Verniz na estética não se aplica como na oficina: por que eu só fecho o filme na terceira demão
Na oficina com cabine pressurizada, a primeira demão vai molhada. Na estética, isso abre olho de peixe. O passo a passo num para-choque de Corolla.
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Muitos pintores que você segue no Instagram, com oficina de funilaria e pintura, aplicam a primeira demão de verniz já molhada e fecham com a segunda. O verniz fica um espelho. Para eles, funciona. Mas quem trabalha com estética automotiva e está começando a pintar não deve fazer assim. Mostro o porquê no para-choque tricoat de um Corolla.
Sobre a diferença geral entre os dois modelos de negócio, já falei em pintura rápida: estética × funilaria. Aqui o assunto é só o verniz.
O ambiente da estética tem contaminante
Numa estética, o ar tem resíduo de produtos de acabamento interno e externo. Mesmo a minha cabine, construída e bem vedada, puxa ar de fora, onde fazemos acabamento. E muita gente pinta sem cabine, molhando chão e paredes.
Se você carrega a primeira demão nesse ambiente, o risco de olho de peixe (aquelas crateras de gordura) é enorme. Eu limpo tudo, lavo as peças com desengordurante de cozinha e depois desengraxante químico, e ainda assim, de vez em quando, aparece.
“Mas eu tenho oficina há 20 anos e cabine pressurizada, nunca tive problema.” Ótimo. Mas você é a minoria do mercado.
As três demãos
- Primeira bem empoeirada. Ela serve só para o verniz “sentar”. Se cair uma sujeirinha, dá para tirar nessa hora.
- Segunda um pouco mais carregada, mas ainda fosca. Ela fica crespa, e é de propósito.
- Espere uns 10 minutos e, na terceira, feche o filme.
Assim você não corre o risco de olho de peixe na base do verniz, e ainda sobra camada para lixar e polir. Veja também verniz em quatro demãos como se fossem duas.
Sem equipamento caro, de propósito
Pintei de camiseta, sem macacão, e com a mesma pistola que usei para base, pérola e verniz, justamente para mostrar que não foi o equipamento. O que fez diferença foi a limpeza:
- Cabine lavada com snow foam e detergente, paredes e piso molhados.
- Limpeza da superfície bem feita.
- Pistola limpa entre os produtos.
Isso não garante zero olho de peixe. Reduz o risco, porque ele sempre vai existir quando você prepara, pinta e faz acabamento no mesmo lugar.
Textura igual à original
Eu sempre olho a textura original do carro e deixo o verniz um pouco mais texturizado, para quem vai lixar e polir catar as microssujeiras e chegar na textura de fábrica. Não adianta lixar com 1200, 1500, 2000 e deixar o para-choque liso se o Corolla original é um pouco crespo.
Tricoat muda com a luz
Depois de montado, dá para ver uma diferença de tom em alguns ângulos. Mude o ângulo e ela some, depois volta em outro lugar. É normal do tricoat: a pérola muda de cor com a luz. Até a tampa do tanque, original, aparece diferente do resto do carro dependendo do ângulo. E no canto do para-choque eu nem apliquei tinta, só verniz. O degradê ficou na área do reparo.
O que levar deste vídeo
- Na estética, nunca carregue a primeira demão de verniz.
- Empoeirada, fosca, e só a terceira fecha o filme.
- Uns 10 minutos entre demãos.
- Limpeza do ambiente pesa mais que equipamento caro.
- Deixe a textura um pouco acima da original para lixar e polir.
- Tricoat muda de tom com a luz: isso vem de fábrica.



