Gui, da Low Films: de lavagem a R$ 30 a estética com pintura, e o que a enchente ensinou
Com o Gui, da Low Films: da lavagem detalhada à chapeação, por que a cadeia da repintura tem que ser boa inteira e como checar um carro de enchente.
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O podcast estava marcado para o meio da tarde. Fui entregar um carro, o Gui se ofereceu para me dar carona, o pneu do carro dele rasgou e acabamos esperando o guincho. Gravamos quase às seis. O Gui é dono da Low Films, em Lajeado (RS), e eu digo que ele é a minha versão de uns dez anos atrás: as trajetórias se repetem.
Começou pela película, na garagem
A ideia era abrir um lava-rápido, mas ele não conseguia alugar um ponto. Então começou instalando película na garagem de casa, daí o nome Low Films. Meses depois, conseguiu o espaço e abriu a lavagem: muito carro, preço baixo e trabalho pesado.
O que o fez mudar foi fazer as contas. Em vez de se matar de quinta a sábado lavando carro, começou a pegar um ou dois serviços de estética (polimento, higienização, proteção) nos dias parados do início da semana, e ganhava mais assim. Lançou na região a lavagem detalhada, aprendida em vídeos da internet, e tinha gente vindo de outras cidades para conhecer. De lá para cá, já está no quarto prédio.
O primeiro coating a gente nunca esquece
Ele conta que, na primeira aplicação de um coating profissional, esperou tempo demais para remover, como fazia com o vitrificador anterior. O produto curou, e não saía com nada. Teve que lixar e recomeçar.
Quem nunca? Coating profissional não espera você tomar um café no meio da aplicação. Depois de aprender o tempo certo, o resultado e a durabilidade convenceram.
E por que a gente defende uma marca premium? Porque o produto é a credibilidade do meu trabalho. Se eu aplicar algo que some em três meses, quem fica mal sou eu, não a marca. É o mesmo raciocínio do verniz de qualidade: se murchar, o cliente vai dizer que o serviço foi ruim. Melhor subir o preço do que baixar a qualidade do material.
Quando todo mundo abriu estética
Enquanto o Gui crescia, começaram a abrir estéticas todo mês na região. A saída dele foi se diferenciar de novo: incluir chapeação e pintura.
O motivo era prático. Cliente chegava para polir, mas o carro tinha uma batidinha. Ele mandava para a chapeação e o carro não voltava. Tentou terceirizar, mas o serviço vinha abaixo do padrão, e quem respondia era ele.
Aqui entra uma explicação que eu dou sempre: o pintor terceirizado até pode ser bom, mas, para te dar um preço em que você também ganhe, ele economiza no material. Primer, massa e verniz bons não cabem em qualquer preço. A cadeia da repintura é como a construção civil: não adianta tijolo bom com cimento ruim. E o cliente de estética é exigente: quer o carro melhor do que veio de fábrica.
Terceirizar dá certo em algumas coisas (martelinho de ouro, película, plotagem com um parceiro de confiança), mas não em tudo.
O zero quilômetro também é retocado
Muita gente não sabe, mas é comum carro zero sair da concessionária com peça repintada: o carro passa por cegonha, pátio, lavador, manobras, sem proteção nenhuma. Já peguei carro com 30 km com para-lama retocado e sujeira embaixo do verniz. Por isso, a ideia de que “carro repintado não presta” não faz sentido. Repintura bem feita é conserto, não defeito. Leia também nanoproteção: carro zero x carro usado.
Contrate pessoas, treine profissionais
O maior freio do crescimento hoje é mão de obra, principalmente chapeador e pintor. A regra do Gui: contratar pessoas, não profissionais, e formar do jeito da casa. Alguém com dez anos de vício é difícil de mudar. É mais fácil frear quem tem vontade do que empurrar quem não quer.
Aqui no estúdio, eu tenho um preparador experiente que domina o processo dele como ninguém, mesmo sem adotar as tecnologias novas. O dia em que ele parar, vou ter que formar alguém. Por isso acredito tanto em repassar conhecimento: o reparo rápido é o primeiro passo. Primeiro você aprende a caminhar, depois a correr, depois a maratona.
A enchente e a corrente do bem
Quando a enchente atingiu o Vale do Taquari, as pontes da cidade dele caíram. Com a água ainda alta, um parceiro sugeriu fazer alguma coisa. Juntaram doações, montaram cozinha na loja e, por 11 dias seguidos, entregaram marmita, sanduíche e água, chegando a lugares onde ainda não tinha ajuda organizada. Gente de todo lado se juntou.
E o que volta: o carro da empresa que fundiu o motor nas entregas ganhou motor novo de quem quis retribuir, e a visibilidade trouxe novos clientes, inclusive um colecionador de carros antigos.
Carro de enchente: olhe o feltro
Teve muita promessa de “recupero seu carro de enchente por tanto”. Não existe preço fechado: o problema aparece meses depois, em módulo, chicote, placa eletrônica oxidada. O Gui já tinha recuperado vários de uma cheia anterior, com custo alto de mecânica.
A dica dele para identificar um carro de enchente, mesmo bem feito: levante um cantinho do carpete e confira o feltro. Se não for original, desconfie. Falei disso também com o Dimer.
A roda gira para todo mundo
Fechamos falando de troca de conhecimento. Eu ligo para colegas quando aperto, eles me ligam. Um me arrumou a fórmula de uma cor interna difícil, outro me deu a dica de farinha de trigo para tirar cola de adesivo. Guardar segredo não te faz referência; entregar conhecimento faz. E, quando alguém te ajudar, dê o crédito.
O que levar deste vídeo
- Faça as contas: serviço de estética nos dias parados pode render mais que lavar o dobro de carros.
- Coating profissional exige atenção ao tempo de remoção.
- O material é a credibilidade do seu serviço: não economize nele.
- Terceirizar pintura pode sair caro: a cadeia toda tem que ser boa.
- Contrate pessoas com vontade e forme os profissionais.
- Carro de enchente: confira o feltro e desconfie de preço fechado.



