Fomos ao 1º evento de estética automotiva do Rio Grande do Sul
Palestra, conversas nos estandes, o efeito outlet, o futuro dos pequenos reparos e por que evento é o melhor lugar para testar produto sem gastar.
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O Rio Grande do Sul finalmente ganhou o seu primeiro evento de estética automotiva, e a gente fez questão de estar lá. Eu, o Bruno e o Djavan, que trabalha comigo, fizemos a cobertura. Palestrei às 10h e depois saímos com o microfone pelos estandes, gravando com todo mundo, sem roteiro.
A palestra: “estética não dá dinheiro”
O título já causou: polir, lavar e higienizar carro não dá dinheiro. Estou nisso há quase três décadas e digo com todas as letras: trabalho só estético, sozinho, não fecha a conta.
A maioria de quem estava ali fez o mesmo caminho: saiu da CLT, comprou uma lavadora, um compressor, um aspirador e montou um estúdio em casa. E dá para ganhar dinheiro com estúdio em casa, desde que você entenda duas coisas:
- A experiência do cliente tem que ser completa.
- Você vai ganhar com qualidade, não com quantidade.
Quantidade exige espaço grande, aluguel caro e mão de obra. E mão de obra qualificada, com vontade de aprender, está cada vez mais difícil de achar. Expliquei esse raciocínio inteiro em como triplicar o lucro da estética com o que você já tem.
O melhor cheiro de carro é o de carro zero
Um assunto da palestra que rendeu conversa nos corredores: aromatizante. Muito detalhador termina o serviço e já “soca” um cheiro no carro do cliente. Só que tem cliente que não gosta de cheiro doce, outro não gosta de cítrico.
O detalhador tem que tirar todo o cheiro, todas as características de uso. O cheiro novo, quem escolhe é o cliente. Um totem com algumas opções resolve, e ainda vira uma venda extra. Um expositor que conheço transformou essa ideia num negócio de aromatizantes em sachê, que vai no porta-copos e não engordura o vidro.
Produto sem silicone para quem faz reparo
Em um dos estandes, a conversa foi sobre um detalhe que pouca gente lembra: quem faz reparo rápido não pode ter silicone no estúdio. O silicone contamina a pintura e dá olho de peixe. Por isso eu uso, há anos, um limpador de interior e acabamento à base d’água, sem silicone. Ele serve também para painéis soft touch, que não podem receber produto com silicone.
Se você faz reparo e detalhamento no mesmo espaço, confira a composição de tudo que usa no interior e nos plásticos. Falei de olho de peixe em verniz de quatro demãos que parece duas.
Evento é para testar sem gastar
Essa é a mensagem que eu deixo em todo evento: venha, teste, pergunte ao técnico, coloque a mão na massa. É o único lugar em que você testa massa, composto, coating e máquina de várias marcas sem investir nada.
E escolha o produto pela qualidade técnica, não pelo apelo da marca. Quem está entrando no mercado achando que precisa de produto para crescer vai se frustrar, porque a matemática não bate. Quem tem capacidade técnica usa qualquer produto e qualquer ferramenta. Se você der um bisturi a um cirurgião na emergência, ele opera.
Todo evento grande começou pequeno
Conversando com o organizador, lembramos que os grandes eventos do setor também começaram com meia dúzia de barraquinhas. O Speedway, em Santa Catarina, teve uma primeira edição tão pequena quanto essa. O primeiro serve para mostrar que existe. A partir do segundo, você tem material para negociar com prefeitura, hotel e patrocinador.
Também rolou a divulgação de uma pesquisa nacional sobre o mercado de estética automotiva, para gerar dados reais sobre faturamento, estrutura e perfil das empresas. Iniciativa boa para o setor inteiro.
O futuro é do pequeno reparo
Outro assunto que eu levo para as palestras: os carros novos vêm com sensores de frenagem e cada vez mais assistência. A tendência é ter menos colisão. E, quando tem batida grande, muitas vezes vira perda total e leilão.
Quem vai fazer o pequeno retoque, o arranhão, o canto de para-choque? A funilaria grande não quer, porque o custo dela é alto demais para isso. É a estética. Por isso eu insisto que as estéticas precisam aprender a fazer retoque. Falei disso em por que o reparo rápido não funciona na funilaria.
O efeito outlet
Uma sacada que ouvi por aí e que eu repito: muita gente com estética longe da capital acha que está em desvantagem. Mas você já viu um outlet no centro da capital? Não. O outlet é longe de propósito. Como você fez o esforço de ir até lá, você compra.
Com estética é igual. Tenho cliente que vem de outra cidade só para o orçamento. O valor sai um pouco mais caro? Ele fecha na hora, porque voltar outro dia dá mais trabalho. Distância pode ser vantagem.
Boina é que nem gaita
Uma frase minha que um colega lembrou no evento: boina de lã é que nem gaita, só pega na mão quem sabe tocar. Não tenho nada contra a roto-orbital, eu também uso. O ponto é usar o remédio certo para a dor certa. Repintura pede corte. Carro zero pede roto-orbital. Detalhei em polimento só com roto-orbital em carro novo.
E a frase que já virou de domínio público: café fecha negócio.
Levar a equipe para o evento
Levei o Djavan de propósito. A gente trabalha muito com uma linha de produtos, e eu queria que ele visse outras marcas, outros processos, outras ideias. Ele saiu de lá falando dos estandes que visitou e do que aprendeu. É assim que se forma profissional.
E, como sempre digo, falha é do processo. Quem desmonta, monta e faz o acabamento final precisa cuidar de todas as etapas, senão o problema estoura sempre no fim do dia.
O que levar deste vídeo
- Estética sozinha não fecha a conta: ganhe com qualidade e experiência, não com volume.
- Tire todo o cheiro do carro. O cheiro novo, o cliente escolhe.
- Quem faz reparo precisa de produtos sem silicone no estúdio.
- Evento é onde você testa tudo sem gastar. Escolha pelo técnico, não pela marca.
- Menos colisão no futuro significa mais pequeno reparo para a estética.
- Estar longe da capital pode ser vantagem: é o efeito outlet.
- Leve a sua equipe aos eventos.



