Iury e o reparo rápido numa cidade de 8 mil habitantes: quando não dá para viver só de polimento

O Iury trabalha em São Vicente do Sul (RS), cidade de 8 mil habitantes. Couro, retoque, rodas e PPF completam o mês quando o polimento falta.

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O Iury trabalha em São Vicente do Sul, a uns 90 km de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A cidade tem cerca de 8 mil habitantes. A gente conversava tanto pelas redes que eu já o considerava amigo antes desta entrevista.

Começou na raça

Ele começou em 2018, sem curso nenhum. Comprou um kit de polimento que indicaram e uma politriz baratinha, que depois fritou. O primeiro carro, de um amigo, levou três dias. (Eu levei três dias para instalar meu primeiro alarme, em 1996, sem YouTube.)

Foi evoluindo com conteúdo gratuito, testes em peças e trocando ideia com profissionais que conheceu num workshop de uma marca de polimento em 2020. Ter amigos no setor o ajudou a não gastar dinheiro à toa com produto, porque no começo a gente se emociona com qualquer novidade.

A internet ajuda muito, desde que você já tenha um pouco de base técnica para filtrar o que funciona do que não funciona.

Couro como complemento

Ele fez curso de pintura de couro numa das primeiras turmas. Mas não divulga pintura de couro: tem receio de atrair mais curiosos que clientes. Ele encaixa o couro como complemento, depois de vender a higienização e o polimento. Com o banco já limpo, o retoque fica mais fácil e mais lucrativo.

No começo tinha medo: e se der problema? Com o tempo, entendeu que, se der, tem como corrigir.

Numa cidade pequena, mais serviços

Tem meses em que ele faz pouquíssimo polimento. Ficar esperando para viver só disso? Não dá. Então ele faz um retoque, pinta um jogo de rodas, restaura um couro, aplica um PPF. O cliente encontra tudo num lugar só, ele aumenta o ticket e reduz o giro.

Isso vale ainda mais para quem não tem mão de obra disponível. Para ganhar na rotatividade você precisa de muita gente, e aí tem que pegar qualquer serviço para a conta fechar. É mais fácil oferecer mais para o mesmo cliente.

O fim da micropintura

No início, ele fazia micropintura: preenchia o arranhão com a tinta do carro e explicava que ficaria “menos pior”. Até que um cliente esperava um retoque, porque um amigo tinha feito um e ficou perfeito. Na entrega, o Iury viu a decepção. Explicou, não cobrou, mas ficou o clima ruim. Nunca mais vendeu micropintura.

Eu fiz curso de micropintura em 2001. O problema é sempre o mesmo: o cliente sabe onde estava o arranhão e o olho vai direto para lá. Veja micropintura não é conserto definitivo.

Hoje, se está dentro da capacidade dele, oferece retoque. Se não, encaminha para um parceiro de funilaria em Santa Maria.

O que o curso mudou

O Iury já pintava: aprendeu o básico com um amigo, por mensagem. O que o curso trouxe foi confirmação e correção. A maior mudança foi perder o medo da emenda: antes, ele pintava sempre a peça inteira. Fez um retoque num branco, cor que sempre o deixava inseguro, e ficou perfeito.

Quando você domina, entende quando o retoque é seguro e onde ele reduz o risco: numa quina, numa troca de ângulo de luz, perto da lanterna. O que não dá é retocar no meio da porta. Num orçamento de uma Hilux com arranhão na ponta do farol, ele já ofereceu verniz na peça inteira.

Lixe com detergente

A dica que mais resolveu os problemas dele: lixar com água e detergente e desengordurante de cozinha. Ele perdia verniz catalisado em rodas por causa de olho de peixe. Quem pinta dentro de estética lida com carros cheios de cera, vitrificador e renovador de plástico. Se você só passa o desengraxante químico no fim, cada pintura vira um problema.

Técnica independe da marca

Na região dele, o fornecedor mais acessível é de uma marca específica. Como o curso ensina técnica e não produto, ele aplica com o que tem. Veja também a história do Julio, que passou por dúvidas parecidas.

O conselho dele

Para quem está começando: procure um profissional que já trabalha, com referência real. Na internet você vê muita receita mirabolante, e o mundo real não é assim.

O que levar deste vídeo

  • Em cidade pequena, não dá para viver de um serviço só.
  • Couro funciona como complemento depois da higienização.
  • Micropintura frustra o cliente: ofereça retoque ou terceirize.
  • Domine a emenda e retoque só onde há quina ou troca de luz.
  • Lixe com água e detergente dentro da estética.

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