Speedway Detailers 2025: o cliente que reforma em vez de trocar de carro
No Speedway 2025: não ser escravo da máquina, lixa a seco e com água, material fornecido ao terceirizado e o cliente que faz upgrade no carro.
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Mais um ano de Speedway Detailers, em Balneário Camboriú, o maior evento de car care do Sul. Fomos eu, o Douglas, o pessoal da Miromi e o Bruno com a câmera. Foi um dia de corredor: reencontrar gente, trocar técnica e ouvir como anda o mercado. Estas são as conversas que valem.
Não seja escravo da máquina
Encontrei um instrutor com quem eu já tinha discordado publicamente sobre rotativa e roto-orbital. A conversa foi ótima, e chegamos ao mesmo lugar: o profissional não pode ficar escravo de uma máquina.
Eu uso rotativa em repintura e em situações extremas. E tenho projetos inteiros feitos só com roto-orbital, quando preciso só de ativação de brilho antes de uma proteção rápida. Ele contou de um aluno que não conseguia fazer a rotativa parar de “sambar”: bastou segurar firme, inclinar levemente e deixar a máquina trabalhar. A filosofia dele, que eu assino: é melhor saber e não precisar do que precisar e não saber.
Para o profissional antigo, que domina a rotativa: continue corrigindo com ela e use a roto-orbital no acabamento. Para o novo, que só usa roto-orbital: dê uma atacada com a rotativa no defeito, deixe marcar e tire as marcas com a máquina que você domina. Leia rotativa x roto-orbital no mesmo capô.
E sempre que puder fazer treinamento com outro profissional, faça. Você não precisa copiar, mas sempre pega uma sacada para adaptar ao seu negócio.
Lixa a seco, lixa com água
Na conversa sobre lixas, expliquei como eu trabalho:
- Preparação a seco até a aplicação do primer.
- O primer eu prefiro lixar com água, com um pouco de detergente: rende mais e não levanta pó.
- Algumas lixas perdem muita agressividade quando você usa com água sendo feitas para uso a seco. As híbridas funcionam bem dos dois jeitos.
Pequenas economias que somam
- Papel de mascaramento não precisa ir direto para o lixo: o que eu uso na cabine reaproveito na área de preparação, e só depois descarto. Se o preparador amassa tudo e joga fora, não há dinheiro que aguente.
- Num estúdio que pinta, fora com produto que gera gordura: verniz de motor e acabamentos com silicone causam olho de peixe. Para plástico, uso um acabamento à base d’água, multiuso.
O material do terceirizado sou eu que dou
Uma regra que adotei depois de levar susto: o material do terceirizado é fornecido por mim. Não importa quanto ele cobra de mão de obra. Já aconteceu de um prestador, apertado de dinheiro, aplicar um PPF mais barato do que o combinado, e eu só descobri depois. Quem responde ao cliente sou eu. Por isso, eu controlo o material.
O cliente que faz upgrade em vez de trocar
A melhor conversa do dia foi sobre o mercado. Para muitos, o começo do ano foi fraco. O que me salvou foram alguns projetos grandes no fim do mês, e eles têm um padrão: clientes reformando o carro em vez de trocar.
Um dono de SUV médio foi à concessionária ver o modelo novo. A diferença, na prática, era o teto preto e o motor. Para trocar o carro de 2017 pelo novo, ele teria que colocar mais de R$ 100 mil. No estúdio, investiu cerca de R$ 11 mil, uns 10% disso (valores da época do vídeo):
- Teto pintado de preto.
- Películas trocadas por cerâmicas.
- Cromados cobertos em preto.
- Rodas e pinças pintadas.
- Para-choques e uma lateral com arranhões, repintados.
- Higienização e polimento.
Resultado: um carro com cara de novo e, nas palavras dele, “um ano de fôlego” para ver o que o mercado vai fazer. Fiz outros projetos parecidos: polimento, faróis, detalhes em preto, pneus novos, rodas e pinças pintadas. Para o cliente, saiu barato. Para mim, é ticket alto.
Esse é o tipo de serviço que só aparece para quem tem um cardápio completo: estética, pintura, película, customização. Veja um exemplo em Evoque all black e black piano.
Reencontros
No fim do dia, um profissional parou para conversar: tinha trabalhado com som na mesma época que eu, num lugar vizinho, e hoje faz película e estética. Ele brincou que, com os carros antigos, se garante; com as redes de comunicação dos carros novos, pede ajuda. Todo mundo precisa se atualizar, e é isso que esses encontros proporcionam.
O que levar deste vídeo
- Domine as duas máquinas: não seja escravo de nenhuma.
- Prepare a seco; primer pode ser lixado com água.
- Reaproveite o papel de mascaramento e tire o silicone do estúdio.
- Forneça o material ao terceirizado para garantir a qualidade.
- Em tempo de crédito caro, ofereça o upgrade em vez da troca.



