Junior Talks 002: Jesiel Elias, o aluno que eu mandei procurar outra coisa

O Jesiel fez curso de estética comigo e ouviu que não era para ele. Hoje comenta arbitragem. Sobre vocação, processo e o café que fecha negócio.

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O segundo convidado do Junior Talks parece não ter nada a ver com o estúdio: o Jesiel Elias é comentarista de arbitragem numa rádio esportiva de Porto Alegre, árbitro há 15 anos, bombeiro voluntário e começando a dar palestras. Mas tudo tem um porquê.

“Larga, que isso não é para ti”

Em 2020, um cara com ótima dicção me ligou querendo fazer o curso de estética. Veio, pagou, fez o primeiro dia conversando, o segundo dia conversando. No terceiro, eu falei: isso não é para ti.

Não que ele não tivesse jeito. Mas tudo nele (a postura, a fala, a facilidade de se comunicar) apontava para outro lado. Sugeri que fizesse um teste vocacional.

Ele conta que, na hora, doeu. Achou que eu tinha sido duro. Mesmo assim, ainda estagiou umas vezes aqui, polindo e arrumando rodas, e percebeu sozinho: gostava do ambiente, mas não era a praia dele.

Eu acho que esse é um papel de quem ensina: dizer a verdade mesmo quando ela não vende mais um curso.

Da live na pandemia à rádio

Na pandemia, todo mundo fazendo live, e o Jesiel pensou: eu consigo fazer isso melhor. Entrevistou mais de 30 árbitros, de várias categorias e modalidades. Depois, trabalhou como head de comunicação numa empresa de tecnologia, onde alguém viu nele o que ele mesmo não via.

Mas ele percebeu uma coisa: estava comunicando o que não vivia. Quando gravou um vídeo despretensioso falando de arbitragem, que é a vida dele, o vídeo chegou à direção de uma rádio. No dia seguinte, estava fazendo teste. Em poucas semanas, foi contratado.

A lição é a mesma que eu prego na estética: fale do que você domina. Conteúdo de quem vive o assunto tem outro peso.

A regra do jogo é o processo

Uma fala dele me chamou atenção: muitos erros no futebol vêm de quem apita em cima de conceito, não da regra. A regra é clara.

É exatamente a minha briga no suporte técnico de coating. Tem gente que não respeita o processo do produto. Se o processo é um mais um mais um, não é dois mais um. Eu uso o exemplo do remédio: se o médico mandou tomar 30 mg, não são 50. Se fosse para dividir em três doses, ele teria dito.

O mesmo vale no polimento. Quando ele fez o curso, eu ensinei a posição da boina, e ele insistia em trabalhar na ponta: pelava a pintura. Existe um porquê para cada passo.

Café fecha negócios

O Junior Talks tem café, e não é só cenário. Um cliente me disse uma vez: café fecha negócios. O Jesiel concordou: em todo treinamento de empresário que ele fez, o momento mais valioso é o coffee break. É ali que a pessoa relaxa, conversa e surge o negócio, mesmo pequeno: ele arranja um árbitro para o seu jogo de fim de semana, você faz o polimento do carro dele. Escrevi mais sobre isso em café fecha negócios.

Artesanal não é linha de produção

Por fim, falamos de referência. Ninguém vira referência por ser perfeito. Eu posto os trabalhos de 24, 25 anos de profissão, e alguém sempre aponta: não ficou perfeito. Não fica. Fica próximo da perfeição, porque é um trabalho artesanal, feito por mim e mais quatro pessoas, e não por uma linha de produção com cem funcionários onde ninguém sabe quem mexeu no seu carro.

Ser referência é manter um padrão de atuação, dar opinião sincera e ter o direito de errar.

O que levar deste vídeo

  • Quem ensina tem o dever de dizer a verdade, mesmo que perca uma venda.
  • Fale do que você vive: é isso que dá credibilidade.
  • Siga o processo: cada passo tem um porquê.
  • Tenha um café no seu espaço: é ali que os negócios acontecem.
  • Trabalho artesanal busca a perfeição possível, não a impossível.

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