Verniz em quatro demãos que valem duas: a técnica para pintar na estética sem olho de peixe

Por que a primeira demão molhada abre olho de peixe numa estética, os intervalos de 5 e 10 minutos e como acertar a textura nas duas últimas demãos.

Pintura e reparo rápido

Prefere assistir? Esse post saiu deste vídeo do canal. Abrir no YouTube →

Toda estética automotiva tem contaminante no ar: vitrificador, produtos de acabamento, produtos com silicone escondido na fórmula. Você pode lixar com desengraxante, limpar a peça com o melhor desengraxante químico, e ainda assim uma micropartícula de gordura que estava no ambiente pousa na peça.

É por isso que quem tem estética e está começando a pintar não pode aplicar verniz como numa cabine pressurizada de funilaria. Neste vídeo eu desenho o porquê e mostro a técnica que uso: quatro demãos que valem duas.

Se você trabalha em cabine pressurizada e já domina a técnica, este post não é para você. É para quem está trazendo a pintura rápida para dentro da estética.

Por que a primeira demão molhada abre olho de peixe

Imagine o verniz chegando molhado, já “alastrando”, aquele verniz que parece sair polido da pistola. Quando ele encontra a micropartícula de gordura, não consegue ancorar e abre uma cratera em volta: o olho de peixe.

E se você der a segunda demão molhada por cima, o verniz escorre para dentro da mesma cratera e ela abre ainda mais. Depois disso, não tem solução simples.

O remédio dos pintores antigos é pingar uma gotinha de verniz em cada furo com um palito. Funciona em peça deitada. Numa peça vertical, como um para-lama, você não consegue preencher furo por furo, e no dia seguinte, depois do lixamento, as bolinhas de verniz aparecem.

A técnica: quatro demãos como se fossem duas

  1. Primeira demão bem enfumaçada. Seca, sem alastrar. Se tiver uma micropartícula de gordura, ela mostra um mini olho de peixe, mas não abre a cratera.
  2. 5 minutos depois, a segunda demão, um pouquinho mais carregada, mas ainda enfumaçada. Ela cria uma camada um pouco mais alta e ameniza o efeito da gordura. As duas juntas funcionam como uma demão só, com acabamento levemente acetinado, sem brilho molhado.
  3. Espere 10 minutos.
  4. Terceira demão: aproxime a pistola, aumente a velocidade e deixe o verniz alastrar. Agora sim ele estica, reduz a casca de laranja e cobre sujeira e gordura.
  5. 5 minutos depois, a quarta demão, alastrando também e fechando.

Resumo: primeira empoeirada, segunda enfumaçada, terceira alastrando, quarta fechando. Quatro demãos, que valem duas.

Terminou? Um painel infravermelho ajuda a evaporar os diluentes antes de manobrar o carro, principalmente no frio.

Verniz de sobra para acertar a textura

O resultado das duas primeiras demãos é um verniz um pouco mais cascudo, perto da textura de fábrica. E isso é bom: você tem verniz de sobra para catar as microssujeiras e acertar a textura no lixamento, deixando a repintura com a cara do resto do carro.

É muito mais fácil lixar um verniz com camada sobrando do que tentar consertar duas demãos molhadas cheias de crateras. Expliquei por que a textura original importa no post sobre o capô liso demais.

Ajuste a textura na terceira e na quarta demão

É nas duas últimas demãos que você controla a textura final:

  • Quer mais cascudo, para combinar com uma pintura original de casca de laranja marcada? Diminua um pouco a pressão e aplique um pouco mais devagar.
  • Precisa mais liso? Aumente um pouco a pressão, aproxime a pistola e aplique um pouco mais rápido.

Eu prefiro deixar um pouquinho mais cascudo que a peça vizinha, porque quero ter margem para lixar e catar sujeira.

Resultado

No vídeo eu mostro um capô e um para-lama pintados um dia antes com essa técnica. A textura ficou bem próxima da original da montadora, com algumas microssujeiras, que fazem parte de toda repintura. A partir daí, é lixar com lixas finas, terminando em 2000 e 2500, e polir. Mostrei esse processo no post sobre lixamento de repintura.

Um detalhe do para-choque desse mesmo carro: fiz o retoque bem lá em cima, perto da borda, para não deixar marca de retoque no meio da peça, perto do farol. Onde fazer a emenda conta tanto quanto como.

O que levar deste vídeo

  • Estética tem contaminante no ar; desengraxar não elimina tudo.
  • Primeira demão molhada abre olho de peixe; a segunda molhada piora.
  • Quatro demãos: empoeirada, enfumaçada, 10 minutos, alastrando, fechando.
  • Intervalos de 5, 10 e 5 minutos.
  • As duas primeiras protegem; as duas últimas dão brilho e textura.
  • Ajuste a textura na pressão e na distância das últimas demãos.
  • Deixe verniz de sobra para lixar e catar sujeira.
  • Faça o retoque perto da borda, nunca no meio da peça.

A técnica completa de pintura rápida dentro da estética está no Repara Fast. Para escolher o verniz, veja qual verniz usar.

Leia também