Assinatura de pintor: lixamento de marcação, taco duro e quando é melhor trocar a peça
Tirar o escorrido sem pelar, o lixamento de marcação que revela a sujeira, como lixar peças curvas e quando recomendar a troca da peça em vez de recuperar.
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Todo pintor tem a sua “assinatura”: o escorrido de verniz. E quem diz que nunca escorreu na vida está mentindo. No sétimo e último episódio com o Japa, eu mostrei a forma menos arriscada de tirar o escorrido, mas a aula foi além: o lixamento de marcação, o cuidado com peças curvas e uma conversa franca sobre quando é melhor trocar a peça do que recuperar.
Escorrido: a massinha como controle de lixamento
Já detalhei a técnica no post sobre como tirar escorrido de verniz. Em resumo:
- Isole em volta com fita para proteger o que não vai lixar.
- Aplique uma massinha de correção sobre o escorrido e deixe secar.
- Lixe com taco duro. A massa é o seu controle: enquanto tiver massa dos lados, o escorrido ainda está alto.
- Tirou toda a massa? Tirou o escorrido, sem pelar a volta.
- Refine com lixas mais finas, até 2000 e 3000.
Daria para tirar com lâmina ou raspador, mas essa é a forma sem risco de estragar.
Por que taco duro? Porque o taco duro nivela a cabeça do escorrido ou da sujeira. Um chinelo ou taco macio acompanha o formato e passa por cima.
Cuidado com a lixa de preparação: aquela 1200 preta é bem mais agressiva que uma 1200 de lixamento de verniz. Use para tirar a massinha, mas depois que a massa sumir, troque para a 1500, senão você pela.
Lixamento de marcação
Antes de lixar uma peça inteira, eu faço o que chamo de lixamento de marcação:
- Uma passada leve, com apoio firme, na peça toda.
- O objetivo não é tirar sujeira nem acertar textura. É marcar as cabeças de sujeira, que aparecem brilhando no meio do fosco.
- Depois, cata cada sujeira marcada com a lixa no taco duro.
- E só então uma lixa mais fina, parelha, na peça toda.
Pode ser feito com uma lixa um pouco mais grossa, desde que só marque, sem apertar. A partir daí: 1500, 2000, 3000 se quiser, e a peça fica acetinada, quase polida.
Com um lixamento assim, dá para entrar direto com boina de lã amarela e acabar com espuma, sem precisar da boina branca agressiva.
Peça curva pede outro cuidado
Na tampa traseira do carro de treino, a superfície era curva. Lixar uma curva com taco reto cria vinco. Então:
- Acompanhe a curva, “namorando” a peça.
- Para marcar, dá até para usar o lado macio, porque ele não vai tirar a sujeira, só marcar.
- Onde tiver sujeira para tirar, aí sim o apoio firme.
E lixe tudo parelho. Se um pedaço ficar com lixamento diferente, depois do polimento a textura fica diferente ali.
O lixamento depende do verniz que foi aplicado
Quanto melhor a aplicação do verniz, menos lixamento. Tem pintor em cabine de primeira linha que tira o carro quase sem precisar polir. Mas na estrutura média brasileira, e principalmente numa estética, a realidade é outra: sujeira vai cair, e o lixamento corrige.
Nesse mesmo carro, a tampa traseira ficou mais lisa que a lateral. Ali, nem precisou marcar: direto para a 1500. Na lateral, mais cascuda porque tinha muita sujeira, a marcação vinha antes.
E o pintor tem que pintar pensando em quem vai lixar e polir. Muito pintor que “não faz acabamento” aplica três, quatro demãos de verniz cascudo com medo de escorrer, e quem sofre é o polidor, nos cantos e nas dobras. Pintor e polidor precisam conversar. Falei disso no post sobre lixamento de repintura.
“Mestre, se tu disser que dá, eu pego”
Muitos alunos me mandam foto de uma porta raspada perguntando se podem pegar o serviço. E aqui vai uma conversa séria.
Muitos carros atuais têm lataria muito fina, para diminuir peso. O cliente acha que foi um dano superficial, mas qualquer batida “trabalha” a porta inteira. Recuperar exige funilaria, estruturar a porta, preparar e pintar.
O certo, muitas vezes, seria trocar a peça. Só que uma porta nova de concessionária pode custar uma parte grande do valor do carro, e porta de desmanche vem “pelada”: sem vidro, fechadura, maçaneta, borracha. Ajustar e transferir tudo também custa.
Então o cliente escolhe recuperar, você deixa a porta 90%, e ele aponta os 10% que faltam.
O que eu faço hoje: blindo no atendimento.
- Cliente detalhista? Recomendo trocar a peça. Peça nova, preparo, pinto, pinto até a cabeça dos parafusos, e ninguém percebe que foi trocada.
- Não quer trocar? Então combinamos antes que a recuperação entrega 90%, nunca 100%.
Fiz exatamente isso com um cliente antigo e detalhista que bateu o capô. Ofereci capô novo. Ele preferiu recuperar, e já sabe o que esperar. É a mesma lógica de prometer em porcentagem que contei no post sobre o café que fecha negócios.
Quando a técnica salva o cliente
No meio da gravação, um cliente e parceiro ligou para combinar o carro da semana seguinte. Foi ele que, uma vez, trouxe o carro de uma familiar numa sexta de manhã e precisava dele pronto no sábado. Entregamos. Quando você domina a técnica, consegue salvar até os seus melhores clientes num aperto. Mostrei como isso é possível no post sobre pintura fast em 40 minutos.
O que levar deste vídeo
- Escorrido: massinha como controle e taco duro.
- Lixa de preparação é agressiva: troque para a de lixamento quando a massa sumir.
- Lixamento de marcação antes de lixar a peça inteira.
- Peça curva: acompanhe a curva para não criar vinco.
- Lixamento parelho, senão a textura muda depois do polimento.
- Pintor e polidor precisam conversar.
- Cliente detalhista: recomende trocar a peça; recuperação é 90%, combinado antes.
O lixamento e a pintura rápida, com os cuidados de cada etapa, estão no Repara Fast.



