Pintura tricoat dentro da estética: a lateral do Compass passo a passo (Série SPA)
Base branca barata, degradê em ângulo de luz, pérola aplicada sem medo, verniz em três demãos com 10 minutos entre elas e retoque na coluna com tíner.
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Este é o segundo episódio da Série SPA com o Compass branco tricoat. O projeto completo, de lataria a película, está em Compass 2018 com cara de 2025. Aqui o foco é a pintura da lateral.
O que esse carro tem de “fast”?
Tudo. Recuperação e pintura da lateral, dois para-choques, aplique da lateral, teto plotado em black piano, cromados e emblemas em black piano, detalhamento, proteção, higienização interna, películas. Tudo em praticamente uma semana, num único lugar. Se o cliente fosse atrás de cada profissional separado, levaria quase 30 dias.
O projeto ficou em torno de R$ 11.500 (valores da época do vídeo). Quantos carros de R$ 500 você teria que fazer para chegar nesse ticket? E junto com ele, eu toco projetos menores: remoção de concreto, detalhamento com proteção, rodas em black piano. Sobre isso, leia como triplicar o lucro da estética.
Uma decisão de gestão: as rodas de outro carro estavam descascando muito. Mandei para um parceiro especializado, que decapa tudo e começa do zero. Se eu fizesse aqui, me tomaria um tempo que eu não tinha.
Isolamento com calma
Eu deixei o isolamento para o dia seguinte, descansado, para fazer nos mínimos detalhes. Algumas dicas:
- Levantei a pestana da borracha para isolar bem na beirinha, sem precisar remover.
- Fita virada onde não quero que a poeira da base entre.
- Limpeza do piso com detergente na snow foam, porque a espuma mantém o chão úmido por mais tempo e segura a poeira.
- Desengraxante biodegradável (o de cozinha) para tirar a gordura das mãos, aplicado com borrifador de espuma para não molhar as fitas. Depois, desengraxante químico com papel virgem, que não solta fibra.
- A partir daí, a mão não encosta mais na pintura. Só o pano pega-pó ou o papel com desengraxante.
Tricoat: acerte a base e o efeito
No tricoat, a casa de tintas precisa acertar a cor da base e a quantidade de efeito. Não é só o efeito. Mandei fazer meia lata de cada.
E sobra tinta, porque eu sempre cubro antes com uma base branca pronta para uso, barata (uns R$ 65 o litro, valores da época do vídeo). Com o primer já coberto de branco, a tinta do carro cobre mais rápido.
Degradê sempre em ângulo
Eu nunca faço degradê reto. Mesmo com acerto de cor perfeito, a tinta que termina reta corre o risco de ficar marcada, como o “chapéu” que os antigos faziam. O degradê procura um ângulo de luz, um friso, um vinco.
Na parte de baixo da porta havia duas batidinhas de pedra. Em vez de levar tinta até o fim da porta, cobri só ali com a cor do carro e o degradê de pérola escondeu as duas.
Três demãos de tinta, a última um pouco mais carregada. Pega-pó entre elas: aquele “chique-chique” é o pó solto da base.
Pérola: mexa bem e aplique sem medo
- Mexa bem a pérola. Parada um ou dois dias, ela decanta.
- Foram duas demãos, como a casa de tintas indicou.
- Aplique carregado, como se fosse tinta. Pérola enfumaçada, aplicada com medo, fica manchada, e aí não adianta procurar culpado.
- O degradê da pérola passa além de onde foi a tinta.
Verniz em três demãos
Usei um verniz que eu gosto para projetos com tempo total de cura, catalisado na balança. Ele é pronto para uso. Às vezes eu coloco 10% de tíner para deixar mais liso, mas o Compass tem textura de fábrica bem crespinha, então não coloquei.
- Primeira demão sem carregar. Eu trabalho numa estética, não numa oficina de pintura. Se tiver qualquer gordura no ambiente, carregar na primeira dá olho de peixe.
- Segunda mais molhada, terceira mais lenta, já deixando o filme pronto.
- Respeite o tempo entre demãos: com a peça a 25, 30 °C, uns 10 minutos. A 10, 15 °C, até 20 minutos. Sem isso, o verniz não evapora e tende a murchar.
Por que três se a segunda já estava linda? Porque dá mais segurança para quem vai lixar e polir. Eu sempre deixo a textura um pouco acima da original, para dar margem ao lixamento.
Retoque na coluna
Na coluna, emendei o verniz novo no antigo com tíner de retoque: um golinho na caneca suja de verniz, borrifo fora as primeiras para limpar a agulha e aplico na emenda. A área precisa estar bem lixada. Tem quem lixe com 800 ou 2000; se dá certo para você, ótimo. Do meu jeito, de cada 30 ou 40 retoques, um abre e eu refaço.
Hora de tirar as fitas
- Encoste o dedo: se o verniz ainda gruda, espere.
- A fita de beira é a última a entrar e a primeira a sair.
- Puxe sempre cortando, ao contrário, para quebrar o verniz e não deixar degrau.
Uma lição para mim: devia ter tirado a maçaneta antes. Teria economizado trabalho de isolamento.
O que levar deste vídeo
- Isolamento com calma, e depois disso a mão não toca a pintura.
- Tricoat: a casa de tintas acerta base e efeito.
- Base branca barata antes acelera a cobertura.
- Degradê em ângulo de luz, nunca reto.
- Pérola bem mexida e carregada.
- Verniz: primeira sem carregar, 10 a 20 minutos entre demãos conforme a temperatura.
- Fita de beira sai primeiro, puxando ao contrário.



