Preparação para pintura na estética: sequência de lixas, massa e primer sem abrir demais o reparo
A escada de lixas antes e depois da massa, puxar amassado com cola quente, catalisar sem a massa sangrar e o primer aplicado de fora para dentro.
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Segundo episódio com o Japa, o polidor que veio do Japão fazer o Repara Fast presencial. Neste dia foi só preparação: criei amassados pequenos num carro de treino e os alunos prepararam até deixar tudo com primer aplicado. De tarde eu não dou aula, só fico do lado de cada um tirando dúvida.
O que eu mais corrijo na preparação de quem está começando é sempre a mesma coisa: abrir o reparo demais. Dois ou três pontinhos viram uma lateral inteira de primer.
Arranhão sai na lixa, amassado precisa de massa
- Arranhão superficial sai no lixamento: 220, 320, 400 e primer. Às vezes nem isso, sai no polimento.
- Amassado não sai na lixa. Precisa de um preenchimento de massa poliéster.
A própria lixa mostra onde está o buraco: passou o taco, o ponto que não marcou é o fundo do amassado. É ali que vai massa.
E uma regra que muita gente erra: massa só vai na lata. Massa em cima da tinta descasca. Abra bem o ponto com a lixadeira até aparecer metal e só então aplique.
A escada de lixas: nunca pule um degrau
A sequência que eu uso:
- Antes da massa: 80, 150, 220.
- Depois da massa: 150, 220, 320, 400 e primer.
- Lixamento do primer: 320 ou 400, depois 600, 800 e 1000, e só então a pintura.
O que não pode é pular degrau. Lixou com 80? Precisa passar 150 antes de 220. Se for da 80 direto para 220, a marca da 80 fica e aparece depois da pintura. É assim que nasce o “cabelinho de anjo”.
E cada lixa mais fina passa um pouco além da anterior, num degradê. Quanto mais agressiva a primeira lixa, maior o degradê. Por isso: não use 80 onde não precisa. Um aluno passou 80 numa área que era só arranhão superficial e transformou um retoque pequeno numa área enorme de preparação. Quanto mais experiência, menor a área que você abre.
Isolamento de cima para baixo, uma vez só
Se a fita de cima ficar por baixo da de baixo, a politriz ou a lixa pegam a borda e levantam. Isole de cima para baixo, sobrepondo.
E em volta de borracha que não vai sair, faça camadas:
- Isole bem a borracha com duas ou três fitas.
- Para lixar com água, tire só a fita de beira, lixe, seque e recoloque.
- Depois de pintar e envernizar, tire de novo só a fita de beira. As de baixo continuam protegendo a borracha no lixamento e no polimento.
Isolou bem uma vez, só troca a fita de beira em cada etapa.
Amassado pequeno: puxe com cola quente antes de dar massa
Com cada vez mais carros híbridos e elétricos, nem sempre dá para usar a repuxadeira elétrica. Uma técnica que eu uso há anos:
- Cola quente no centro do amassado e uma ventosa do tamanho certo.
- Espere uns 30 segundos a 1 minuto, sem deixar a cola esfriar demais.
- Calce a ferramenta atrás e puxe primeiro de leve. Se der o tranco logo de cara, a ventosa descola.
- Depois, um golpe com o martelo dinâmico para “estourar” o amassado para fora.
O amassado volta quase todo e precisa só de uma camadinha de massa. Num SUV híbrido que entregamos, um amassado grande voltou quase 100% assim.
Cuidados:
- Não use em repintura que você não vai pintar. A cola pode arrancar a tinta. Em pintura original, é raro acontecer.
- Não funciona em plástico nem fibra. Eles não têm memória.
Não é martelinho de ouro. A ideia é diminuir a quantidade de massa, não eliminar a pintura.
Massa: misture até mudar de cor
Pegue sempre catalisador compatível com a massa e misture dobrando e tombando até a cor ficar uniforme. Ficou ponto rosa? A massa não está bem catalisada e vai “sangrar” na lixa. Tire esse pedaço e misture de novo.
Na aplicação:
- Primeira passada bem puxada, para ficar com o mínimo de ar.
- Última passada um pouco mais alta. Prefiro dar massa uma vez só a lixar e descobrir buraco.
- Para lixar a massa, use taco reto. Lixar com a lixadeira inclinada tira tinta, mas perde a base reta que você precisa preencher.
E lixe numa posição confortável, em pé ou de lado. Ajoelhado, você perde o controle e a coluna.
Primer: poeira na lata, depois de fora para dentro
Onde apareceu lata, só uma poeirinha de primer antes de tudo, para evitar corrosão e não mapear a massa.
Depois vem a atualização que eu fiz no processo, porque o jeito antigo dava problema:
- Antigo: primer localizado no ponto, depois as demãos abrindo de dentro para fora. O overspray de cada demão ficava empoeirado na borda e, na hora de lixar, a primeira demão aparecia marcada.
- Hoje: a primeira demão já cobre a área toda, parelha, selando a peça. As demãos seguintes vão de dentro para fora. Assim, todo overspray cai sobre uma base já ancorada, e no lixamento você tira as últimas demãos e a primeira fica uniforme.
Aplicar primer é treino de pintura: comece e termine sempre no mesmo lugar, distância constante, olhando o brilho. Quem aplica bem o primer pinta melhor depois.
O “projeto paga-conta”
Este carro de treino teria que pintar lateral, para-choques, teto e farol. De rápido não tem nada. Mas é o tipo de carro que vira o que eu chamo de projeto paga-conta: o cliente quer dar um jeito no carro, não tem pressa, e você combina cobrar de mão de obra o mesmo valor que gastar de material.
Você encaixa esse carro nos horários parados, a equipe adianta o que der e, em 30 dias, entrega. Pagou o material, sobrou a mão de obra, e você treinou. Só não pode deixar esse projeto travar os carros que pagam melhor.
Pequenos extras que somam
- Capas de retrovisor: preparou dois carros de manhã? Pinte as capas no fim do dia, junto. Meia hora a mais, um valor a mais por carro. Em cor sólida num carro já amarelado pelo tempo, uma tinta pronta pelo código resolve.
- Roda como troca: o cliente quer pagar parcelado? Ofereça pintar uma roda se ele pagar à vista. O material da roda custa bem menos do que a taxa que você perderia no cartão.
- Pinte as rodas em pares. Se não sabe exatamente qual é o prata, pinte as duas do mesmo lado: o cliente não sai correndo para comparar com o outro lado.
Separe as tarefas
Fazer de tudo não é ser “faz-tudo”. Eu pinto, polo, instalo multimídia, mas uma coisa de cada vez. Polindo, não pinto, porque a sujeira da roupa vai para a pintura. Pintando, ninguém faz acabamento por perto.
É isso que faz o reparo rápido funcionar numa estética e não numa funilaria de alta produção, onde ninguém quer polir com cinco preparadores levantando poeira do lado. Conto mais sobre a organização no post do tour do estúdio.
O que levar deste vídeo
- Arranhão sai na lixa; amassado precisa de massa, e massa só na lata.
- Escada de lixas sem pular degrau, com degradê.
- Não use lixa grossa onde não precisa: o reparo cresce.
- Isole de cima para baixo e troque só a fita de beira.
- Amassado pequeno: cola quente e ventosa antes da massa.
- Massa bem catalisada, sem pontos de outra cor.
- Primer: poeira na lata, primeira demão cobrindo tudo, depois de dentro para fora.
- Encaixe projetos paga-conta nos horários parados.
O passo a passo completo de preparação e pintura rápida está no Repara Fast. A pintura que vem depois desta preparação está no post sobre pintura fast em 40 minutos.



