Meu aluno arranhou o carro do cliente: como eu pintei a porta de um carro com 450 km

Um aluno raspou a porta de um carro quase zero. Como orientei ele com o cliente e como pintei uma porta que veio de estética, sem olho de peixe.

Pintura e reparo rápidoHistórias de alunos

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Um aluno do Repara Fast, ainda no começo, me ligou desesperado. Na estética dele, alguém raspou a porta traseira de um Nivus com 450 km no painel. Ele tentou cobrir com pincel, com a cor do carro, e não resolveu.

Primeiro: calma e verdade

A primeira coisa que eu disse foi: calma. Quando você tenta resolver algo com pressa, cria um problema que ainda não tem.

Dava para entregar no dia seguinte? Não. Então só havia um caminho: contar a verdade ao cliente e agendar a pintura da porta. Até daria para cobrir com a cor do carro, tirar o excesso com uma lâmina, lixar e polir, mas ia ficar uma cicatriz. Num carro praticamente zero, o cliente vai querer o carro em nível de zero.

O cliente ficou bravo na hora, mas entendeu. Ele tem uma fábrica de móveis planejados e disse algo como: “a cada dez móveis, um dá problema”. Quem trabalha com as mãos sabe que acontece. O que conta é como você resolve.

Esse tipo de serviço é uma “moeda” delicada: você está assumindo a responsabilidade de outro profissional. Ninguém bateu de propósito, mas o padrão de entrega tem que ser alto.

Use o prazo a seu favor

O cliente pôde deixar o carro de um dia para o outro. Então eu não precisava correr. Comecei de manhã, pintei com calma até umas 2 da tarde com um verniz de secagem rápida, e no dia seguinte a Regina lixou, poliu, e o carro foi entregue.

Se eu precisasse entregar no mesmo dia, teria tecnologia para isso. Mas a pressa não é necessária quando o cliente dá prazo. Por isso é importante conversar e perguntar a disponibilidade dele. Escolher o verniz pelo prazo é o assunto do post qual o melhor verniz para pintura fast.

O maior inimigo: gordura

Esse carro tinha passado por uma estética que fez polimento. Ou seja, devia ter cera, selante, carnaúba na pintura. E isso é o que causa olho de peixe: a cratera onde o verniz não assenta.

Sujeira você tira no lixamento. Gordura, depois de pintado, não tem muito o que fazer. Então a preparação foi focada nisso:

  • Lavar bem a lateral, com bastante shampoo.
  • Lixar com desengordurante de cozinha na água, e repetir.
  • Passar desengraxante químico antes da tinta e antes do verniz.
  • Pano sem gordura nenhuma e macacão para não contaminar.

Quem trabalha com estética entende: mesmo com todo cuidado, o ambiente é contaminado.

A pintura, passo a passo

  1. Preparação localizada e primer, feitos pelo seu Luiz de manhã. Tirei a tampa de combustível para o acerto de cor.
  2. Maçaneta fora. Nesse carro, sai fácil, e o acabamento fica perfeito.
  3. Isolamento com as fitas encostando uma na outra para vedar 100%, e espuma de isolamento nas frestas.
  4. Painel de infravermelho de longe, só para iluminar e manter a temperatura, sem acelerar a secagem.
  5. Tinta com pistola pequena, bico 1.0, para ter pouco overspray e pintar só onde precisa. Três demãos.
  6. Revisão: uma lixa 1200 usada com detergente, no taco de chinelo, para tirar o overspray e qualquer cabecinha de sujeira. Uma poeirinha de cor por cima.
  7. Verniz na porta inteira, com pistola grande, bico 1.4. Retocar no meio da porta arrisca deixar mancha; envernizar a peça toda é muito mais seguro.

Três demãos de verniz, a primeira empoeirada

  • A primeira demão enfumaçada, sem brilho, para garantir que não vai abrir olho de peixe.
  • A segunda um pouco mais carregada.
  • A terceira fechando a película.

E a textura? A pintura da Volkswagen tem um granulado. Eu deixei o verniz com esse granulado de propósito: assim, no dia seguinte, a Regina lixa as microssujeiras e chega exatamente no padrão original. Se eu deixasse o verniz liso demais, depois do lixamento a porta ficaria mais lisa que o resto do carro. Expliquei essa lógica no post sobre lixamento de repintura.

Tire a fita ao contrário, com o verniz molhado

A fita que encosta no plástico eu tiro com o verniz ainda molhado, puxando ao contrário, nunca a favor. Por isso ela é a última que eu coloco. Na dobra da porta, usei a fita virada bem no vinco: a emenda fica na troca de ângulo da luz e não aparece.

O resultado

O carro entrou num dia, foi preparado e pintado no mesmo dia, e no seguinte foi lixado, polido e entregue. Sem gordura, com a textura original.

O que levar desta história

  • Errou? Calma. Não tente esconder com pressa.
  • Conte a verdade ao cliente e proponha a solução certa.
  • Se o cliente dá prazo, use o prazo: trabalhe com calma.
  • Carro que veio de estética tem cera e selante: desengordure muito.
  • Primeira demão de verniz empoeirada contra olho de peixe.
  • Deixe a textura do verniz igual à do carro, para o lixamento chegar ao original.

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