Pintura rápida na estética não é pintura de funilaria: do lixamento do primer ao verniz
Primer lixado até a 1200 de preparação, lixa seca ou molhada, linha de produtos casada, pistola acompanhando a peça e verniz em três ou quatro demãos.
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Terceiro episódio do Repara Fast com o Japa. Depois de um dia inteiro de preparação, era hora de lixar o primer e pintar. E foi no meio da pintura que eu expliquei a diferença que mais importa para quem tem estética: a pintura da estética não é a pintura da funilaria.
Lixamento do primer: termine a preparação na 400
Eu sempre termino a preparação na 400. É o que diminui o risco de aparecer marca de lixa depois. Com um primer de acabamento aplicado, a sequência para pintar é:
400, 600, 800 e 1000 ou 1200 de preparação.
Cuidado com a numeração: a 1200 de preparação, aquelas lixas pretas ou vermelhas, é bem mais agressiva que uma 1200 de lixamento de verniz para polir. Quando eu falo em terminar na 1200 de preparação, não é a mesma coisa que lixar verniz com 1200. Expliquei a diferença de escalas no post sobre manter a textura original.
E controle: lixou demais com a 400, quando passar a 600 e a 1200 você pela o primer. Com um taco de EVA firme, que não ondula mas acompanha a curva, você controla melhor.
Lixa seca ou molhada?
As duas funcionam no acabamento, é gosto pessoal. Aqui no estúdio, o seu Luiz prefere seco; eu prefiro com água e detergente neutro no balde.
- Seco: mais limpo, dá para usar aspirador, sem risco de umidade na chapa. No frio, ninguém precisa esquentar água na chaleira.
- Com água e detergente: você já vai desengordurando a peça enquanto lixa, o que ajuda quando não dá para tirar friso ou borracha.
Uma regra, porém: na preparação, que expõe a chapa, sempre seco. Água na preparação pode deixar umidade na lata e, meses depois, brotam bolinhas de ferrugem por baixo da tinta. Algumas oficinas preparam com água porque não podem fazer pó, por estarem embaixo de prédio. O certo é seco; água só nos acabamentos finais. Por isso eu prefiro lixas que funcionam secas e com água.
Use a linha de produtos casada
Eu uso massa, primer, verniz e catalisador da mesma linha. Muitos acham frescura, mas é o que diminui o risco de incompatibilidade.
E nunca misture acelerador ou catalisador de outra marca. Antigamente a gente comprava acelerador de uma linha premium e colocava em produtos populares no inverno, porque não tinha recurso. Hoje tem: se precisa de secagem rápida, compre o diluente de secagem rápida da mesma linha e siga a tabela. Falei mais sobre isso no post qual verniz usar.
A pistola acompanha a peça
O Japa estava pintando a tampa traseira como se fosse uma superfície reta. Não é. A pistola é uma ferramenta e precisa acompanhar o formato da peça:
- Incline conforme a curva. Numa lateral curva, se você toca sempre reto, a parte de cima fica enfumaçada.
- Posicione-se para enxergar o que está pintando, olhando o brilho.
- Leque e vazão ajustados: estava saindo tinta demais, fechei uma volta e meia. Carregar além do necessário arrisca olho de peixe e escorrido.
- Nos cantos, gatilho em pulsos curtos (“entra, sai, entra, sai”) para não escorrer.
Boa pintura é aplicação, coordenação e visão. Sem enxergar a peça, não tem como.
Três ou quatro demãos de verniz
Pintamos sem macacão, de camiseta que solta fiapo, abrindo e fechando a porta, só com o piso lavado. Vai cair microssujeira. Por isso, na estética, eu ensino três ou quatro demãos de verniz: sobra camada para catar a sujeira e acertar a textura no lixamento, e a peça fica com o padrão original.
E quando dá olho de peixe demais? Ou você lava a peça com thinner na hora, ou espera o verniz secar, preenche cada buraquinho com massa, taqueia bem, e dá tinta e verniz de novo. Depois de uma semana, você vai notar uma leve “murchadinha” no lugar. Só você.
R$ 700 x R$ 2.300: o que o cliente compra
Esse carro de treino, se fosse de cliente, precisaria pintar a lateral e fazer o degradê na porta, com acerto de cor e verniz na porta inteira. Meu orçamento seria uns R$ 2.300 com a funilaria (valores da época do vídeo).
O dono de um carro desse valor talvez não queira pagar isso. Vai num pintor que cobra R$ 700. E por R$ 700, o pintor:
- não desmonta friso;
- não alonga a cor na peça vizinha;
- usa tinta pronta para uso sem acerto de cor e um verniz barato;
- e depois explica que “com o sol melhora” ou que “uma polida resolve”.
Nenhum dos dois está errado: são clientes diferentes. O problema é cobrar R$ 700 e prometer o trabalho de R$ 2.300. Ou fazer um retoque no meio do para-lama para economizar verniz, que é o que eu chamo de economia burra. Neste mesmo carro tinha uma mancha de retoque assim. Conto mais sobre preço no post sobre por que não cobrar barato.
Saiu do curso? Comece pelo material pago
O Japa terminou o treino animado, perguntando se já tinha clientes. Já tem: eles mesmos pedem. O primeiro passo que eu sugiro:
- Combine com um conhecido: ele paga o material, você faz o serviço, sem garantia.
- Com uns R$ 300 de material simples, você faz o primeiro trabalho com calma.
- Vai ficar 80%, 90%, e o cliente vai gostar.
- Ficou ruim? Lixa e faz de novo.
Ele pagou o material, você ganhou prática e ficou com sobra de produto. A partir daí, você só gasta com a tinta dos próximos. O importante é pintar logo, enquanto a prática está fresca, e não esperar o espaço perfeito.
O que levar deste vídeo
- Termine a preparação na 400; lixe o primer até a 1000 ou 1200 de preparação.
- A 1200 de preparação não é a 1200 de polimento.
- Na preparação, sempre seco; água só nos acabamentos.
- Linha de produtos casada e diluente de secagem da mesma linha.
- A pistola acompanha a curva da peça.
- Na estética, três ou quatro demãos de verniz.
- Cobrar pouco e prometer muito é o que estraga o mercado.
- Comece pelo serviço com material pago.
A pintura rápida completa, do primer ao verniz, está no Repara Fast.



