Como o Felipe saiu de tickets de R$ 250 para serviços de R$ 1.500 a R$ 4.000 em Lages (SC)
O Felipe começou com lavagem a seco na pandemia, chegou a 200 carros por mês e hoje vende pintura com polimento e higienização. Menos carros, mais margem.
Histórias de alunosLavagem e higienizaçãoPreço, vendas e gestão
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O Felipe tem uma estética em Lages, na Serra Catarinense, a uns 200 km de Florianópolis. Gravamos essa conversa num fim de dia, os dois ainda com cara de quem estava pintando para-choque.
Da lavagem a seco à estética
Ele começou há pouco mais de cinco anos, no auge da pandemia, quando quase nada podia funcionar. Fez cursos online de lavagem a seco e começou. Com três meses tinha um funcionário, com cinco, outros, e com sete foi para o primeiro espaço físico.
Logo percebeu que lavagem rotativa não dá lucro. Foi agregando cursos: a primeira especialização foi couro (pintura e restauração), depois o Repara Fast, no presencial em Itajaí.
Quem já pinta couro aprende mais rápido
Quem já pintava couro chega ao reparo rápido sabendo usar a pistola, entendendo primer, massa, tinta e verniz, e sabendo que não se pinta peça suja. O passo a passo é o mesmo.
Com uma diferença: a tinta de couro não tem catalisador. Se você coloca material sobre material, ela fica borrachuda, não seca, e você precisa arrancar tudo e recomeçar. Na pintura automotiva, como quase tudo é catalisado, dá para salvar. Na mesma semana, um para-choque caiu do cavalete depois de pintado: curei no infravermelho, um pouco de massinha onde marcou, uma poeirinha de tinta e verniz de novo. Veja pintura de banco de couro.
Ele não pinta: coordena
O Felipe fez o curso para entender a técnica, não para pegar na pistola todo dia. Ele trabalha com dois funileiros terceirizados. Com o conhecimento, consegue avaliar o acabamento, corrigir uma sujeirinha, nivelar a textura e cobrar quando algo não está certo.
O motivo de ter feito o curso: recebia muita pintura ruim para polir, com textura errada, contaminação, escorrido. Hoje a estética dele avalia antes de liberar e corrige na hora, se for preciso. Como ele diz, sem conhecimento técnico, você não consegue coordenar quem faz.
Pintura vende o resto
Hoje eles fazem duas a três pinturas por semana, e quase sempre com higienização, polimento comercial ou técnico, às vezes vitrificação junto. Os tickets ficam entre R$ 2.000 e R$ 3.000, e chegam a R$ 4.000 (valores da época do vídeo). Antes, giravam em R$ 250, R$ 300.
Num dia da semana da gravação, por exemplo: um Golf com três peças pintadas virou polimento e higienização; um Civic com cinco retoques volta para polimento. Quantos detalhamentos de R$ 200 seriam necessários para isso?
Casa cheia não é dinheiro
Um ano antes, a estética do Felipe tinha 15 carros no pátio e passava de 200 carros por mês. Era loucura. Faça a conta: para faturar R$ 2.500 com serviços de R$ 250, são 10 carros. São 10 clientes, 10 riscos de arranhar ou estragar algo, 10 taxas de cartão, três ou quatro funcionários. Do faturamento, sobra bem menos.
Com poucos carros de ticket alto, a dor de cabeça diminui. Você fecha a semana na segunda e trabalha tranquilo até sexta. Hoje o Felipe tem agenda de pintura só para a semana seguinte, e mais tempo com a família: antes trabalhava até tarde e aos domingos.
Menos espaço, mais margem
O espaço dele tem 750 m². Com o foco novo, ele pensa em ir para um lugar menor: menos aluguel, menos custo operacional, mais margem.
E está saindo da lavagem convencional de R$ 70, R$ 100: em dois meses, só para clientes antigos. O resto vira lavagem detalhada (motor, roda por dentro). Ele atende só particulares e uma concessionária de 0 km, e 80% dos clientes já são fiéis.
Cardápio com menos opções
O cardápio dele tinha opções demais. O cliente é leigo e se confunde. Agora ele está montando cinco pacotes fixos. O meu tem um de entrada, dois intermediários e dois premium, que mudam só o acabamento final. Como num restaurante: cardápio gigante faz você se perder. Veja o café que fecha negócios e o cardápio.
Rasgo no gomo: troque e pinte
No grupo de alunos de couro, um aluno queria consertar um rasgo grande. A orientação: troque o gomo com um bom estofador, pinte e entregue. Enquanto o banco está fora, a equipe lava, pole e higieniza. Depois são quatro parafusos e o plug do airbag.
O que agregar (e o que evitar)
O Felipe me perguntou sobre fazer troca de óleo. Minha resposta: furada. Carros modernos têm óleos e especificações complexas, e um erro numa troca de óleo pode dar um prejuízo enorme para pouca margem. Já trocar lâmpada por LED ou super branca é simples, plug and play, sem risco. Sensor de estacionamento também. Escolha serviços em que o risco cabe na margem.
O que levar deste vídeo
- Lavagem rotativa quase nunca dá lucro.
- Conhecimento técnico serve para coordenar e cobrar quem faz.
- Pintura vende polimento e higienização junto.
- Poucos carros com ticket alto reduzem custo, risco e cansaço.
- Cardápio enxuto: o cliente decide mais fácil.
- Só agregue serviços em que o risco cabe na margem.
Leia também a história do Kaique, outro aluno que subiu o ticket.



