Repara Lento, ep. 3: dicas de pintura para a estética, da lateral inteira ao verniz sem olho de peixe

O segundo dia do treino: lateral preparada e pintada no mesmo dia, degradê para alongar a cor, distância de um palmo, ângulo de luz e verniz empoeirado.

Pintura e reparo rápido

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Segundo dia do treino com alunos no Fiesta (veja o ep. 1 e o ep. 2). Um aluno faz reparo fast com ultravioleta em pequenos arranhões, maçanetas e rodas. Os outros dois, que já pegam pinturas maiores nos estúdios deles, preparam e pintam a lateral inteira, que é onde eles mais têm dificuldade: primer, alisamento de peça grande e massa.

O processo de um reparo rápido e o de um reparo maior é o mesmo. Só aumenta a dificuldade. Pintura geral e colisão grande eu não faço mais, mas uma lateral como esta, sim.

Uma lateral preparada e pintada no mesmo dia

Esta lateral tinha só verniz descascado: sem massa, sem colisão. No dia a dia do studio, seria assim:

  • Manhã: preparação até o meio-dia, primer aplicado.
  • Começo da tarde: lixamento do primer, lavagem, isolamento.
  • 15h: lateral pintada.
  • 16h30: painéis infravermelhos curando a pintura enquanto a equipe já começa o detalhamento.
  • Dia seguinte: lixa, polimento e acabamento interno.

É assim que um projeto grande é entregue em dois ou três dias: compactando os processos.

Um processo facilita o próximo

Quem vira um bom preparador vira um polidor melhor. Preparação bem feita é menos lixamento; lixamento bem feito é menos isolamento; isolamento bem feito é menos acabamento. Quando você pega a manha, o verniz fica tão bem aplicado que dá para começar o lixamento de acabamento numa 1500 ou 2000, e qualquer boina abre o brilho.

Não fique parado esperando

Primer universal em spray, por exemplo, não precisa de calor. Aplique uma demão e vá lixar a maçaneta. Volte, aplique outra demão e vá lixar a roda. No fim, isole tudo e pinte para-lama, para-choque, roda e maçanetas de uma vez.

Tire o para-choque

Tem quem retoque um pedacinho aqui e outro ali no para-choque só para não dar verniz na peça toda, e o carro fica cheio de marcas de retoque. Ou tem preguiça de tirar o para-choque. Eu tiro, porque assim:

  • o para-choque vai para a preparação e para a cabine;
  • o carro fica livre para ser lavado e detalhado em outro lugar;
  • no fim do dia, pinto; no outro dia, monto e entrego.

Em espaço pequeno isso é ainda mais importante: o carro sem para-choque pode ficar do lado de fora, e você não tranca o espaço inteiro por causa de uma peça.

Regulagem da pistola: faça a sua marcação

Feche a agulha toda, abra até ficar certo e risque a sua marcação na pistola. Esqueça a marcação de fábrica: a referência é a sua.

Aplicando tinta numa lateral

  • Comece pelas bordas e depois venha parelho.
  • Procure sempre um ângulo de luz para enxergar a sobreposição. Se você olha para a pistola, não vê o brilho. Fique de lado; eu quase me ajoelho para ver a parte de baixo.
  • Distância de um palmo. Com medo, longe demais, a tinta chega enfumaçada e fica com falhas; perto demais, fica malhada.
  • A primeira demão não tem obrigação de cobrir. Ela só cobre o primer. A demão que tira os defeitos é uma das últimas.
  • Pega-pó a cada demão.

Alongamento: nunca em linha reta

Se a cor vai entrar no para-lama e na porta para acertar o tom, a tinta vem morrendo para lá, em degradê, aproveitando o ângulo da peça. Nunca termine reto: é o famoso “chapéu”, que deixa uma mancha reta visível no sol. E não se empolgue alongando demais, senão você chega na porta seguinte e cria outro confronto. Para um lado e para o outro, vá empurrando a mancha para fora.

Mais detalhes no Polo prata sem edição e no alongamento de prata no Creta.

Verniz em ambiente de estética

Na funilaria, a maioria aplica a primeira demão semiúmida e a segunda úmida. Mas estética tem contaminação: produtos de acabamento, portas que se abrem e puxam ar, gente trabalhando no carro ao lado. Por isso:

  • 1ª e 2ª demãos empoeiradas, sem abrir brilho (fica acetinado, e está certo);
  • 3ª e 4ª demãos fechando o filme.

Na prática, são duas demãos “cheias” divididas em quatro. Quanto mais carregada a primeira, maior a chance de olho de peixe. E verniz cascudo você lixa e corrige; verniz liso com olho de peixe, não tem o que fazer. A técnica completa: verniz em quatro demãos que valem duas.

Também ajuda adaptar o espaço: no studio, coloquei um exaustor separado na área de acabamento e, quando vou pintar, tranco a porta da cabine por fora, para ninguém abrir no meio da aplicação.

Processos na parede, com diluição e tempo

Os processos de lavagem estão escritos e à vista: nível 1, nível 2, lavagem de entrega. Se não está escrito “motor” no nível 1, não lava motor e não cobra motor. O próximo passo: anotar a diluição de cada produto ao lado (shampoo 1:50 não pode virar 1:1) e um relógio para medir o tempo médio de cada processo. Desenhe o processo até a equipe entender; quando alguém sai, quem entra segue o mesmo padrão, e você não volta à estaca zero. Leia a falta de processo na estética.

Capricho resolve até em ambiente sujo

As maçanetas e a roda que um aluno pintou ficaram perfeitas, pintadas no mesmo espaço da preparação, que é o lugar mais sujo do studio. O segredo é o capricho. E se não ficar bom? Paciência: lixa e pinta de novo. Trabalho artesanal é assim.

O que levar deste vídeo

  • Reparo rápido e reparo grande seguem o mesmo processo.
  • Encadeie as etapas para entregar projetos grandes em dois ou três dias.
  • Tire o para-choque para liberar o carro e o espaço.
  • Tinta a um palmo, de lado, procurando o ângulo de luz.
  • Alongue em degradê, nunca em linha reta.
  • Verniz na estética: duas demãos empoeiradas antes de fechar o filme.

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