte: às vezes você termina de passar e as bolinhas já estão lá.

Levantou a primeira, a segunda bolinha? Já ancorou. Não precisa ficar repassando. Se você cruza várias vezes em dia quente, acelera a cura e se complica.

Aplicar em S, tirar como cera

O passo a passo é simples:

  1. Coloque o pano de suede no aplicador e faça uma “minhoca” generosa de produto.
  2. Aplique em S e feche um quadrado. Trabalhe por áreas.
  3. Quando as microbolinhas aparecerem, remova como se fosse cera.
  4. Vire para uma segunda microfibra limpa e dê o acabamento.

É por isso que o kit vem com duas microfibras: uma remove, a outra acaba.

O erro que eu mais vejo é tirar o produto só com a pontinha do pano. Essa ponta vai empurrando o lubrificante para os lados, você não limpa de verdade, e depois aparecem micromanchas. Pano aberto, tirando como cera.

Para quem não é profissional, eu indico a versão de entrada da mesma linha. A aplicação é igual, o toque é igual, levanta as mesmas bolinhas, mas não mancha se você demorar. Dá para passar no capô inteiro, ir tomar um café e voltar.

O coating em spray e a técnica da conchinha

O produto que eu mais gosto é o coating em spray, pela versatilidade. Dá para aplicar em repintura (ele não tranca a evaporação do diluente), em policarbonato, em rodas, por dentro das rodas, em frisos e em pinças de freio. Só não vai em tecido e vidro.

Isso resolve uma situação comum: você vendeu uma vitrificação e precisou pintar o para-choque. Com esse produto, dá para proteger a repintura também.

E aqui entra a técnica que eu criei e ensino nos cursos, a conchinha. Se você borrifa direto na peça, o produto pulveriza para os lados e cai onde não devia. Então eu faço uma concha com a microfibra na mão e borrifo dentro dela. Aplico, viro o pano, dou o acabamento e pronto.

É rápido. Um carro inteiro sai em uns 12 a 15 minutos. Numa live, com duas pessoas, uma aplicando e a outra vindo atrás com o acabamento, fizemos em 13.

Cura: o que o fabricante diz e o que eu faço

Depois de aplicado, o carro pode pegar sol, vento e poeira. O que ele não pode é pegar chuva e sereno durante a cura.

O fabricante pede mais tempo de cura do que eu dou. No meu processo, eu entrego em 24 horas. Apliquei num dia de manhã, entreguei no outro à tarde. Por quê? Porque carro parado no estúdio é dinheiro parado.

E se der problema? Se o cliente voltar reclamando, quem resolve sou eu. Lavo, passo uma boina de espuma, aplico o spray que está aberto na prateleira e devolvo. Isso me custa pouco. Perder um cliente que traz o carro da família inteira para cá me custa muito mais.

O cliente contratou você, não o produto

Esse é o ponto que falta para a maioria das estéticas. Muita gente não tem confiança no próprio trabalho. Qualquer coisa que dá errado, a culpa é do produto: “liga para a marca”.

Não. O cliente não comprou um vidrinho. Ele contratou você. O produto é o carimbo de qualidade do seu trabalho, não o seu trabalho.

Por isso eu digo para os alunos: não adianta voltar para casa e trocar de marca porque viu um produto aqui. Você tem que ver se ele cabe no seu processo e se vai dar mais resultado para o seu cliente. A maioria dos meus clientes nem sabe qual produto eu passo no carro. Eu vendo a experiência.

Como eu monto um pacote com dois carros

Um cliente queria proteger dois carros. Um frasco do coating profissional, bem aplicado, dá para um carro inteiro: lataria, para-choques, aberturas de porta, tudo.

Então eu joguei limpo com ele e propus:

  • O coating profissional só na lata (pintura) dos dois carros.
  • Para-choques, rodas e aberturas de porta com o coating em spray, justamente as áreas que mais sofrem atrito e arranham primeiro.
  • Os dois carros pelo valor próximo de um.

Ele fechou na hora e gostou da estratégia. Não vendi gato por lebre: expliquei exatamente o que ia em cada lugar.

Cera também tem lugar no pacote

Sim, eu uso cera. Num pacote de entrada, num carro branco com as aberturas de porta amareladas, eu não vou polir todas as aberturas, porque o pacote não cobre isso. Mas também não vou entregar amarelado.

Passo uma cera de limpeza (cleaner wax) nas aberturas, limpo e entrego pronto. Isso é gestão: entregar bem sem comer a margem do serviço.

A revisita vira venda

O cliente volta um ano e meio depois: “aquele toque liso sumiu”. Eu não discuto. Convido para um café e pergunto do carro. O banco está sujo, a roda está feia.

Fecho uma higienização interna e a pintura das rodas, que ele paga. Enquanto isso, passo uma boina de espuma na pintura e reaplico o spray, que no meu custo é baixo. Ele leva o carro e diz: “parece novo de novo”.

Quem resolveu o problema dele? Não foi a marca. Fui eu. É como o barbeiro que faz a barba de graça para o cliente fiel que só corta o cabelo com ele. Não é puxar saco, é cuidar de quem te sustenta.

Venda a proteção certa para cada cliente

Nem todo cliente precisa do coating mais caro. Se o cara vai rodar de aplicativo dois anos, debaixo de sol e chuva, lavando no lava-jato da esquina com esponja e desengraxante, não faz sentido vender o produto de maior durabilidade. Ele vai pagar caro e o carro vai estar arranhado de qualquer jeito.

Para esse cliente, é melhor um produto de durabilidade menor e uma reaplicação por ano. Ele gasta menos, o carro fica protegido e ele volta para você todo ano.

E quando chega um cliente novo, eu gosto de aplicar um produto de entrada e um repelente no para-brisa, mesmo sem ele pedir. Quando ele trocar de carro, vai lembrar da água escorrendo no vidro. E vai lembrar de quem fez.

Sobre a escolha entre cera, selante e coating, escrevi mais em cera, selante ou coating. E para ver um pacote completo de proteção num carro zero, veja o meu pacote mais premium. Tudo isso faz parte do Além do Brilho.

O que levar deste vídeo

  • As microbolinhas avisam a hora de tirar o coating. Esperou demais, mancha.
  • Aplique em S, feche um quadrado, tire como cera e acabe com uma segunda microfibra.
  • Não tire o produto com a pontinha do pano.
  • No spray, use a conchinha: borrife dentro do pano, não na peça.
  • O cliente contrata você, não o produto. Assuma o resultado.
  • Monte pacotes inteligentes: produto premium onde importa, produto versátil nas áreas de atrito.
  • Venda a proteção que combina com o uso real do carro, não a mais cara.

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